Musk e Moraes: vídeo em que o bilionário pede impeachment do ministro é de abril de 2024
A fala voltou a circular sem data. Em outubro de 2026, o dono do X respondeu a um post com a foto de Moraes e a legenda "tic-tac" e questionou a vitória de Lula.

O vídeo em que Elon Musk diz que Alexandre de Moraes “deveria renunciar ou sofrer impeachment” voltou a circular nas redes nesta semana, mas a fala é de abril de 2024. A briga entre Musk e Moraes, porém, não acabou: em outubro de 2026, o dono do X voltou a mirar o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) e questionou a vitória de Lula (PT) na eleição de domingo (25).
O trecho que circula é de uma reportagem de televisão exibida em abril de 2024, logo depois da publicação. Ela mostra a mensagem de Musk no X e lê o ataque ao ministro, e a versão que circula agora não informa a data.

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Em 6 e 7 de abril de 2024, Musk publicou uma série de mensagens contra o ministro. Anunciou que o X ia suspender as restrições impostas a contas bloqueadas por ordem da Justiça brasileira e prometeu divulgar tudo o que Moraes tinha pedido à plataforma. “Este juiz traiu descarada e repetidamente a Constituição e o povo do Brasil. Ele deveria renunciar ou sofrer impeachment”, escreveu.
A resposta veio no mesmo domingo. Moraes incluiu Musk como investigado no inquérito das milícias digitais e mandou abrir outro inquérito para apurar obstrução de Justiça e incitação ao crime. O ministro também fixou multa diária de R$ 100 mil por perfil reativado contra a ordem judicial.
Do bloqueio do X ao arquivamento
A disputa entre Musk e Moraes chegou ao ponto mais alto em agosto de 2024, quando o X fechou o escritório no Brasil e deixou de ter representante legal no país. Moraes mandou suspender a rede social, que ficou fora do ar de 30 de agosto a 8 de outubro de 2024. A plataforma só voltou depois de indicar uma representante, cumprir as ordens de bloqueio e pagar as multas, que passaram de R$ 28 milhões.
Em março de 2026, Moraes arquivou o inquérito aberto contra Musk em 2024, a pedido do procurador-geral da República, Paulo Gonet. A investigação apurava o papel da plataforma em ataques a ministros do STF.
Alpha for MenA briga de Musk e Moraes em outubro de 2026
O arquivamento não encerrou os ataques. Em 5 de outubro, um dia depois do primeiro turno, Musk respondeu com um “yes” (“sim”) a uma publicação com a foto de Moraes e a legenda “tic-tac”. Em 26 de outubro, depois do segundo turno, ele compartilhou uma conta que tentava mostrar que a virada de Lula seria improvável e escreveu que “a conta não fecha”. Os números do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram outra coisa, como a Folha explicou em Musk questiona vitória de Lula.
As mensagens de Musk entraram no coro de quem contesta o resultado. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também insinuou fraude, sem apresentar provas, caso contado em fraude na eleição do Brasil. Ministros do TSE consideram sem base o pedido de Flávio Bolsonaro (PL) para anular a eleição, como mostrou a reportagem sobre o pedido para anular a eleição.
Impeachment de ministro do STF depende do Senado
Pela Constituição, o processo contra ministro do Supremo por crime de responsabilidade é julgado pelo Senado. O pedido pode ser apresentado por qualquer cidadão, mas só anda se o presidente da Casa decidir levá-lo adiante. Nenhum ministro do STF sofreu impeachment desde a Constituição de 1988.
Por isso a escolha do próximo presidente do Senado, em 1º de fevereiro de 2027, interessa a quem cobra o afastamento de Moraes. Davi Alcolumbre (União-AP) tenta a reeleição, e o PL pretende lançar Rogério Marinho (RN) contra ele, como a Folha mostrou em Marinho e Alcolumbre.
Como saber se um vídeo é antigo
Vídeos de política costumam voltar às redes em momentos de tensão, e muitos chegam ao WhatsApp sem data. Antes de compartilhar, vale procurar a frase entre aspas num buscador, conferir a data da publicação original e desconfiar de recortes de TV sem o dia da exibição. No caso de Musk, a busca pela frase leva direto às reportagens de abril de 2024.
As decisões do ministro sobre o X e o arquivamento do inquérito podem ser consultadas no portal do Supremo Tribunal Federal.
Este texto foi redigido com apoio de inteligência artificial, a partir da pauta, das fontes e das regras do editor-chefe. Saiba mais em Como usamos inteligência artificial.






