Ex-advogado de Vorcaro, Pierpaolo Bottini é cotado para o Ministério da Justiça de Lula
Criminalista deixou a defesa do dono do Banco Master em 13 de março, foi consultor jurídico da reeleição e chefiou a reforma do Judiciário no primeiro governo do PT.

O criminalista Pierpaolo Bottini, ex-advogado de Vorcaro no começo do caso Banco Master, é cotado pelo presidente Lula (PT) para comandar o Ministério da Justiça a partir de 2027. Segundo interlocutores do presidente em Brasília, o nome dele circula desde a campanha e ganhou força depois da vitória no segundo turno, em 25 de outubro.
Não houve anúncio oficial. Até a publicação desta reportagem, nem o Palácio do Planalto nem Bottini tinham comentado em público a possibilidade. Lula toma posse do novo mandato em 1º de janeiro, e a escolha de ministros é livre: cabe só ao presidente nomear e exonerar, sem votação no Senado, como prevê o artigo 84 da Constituição.
Quem é Pierpaolo Bottini
Bottini é professor de direito penal da Faculdade de Direito da USP e um dos criminalistas mais conhecidos do país. No meio jurídico, é chamado de “Pier”. Defendeu acusados da Operação Lava Jato e, nesta eleição, trabalhou como consultor jurídico da campanha de reeleição de Lula.
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Corpo e Alma MotelSeu momento, com toda a discrição.Ele já trabalhou na pasta. No primeiro governo petista, chefiou o Departamento de Modernização da Justiça e depois a Secretaria de Reforma do Judiciário, de 2005 a 2007, na equipe do então ministro Márcio Thomaz Bastos. Os debates daquela época levaram à Emenda Constitucional 45, que criou o Conselho Nacional de Justiça. Em 2022, integrou o grupo de Justiça e Segurança Pública da transição de governo, e hoje faz parte do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária, órgão ligado à própria pasta.

O que liga o ex-advogado de Vorcaro ao caso Master
Bottini foi um dos primeiros advogados de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, quando o caso veio a público. O Banco Central decretou a liquidação do banco em novembro de 2025, e Vorcaro foi preso pela Polícia Federal no mesmo mês, no aeroporto de Guarulhos. Em março de 2026, voltou à prisão.
No dia 13 de março, Bottini anunciou que deixava a defesa por razões pessoais. O lugar dele ficou com o criminalista José Luís de Oliveira Lima, que já defendeu José Dirceu e Walter Braga Netto, e a troca foi lida em Brasília como um passo de Vorcaro na direção de uma delação premiada. A Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República recusaram, depois, as propostas de acordo apresentadas pelo banqueiro.
Defender um investigado é exercício da advocacia, garantido pela Constituição e pelo Estatuto da OAB. Ainda assim, a passagem pelo caso entrou no debate sobre a indicação, porque o Master já respingou no governo. Em outubro de 2024, segundo mensagens analisadas pela PF, Vorcaro pediu a um operador que achasse uma garrafa rara de uísque Macallan para dar de presente a Lula. O Planalto nega que o presidente tenha recebido o presente e diz que os dois se encontraram uma única vez, em 4 de dezembro de 2024.
Alpha for MenBottini não deve ser confundido com Walfrido Warde, outro ex-advogado do banqueiro. Foi Warde quem, segundo as mensagens da PF, relatava a Vorcaro conversas que dizia ter com Lula e com integrantes do governo, como a Folha mostrou na reportagem sobre as mensagens de Walfrido Warde.
O que o presidente espera do novo ministro
Pelo relato de aliados, Lula quer na pasta alguém que funcione como conselheiro jurídico pessoal, papel que Thomaz Bastos cumpriu no primeiro mandato. Bottini também levaria pelo governo o debate da reforma do Judiciário e propõe recriar a Secretaria Especial de Reforma do Judiciário, a mesma que chefiou há duas décadas.
Outro ponto é a Polícia Federal. O atual ministro, Wellington César Lima e Silva, assumiu depois da saída de Ricardo Lewandowski e perdeu força, segundo aliados do presidente, na disputa entre grupos internos da corporação, que acabou expondo o presidente em investigações que envolvem o filho dele, Fábio Luís, o Lulinha. Também está em estudo separar a Segurança Pública da Justiça, com um ministério próprio.
Aliados também pensam no Supremo. Três ministros do Supremo Tribunal Federal chegam aos 75 anos, idade da aposentadoria compulsória, durante o próximo mandato: Luiz Fux em 2028, Cármen Lúcia em 2029 e Gilmar Mendes em 2030. Bottini aparece como possível indicado para uma dessas cadeiras. Nesse caso, ao contrário do ministério, o nome precisa passar por sabatina e votação no Senado.
O que falta para a escolha
A montagem do ministério deve ser anunciada aos poucos até a posse. A pasta da Justiça vai cuidar de temas que já estão na mesa em 2027, como o pedido de indulto a Jair Bolsonaro, que depende só de decreto do presidente, e a relação do governo com a PF nas investigações do Master.
O Master também entrou na lista de casos que a Folha revisou no levantamento sobre o que a Justiça decidiu nos escândalos dos governos do PT, ao lado do mensalão e do petrolão. A escolha do ministro da Justiça é só do presidente. A Folha vai atualizar esta reportagem quando houver confirmação oficial ou manifestação de Bottini e do Planalto.
Este texto foi redigido com apoio de inteligência artificial, a partir da pauta, das fontes e das regras do editor-chefe. Saiba mais em Como usamos inteligência artificial.






