Votos no exterior: “primeiros resultados” do 2º turno que circulam nas redes são números do 1º turno
Placares de Nova Zelândia, Coreia do Sul, China e Hong Kong repetem os boletins de 4 de outubro, e a arte surgiu quando nenhuma urna desses países tinha fechado.

Os “primeiros resultados” dos votos no exterior que circulam desde a noite de sábado (24) nas redes não são do segundo turno. Uma arte com bandeiras de seis países dá Flávio Bolsonaro (PL) disparado no Japão e Lula (PT) à frente na Austrália, na Nova Zelândia, na Coreia do Sul e na China. A Folha comparou os números com os boletins de urna do primeiro turno, de 4 de outubro, e quatro dos seis placares são idênticos aos daquele dia, voto por voto.
Além disso, uma das publicações com a arte apareceu às 21h04 de sábado, no horário de Brasília. Naquela hora, nenhuma seção eleitoral desses países tinha encerrado a votação do segundo turno. No Japão, as urnas tinham aberto uma hora antes.

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A arte traz Lula com 234 votos e Flávio com 64 na Nova Zelândia. É exatamente o boletim de Wellington no primeiro turno, quando 339 dos 3.118 eleitores aptos no país foram votar. Na Coreia do Sul, o placar de 123 a 72 para Lula também é o mesmo de 4 de outubro.
O padrão se repete na China. A arte dá 268 votos para Lula e 98 para Flávio na China continental, a soma das seções de Pequim, Xangai e Cantão no primeiro turno. Em Hong Kong, os 105 votos de Flávio contra 99 de Lula são, de novo, os do primeiro turno. A Folha publicou esses boletins naquele domingo, na cobertura da eleição no exterior e no balanço da votação no exterior.
Os dois placares de votos no exterior que sobram não aparecem em nenhum registro. No Japão, a arte fala em 12.066 votos para Flávio e 2.240 para Lula em “60 de 119 urnas”. As 119 seções são as mesmas do primeiro turno, em Tóquio, Nagóia e Hamamatsu, e lá o resultado final foi de 24.601 votos para Flávio e 5.234 para Lula. Na Austrália, a arte dá 5.283 votos a Lula e 2.022 a Flávio, mas as 29 seções australianas somaram 4.562 para Lula e 2.579 para Flávio no primeiro turno. Nenhuma das duas parciais bate com boletins conhecidos.
Por que o horário desmente os resultados
Segundo o Tribunal Superior Eleitoral, as seções no exterior funcionam entre as 16h de sábado e as 21h de domingo, no horário de Brasília, cada uma no seu horário local. A Nova Zelândia foi a primeira a abrir, às 16h de sábado, e só fechou à 1h da madrugada de domingo. No Japão, que tem cerca de 88 mil eleitores brasileiros, a votação vai das 8h às 17h no horário local, o que corresponde ao período entre 20h de sábado e 5h de domingo em Brasília. Na Austrália, as urnas abriram às 18h de sábado.
Alpha for MenCom isso, às 21h04 de sábado, nenhum desses países tinha boletim de urna do segundo turno. O boletim só é impresso quando a seção fecha, e é ele que mostra quantos votos cada candidato teve ali.
A própria publicação admite, no texto, que os números são preliminares e “não representam a totalização oficial do TSE”. A arte, que é o que se espalha, não traz o aviso.
Quando saem os resultados de verdade
Os votos no exterior entram na apuração da eleição presidencial como os de qualquer cidade brasileira. São mais de 918 mil eleitores aptos, em 186 cidades, pouco mais de meio por cento do eleitorado. O TSE só começa a divulgar a totalização às 17h deste domingo (25), quando fecham as últimas seções do Brasil. Os resultados oficiais ficam no site de resultados do TSE.
Antes disso, boletins de urna afixados nas seções do exterior podem aparecer nas redes ao longo da madrugada e da manhã, à medida que as votações terminam na Ásia e na Oceania. Para saber se um número de votos no exterior é do segundo turno, vale conferir a data e o horário do boletim e se a seção já tinha fechado.
A Folha acompanha a contagem a partir das 17h, com os números de Patrocínio (MG) e do país, na página de apuração em tempo real. Nesta semana, outro conteúdo falso sobre a eleição circulou nas redes: o boato da Pabllo Vittar.
Este texto foi redigido com apoio de inteligência artificial, a partir da pauta, das fontes e das regras do editor-chefe. Saiba mais em Como usamos inteligência artificial.






