Lula na imprensa estrangeira: WSJ e FT cobram plano para déficit de 9,5% do PIB, número confirmado pelo BC
Sem os juros, o rombo cai para 0,52% do PIB; quase 9 pontos são custo da dívida. A IFI soma R$ 298,4 bilhões em medidas, R$ 93,8 bilhões em gasto direto.

O déficit das contas públicas que os jornais americanos e britânicos usam para cobrar o novo mandato de Lula existe e está nos números oficiais. Nos 12 meses até setembro, o setor público brasileiro gastou o equivalente a 9,51% do PIB a mais do que arrecadou, juros incluídos, segundo o Banco Central. A dívida bruta chegou a 82,93% do PIB. Desde a reeleição de domingo (25), Lula na imprensa estrangeira vem acompanhado dessas duas cifras e da mesma cobrança: um plano para fechar a conta.
Entre segunda (26) e quarta-feira (28), o americano The Wall Street Journal e o britânico Financial Times publicaram análises sobre a situação fiscal do país depois da vitória de Lula sobre Flávio Bolsonaro (PL). Os dois tratam da reação do mercado na primeira semana e das medidas de campanha, e dizem que o governo ainda não mostrou como vai pagar a conta.
O que dizem o WSJ e o Financial Times
Em editorial publicado no começo da semana, o Wall Street Journal afirmou que o déficit deve fechar 2026 perto de 10% do PIB e que a dívida pública passa de 82% do PIB e continua subindo. O jornal associou o resultado ao aumento de gastos do governo depois do primeiro turno e citou o Goldman Sachs, para quem um ajuste fiscal é “urgentemente necessário”. Segundo o editorial, os déficits passaram de 8% do PIB em cada um dos últimos quatro anos.
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Corpo e Alma MotelSeu momento, com toda a discrição.O Financial Times usou números quase idênticos aos do Banco Central: déficit de 9,5% do PIB e dívida de 83%. O jornal britânico registrou que o real teve na segunda-feira o pior dia desde 1999 e que analistas de bancos e gestoras estrangeiras consideram insuficiente apenas segurar despesas. Para o JPMorgan, citado pelo jornal, seria preciso mexer nos gastos obrigatórios. Previdência, salários e outras despesas fixadas em lei ocupam cerca de 90% do Orçamento, o que deixa pouca margem de corte sem votação no Congresso.
O que os números do Banco Central mostram
O déficit perto de 10% do PIB é o resultado nominal, que soma o resultado das contas e os juros da dívida. Sem os juros, o chamado déficit primário ficou em 0,52% do PIB nos 12 meses até setembro. Quase toda a diferença, perto de 9 pontos, é o custo de rolar a dívida com a Selic em 13,75% ao ano.
No começo do terceiro mandato, os números eram outros. Em dezembro de 2022, o déficit nominal era de 4,57% do PIB e a dívida bruta, de 71,68%. Em setembro de 2026, o déficit mais que dobrou, e a dívida subiu 11,25 pontos. A Folha detalhou a evolução na matéria sobre a dívida bruta do Brasil, que é atualizada a cada divulgação do Banco Central.

A conta das promessas, segundo a IFI
O Financial Times citou a estimativa da Instituição Fiscal Independente (IFI), ligada ao Senado, de que as medidas do governo somam R$ 298,4 bilhões em 2026. A conta inclui medidas anteriores à campanha, como a ampliação da isenção do Imposto de Renda, e vai além do gasto direto. Pela conta da IFI, R$ 93,8 bilhões têm impacto primário, ou seja, saem do caixa. Outros R$ 185,7 bilhões são linhas de crédito que voltam ao Tesouro conforme os empréstimos são pagos, e R$ 18,9 bilhões estão ligados ao FGTS e à Conta de Desenvolvimento Energético. A IFI soma ainda R$ 24 bilhões de custo extra em 2027.
Alpha for MenPara o ano que vem, a IFI projeta déficit primário de R$ 86,1 bilhões. A proposta de Orçamento enviada pelo governo prevê superávit de R$ 18,6 bilhões.
Lula na imprensa estrangeira e a reação do mercado
As análises saíram na semana em que o Ibovespa perdeu 16,6% em três pregões e o dólar passou de R$ 5,30, como mostrou a Folha no levantamento sobre o Ibovespa desde a reeleição. Nesta quinta (29), o dólar voltou a subir e fechou perto de R$ 5,39. O dia seguinte à eleição, com circuit breaker na Bolsa, está na matéria sobre o primeiro dia de mercado depois da reeleição de Lula.
O que diz o governo
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse na terça (27) que a equipe econômica prepara novas propostas fiscais para cumprir as metas, sem dar detalhes. Na segunda, ele já tinha dito que pretende mudar a lei ou a Constituição ainda em 2026 para tratar do centro da meta fiscal, como a Folha mostrou na matéria sobre o centro da meta fiscal. O nome que comandará a Fazenda no quarto mandato ainda não foi anunciado.
Nem todo mundo no governo aceita cortar. O ministro Guilherme Boulos, da Secretaria-Geral, escreveu que quem pede corte social “não entendeu nada” da eleição, como registrou a reportagem sobre Boulos e o ajuste fiscal.
O papel do Congresso
Qualquer mudança nas despesas obrigatórias precisa passar pela Câmara e pelo Senado. Lula recebeu os presidentes das duas Casas, Hugo Motta (Republicanos-PB) e Davi Alcolumbre (União-AP), no Palácio da Alvorada no dia seguinte à eleição. Segundo o Financial Times, a direita ampliou a bancada nas eleições legislativas, e investidores contam com o Congresso para segurar novos gastos. O Orçamento de 2027 ainda está em discussão.
Este texto foi redigido com apoio de inteligência artificial, a partir da pauta, das fontes e das regras do editor-chefe. Saiba mais em Como usamos inteligência artificial.






