Rubio e Mauro Vieira se falam no G20. E a vitória de Lula? Nenhum parabéns público de Rubio, e os EUA seguem sem reconhecer
Conversa breve na recepção dos chanceleres em Atlanta foi a primeira desde 25 de outubro. Os dois marcaram reunião formal antes da cúpula do G20, em dezembro, em Miami.

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, e o chanceler brasileiro, Mauro Vieira, conversaram pela primeira vez desde a reeleição do presidente Lula (PT). O encontro entre Rubio e Mauro Vieira foi breve, na noite de sexta-feira (30), durante a recepção aos ministros das Relações Exteriores do G20, em Atlanta, nos Estados Unidos. Não há registro público de que Rubio tenha cumprimentado o Brasil pela vitória de Lula, e o governo americano segue sem publicar nota reconhecendo o resultado da eleição de 25 de outubro.
A conversa não foi uma reunião bilateral, com pauta e equipes à mesa. Segundo fontes diplomáticas, os dois acertaram um novo encontro, esse sim formal, antes da cúpula de líderes do G20, marcada para 14 e 15 de dezembro, em Miami. Não há data definida nem lista de temas divulgada.
O que se sabe da conversa entre Rubio e Mauro Vieira
Os Estados Unidos presidem o G20 neste ano e sediam as reuniões do grupo. A de chanceleres, em Atlanta, reúne os ministros das Relações Exteriores das maiores economias do mundo. Vieira e Rubio participaram do mesmo evento e se falaram na recepção de boas-vindas, na noite de sexta.
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Corpo e Alma MotelSeu momento, com toda a discrição.Nem o Itamaraty nem o Departamento de Estado divulgaram o que foi dito. O Ministério das Relações Exteriores informou que, durante a recepção, os chanceleres cumprimentaram Vieira pela conclusão do processo eleitoral e pela reeleição de Lula, sem dizer quais. O único citado nominalmente foi o ministro da Índia, Subrahmanyam Jaishankar, que transmitiu as congratulações do primeiro-ministro Narendra Modi. Na sexta, Vieira também teve reuniões com representantes da Índia, do Reino Unido e da Polônia.
Os EUA ainda não reconheceram a reeleição
Até a publicação desta reportagem, Donald Trump não tinha reconhecido a vitória de Lula. Na quinta-feira (29), ao falar com jornalistas, ele chamou a votação de “vergonha”, disse que não tomou partido e não respondeu quando perguntado sobre quem considera o vencedor legítimo. Também não apresentou prova de irregularidade. A Folha contou o episódio na reportagem sobre Trump e a eleição do Brasil.
No resto do mundo, o reconhecimento veio rápido. O painel de reações internacionais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) registrava, até quinta, 107 países e 11 organismos multilaterais que já tinham reconhecido o resultado. A lista inclui aliados de Trump, como a primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni. A embaixada americana em Brasília também não publicou cumprimentos, como mostrou a reportagem sobre a embaixada dos EUA e a vitória de Lula.
Uma relação que vem de tensão
Rubio e Lula já tinham protagonizado outros momentos de frieza. Em julho, depois de declarações de Rubio contra o presidente brasileiro no auge da disputa sobre tarifas, Vieira chamou os ataques de grosseiros e arrogantes. Em setembro, na Assembleia Geral da ONU, Rubio conversou rapidamente com Vieira, mas não houve cumprimento entre ele e Lula.
Alpha for MenNa pauta comercial, segue em vigor a tarifa de 25% dos EUA sobre produtos brasileiros, e Washington não tem embaixador em Brasília desde que o nome indicado ficou à espera do aval do governo brasileiro. A Folha detalhou os dois pontos na reportagem sobre o impasse que Lula leva ao quarto mandato.
A conversa em Atlanta também ocorreu depois de o senador Flávio Bolsonaro (PL), derrotado no segundo turno, deixar o Brasil e seguir para os Estados Unidos, saída que abriu nova frente de tensão entre os dois governos.
O que pode mudar até dezembro
O próximo encontro entre os chanceleres deve ser o primeiro com agenda formal desde a eleição. A cúpula de Miami reúne os chefes de Estado e de governo do G20. Até lá, o reconhecimento formal da vitória pelo governo americano, em nota ou em telefonema de Trump a Lula, é o sinal que a diplomacia brasileira acompanha. Trump disse na quinta que pretende conversar com Lula, mas não marcou data.
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