Pavinatto e Tarcísio: comentarista chama governador de “araponga de Moraes”, sem provas
Comentarista se apoiou numa live de Paulo Figueiredo, que não citou nomes; governador não respondeu e disse antes ter aconselhado Flávio a ficar no Brasil.

O comentarista Tiago Pavinatto chamou o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), de “araponga do Alexandre de Moraes” e levantou a suspeita de que ele teria repassado ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) informações sobre os passos de Flávio Bolsonaro (PL). A fala que opõe Pavinatto e Tarcísio é opinião do comentarista e foi feita sem provas. A Folha não encontrou nenhum documento, investigação ou registro oficial que sustente a suspeita.
A fala circula nas redes desde a noite de quinta-feira (29) e veio dias depois de Flávio deixar o Brasil rumo aos Estados Unidos, após a derrota no 2º turno para Lula.
Pavinatto e Tarcísio: o que diz o comentarista
No vídeo, Pavinatto diz que Tarcísio teria sido preterido na escolha do candidato da oposição à Presidência e que isso teria criado atrito com o grupo do senador. Em seguida, afirma que imagens exibidas numa transmissão de Paulo Figueiredo indicariam que o governador atuava como informante de Moraes. O próprio Pavinatto reconhece no vídeo que Figueiredo “não tenha dito nome” e diz que a conclusão veio “pela edição” e “pelas fotos” da live. Ele também diz que Eduardo Bolsonaro precisou despistar Tarcísio sobre o próprio paradeiro ao deixar o país.
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De onde veio a suspeita
A suspeita nasceu num programa de Paulo Figueiredo, comentarista que mora nos Estados Unidos e é próximo da família Bolsonaro. Ele disse que um aliado de Flávio estava “reportando todos os passos” do senador ao STF, mas não disse quem. “Uma hora vocês vão saber quem”, afirmou. Na mesma transmissão, Figueiredo exibiu uma reportagem sobre aliados que aconselharam Flávio a não sair do Brasil e comentou um vídeo de Tarcísio sobre o fim da eleição.
Figueiredo não ligou o nome do governador à acusação de forma direta. A associação com Tarcísio foi feita por Pavinatto, na leitura que ele fez das imagens da live. Nenhum dos dois apresentou prova de que o governador tenha passado informação a Moraes.
O que Tarcísio disse sobre a saída de Flávio
Tarcísio não respondeu publicamente à acusação até a publicação desta matéria. Em entrevista concedida na quarta-feira (28), o governador disse que aconselhou Flávio a ficar no Brasil e que não sabia do plano de viagem do senador. “Eu não julgo a decisão que foi tomada”, afirmou.
Alpha for MenNa mesma entrevista, Tarcísio criticou o pedido de apreensão do passaporte de Flávio, feito pela Polícia Federal minutos depois da proclamação do resultado e autorizado por Moraes. “Houve ali uma intimidação”, disse. O governador também defendeu que eventuais abusos na campanha sejam contestados na Justiça Eleitoral. Dias antes, ele havia admitido pela primeira vez a chance de ser candidato a presidente em 2030.
Até a publicação, não houve manifestação pública de Moraes, do STF nem da família Bolsonaro sobre a fala de Pavinatto.
Flávio nos Estados Unidos
Flávio perdeu o 2º turno com 48,21% dos votos válidos, contra 51,79% de Lula, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A Folha detalhou o placar na matéria sobre a reeleição de Lula.
Depois da derrota, Moraes autorizou a apreensão do passaporte do senador e o proibiu de deixar o país. Flávio viajou mesmo assim e chegou a Miami com a família. Nos Estados Unidos, ele posou ao lado do irmão Eduardo Bolsonaro, e o presidente Donald Trump disse que não vai se envolver no caso da carta divulgada pelo senador.
Pavinatto liga a suspeita à disputa sobre quem vai liderar a oposição até 2030. Na fala, ele diz que Tarcísio teria ficado de fora da escolha do candidato deste ano, versão que o governador não comentou. A Folha vai atualizar esta matéria se o governador, o STF ou a família Bolsonaro se manifestarem sobre a acusação.
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