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Centro da meta fiscal: Durigan diz que vai mudar a lei ou a Constituição ainda em 2026

Segundo o ministro, a mudança resolveria dúvida jurídica sobre contingenciar; pelos números oficiais, buscar o centro exigiria R$ 47,9 bilhões a mais que o piso.

Dario Durigan, ministro da Fazenda, em cerimônia no Palácio do Planalto
Dario Durigan, ministro da Fazenda, em cerimônia no Palácio do Planalto

O centro da meta fiscal virou o alvo de uma mudança de regra anunciada pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, um dia depois da reeleição de Lula. Em entrevista divulgada nesta segunda-feira (26), ele disse: “Nós vamos mudar a lei ou, se necessário, a Constituição para buscar formalmente o centro da meta”. O ministro falou em fazer isso ainda este ano, nos dois meses que restam. A Folha não encontrou o texto da proposta, o instrumento que será usado nem a estimativa de quanto o governo teria de economizar a mais.

O que o ministro quer mudar

Pelas regras do arcabouço fiscal, o governo persegue uma meta de resultado primário, a diferença entre o que arrecada e o que gasta sem contar os juros, com uma faixa de tolerância em volta dela. Na prática, o que a lei cobra é ficar dentro da faixa, e é o piso dela que orienta o corte de despesas durante o ano. O centro da meta, o número que a lei de diretrizes fixa como objetivo, fica acima desse piso. Durigan quer tornar o centro o ponto de referência, e não só o limite inferior.

O motivo apresentado por ele é jurídico. Segundo o ministro, há dúvida nas áreas jurídicas do governo sobre se é possível contingenciar mais ou menos despesas, por causa da obrigação de executar o orçamento. Uma regra nova, na avaliação dele, resolveria esse impasse. Durigan também disse que haverá discussão sobre emendas parlamentares, supersalários e aposentadorias especiais, para abrir espaço fiscal às prioridades do presidente, e chamou o tema de “debate bonito de se fazer”.

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Centro da meta fiscal: Durigan, à direita, em assinatura de medida provisória ao lado de Lula
Durigan (à direita), ministro da Fazenda, na assinatura de medida provisória, em 4 de maio. Foto: Lula Oficial (CC BY-SA 4.0).

Quanto custa buscar o centro, pelos números oficiais

Os números da meta de 2026 estão no relatório de avaliação de receitas e despesas do quarto bimestre, divulgado pelo governo em 24 de setembro. A meta fixada na lei de diretrizes é de um superávit de R$ 34,3 bilhões, ou 0,25% do PIB, e o limite inferior é zero. Naquele relatório, o resultado primário projetado do governo central, já com as deduções previstas em lei, era um déficit de R$ 13,6 bilhões, ou 0,10% do PIB. Por isso o governo contingenciou R$ 13,6 bilhões, valor calculado com base no limite inferior, e a contenção total ficou em R$ 16,1 bilhões, contando um bloqueio de R$ 2,4 bilhões.

Pela conta da Folha com esses números, a distância entre o resultado projetado e o centro da meta é de R$ 47,9 bilhões (R$ 34,3 bilhões mais R$ 13,6 bilhões), contra os R$ 13,6 bilhões necessários para chegar ao piso. É uma conta aproximada, que não considera o que mudou nas receitas e nas despesas desde setembro, e o governo não confirmou esse valor. Ela mostra, porém, por que a escolha entre perseguir o piso ou o centro pesa tanto no caixa.

Lei complementar ou emenda constitucional

O caminho depende do que o governo quiser mudar. As regras do arcabouço estão em lei complementar, que exige maioria absoluta nas duas Casas do Congresso, 257 votos na Câmara e 41 no Senado. Se a mudança exigir emenda à Constituição, o mínimo sobe para três quintos, 308 deputados e 49 senadores, em dois turnos. Durigan não disse qual das duas vias pretende usar, e a bancada do PL terá 28 das 81 cadeiras do Senado em 2027, como mostra a matéria sobre o quarto mandato de Lula.

A declaração também se soma a outros sinais da equipe econômica. A Folha mostrou que o governo estuda mexer nos pisos de saúde e educação e rever benefícios, na matéria sobre o ajuste fiscal de Lula, e que a conta do Orçamento de 2027 já previa falta de R$ 53,7 bilhões para manter as políticas de 2028 a 2030, como detalha o Orçamento de 2027. O mercado, por sua vez, reagiu à reeleição com queda das ações dos bancos, como registra a matéria sobre as perdas dos bancos na bolsa.

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O que ainda não se sabe

Não há texto da proposta, data de envio ao Congresso nem estimativa de economia. Também não está claro se a mudança valeria para 2026, o ano em curso, ou só para os próximos, e o governo não informou como o centro da meta se combinaria com as promessas de campanha de Lula, que incluem ampliar benefícios sociais e investimentos. Mudar a regra do jogo no fim do ano costuma gerar questionamento sobre a credibilidade da meta, e é esse o ponto que os analistas vão observar quando o texto aparecer. A Folha atualiza esta matéria quando o governo divulgar a proposta. O relatório oficial do quarto bimestre pode ser conferido na apresentação do Ministério do Planejamento e Orçamento.

Este texto foi redigido com apoio de inteligência artificial, a partir da pauta, das fontes e das regras do editor-chefe. Saiba mais em Como usamos inteligência artificial.

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