Dívida bruta do Brasil passa de R$ 11 trilhões e chega a 82,9% do PIB
Em dezembro de 2022, a dívida equivalia a 71,7% do PIB. No terceiro mandato de Lula, a alta chega a 11,2 pontos, e os juros são o principal motor, segundo o BC.

A dívida bruta do Brasil passou de R$ 11 trilhões. Em agosto, a dívida bruta do governo geral, que soma o que devem a União, os estados e os municípios, chegou a R$ 11,05 trilhões, o equivalente a 82,9% do Produto Interno Bruto (PIB), segundo a série histórica do Banco Central. É o maior percentual desde março de 2021, quando o país ainda carregava os gastos da pandemia e a dívida estava em 85,1% do PIB. A Folha já tinha mostrado o número de junho, de R$ 10,8 trilhões; em dois meses, a conta subiu mais R$ 245 bilhões.
Quanto a dívida bruta do Brasil cresceu em 2026
A alta foi seguida, mês a mês. A dívida estava em 80,1% do PIB em abril, passou a 81% em maio, 81,9% em junho, 82,6% em julho e 82,9% em agosto. Em valores, foram R$ 10,44 trilhões em abril e R$ 11,05 trilhões em agosto, uma diferença de R$ 612 bilhões em quatro meses.
No terceiro mandato de Lula (PT), a dívida bruta saiu de 71,7% do PIB, em dezembro de 2022, para os 82,9% de agosto, uma alta de 11,2 pontos percentuais. Só neste ano, desde dezembro de 2025, quando estava em 78,6%, a dívida subiu 4,2 pontos. A dívida líquida, que desconta os ativos do governo, como as reservas internacionais, estava em 69,3% do PIB em agosto.
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Por que a dívida sobe
Na nota sobre os números de junho, o Banco Central explicou de onde veio a alta do ano. Os juros nominais incorporados à dívida somaram 4,9 pontos do PIB no primeiro semestre, e o crescimento do PIB nominal compensou parte disso, com 2,7 pontos a menos. Só em junho, os juros acrescentaram 0,8 ponto, e as emissões líquidas de títulos, outros 0,6. O setor público consolidado teve déficit primário de R$ 55,3 bilhões em junho e de R$ 157,2 bilhões em 12 meses, 1,19% do PIB.
Na prática, o governo gasta mais do que arrecada, antes mesmo de pagar juros, e a dívida que já existe fica mais cara com a Selic em patamar alto. É o mesmo ponto que o Comitê de Política Monetária (Copom) vem repetindo, como mostrou a Folha ao explicar o que a ata do Copom diz sobre disciplina fiscal e juros altos. Os números completos estão na página de estatísticas fiscais do Banco Central.
O que é exagero na conta que circula nas redes
Circula nas redes a informação de que Lula “fecha o terceiro mandato” com dívida de R$ 10,8 trilhões e com “o maior rombo fiscal em 20 anos”. Há três problemas nessa frase. O valor de R$ 10,8 trilhões é de junho e já foi superado. O mandato termina em 31 de dezembro, e o número fechado de 2026 só sai no começo de 2027. E a série do Banco Central, que começa em dezembro de 2006, mostra a dívida bruta do Brasil mais alta em outubro de 2020, no governo de Jair Bolsonaro (PL), durante a pandemia: 87,7% do PIB. O nível de agosto é o maior desde março de 2021, e não dos últimos 20 anos.
Mesmo sem o exagero, o número de agosto põe a dívida de volta no patamar do começo de 2021, agora sem crise sanitária, e a série subiu mês a mês desde abril.
Alpha for MenA dívida na reta final do 2º turno
As contas públicas e a dívida bruta do Brasil entraram na disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro (PL). Flávio disse que “o maior ajuste fiscal” é tirar Lula do governo e prometeu cortar 10 dos 39 ministérios, como a Folha mostrou na matéria sobre o maior ajuste fiscal, segundo Flávio. Lula, por sua vez, afirmou em entrevista ao Jornal Nacional que o governo trabalha com meta de superávit primário de 0,1% do PIB em 2027, na mesma conversa em que falou sobre o Bolsa Família sem reajuste.
O segundo turno é no domingo, 25 de outubro. As sondagens dos institutos estão reunidas na página de pesquisas do segundo turno, e a contagem dos votos terá apuração em tempo real na Folha.
Fontes: Banco Central (séries de dívida bruta e líquida do governo geral e nota de estatísticas fiscais de junho de 2026); entrevista de Lula ao Jornal Nacional, em 15 de outubro; declarações de Flávio Bolsonaro. Foto de destaque: Reprodução.
Este texto foi redigido com apoio de inteligência artificial, a partir da pauta, das fontes e das regras do editor-chefe. Saiba mais em Como usamos inteligência artificial.






