Tarifa de 25% dos EUA e embaixador sem aval: o impasse que Lula leva ao quarto mandato
Sobretaxa em vigor desde 22 de julho, embaixador americano à espera do aval brasileiro e uma negociação comercial sem acordo: o quadro que o governo Lula enfrenta com Washington.

A tarifa de 25% dos EUA sobre produtos brasileiros e a falta de um embaixador americano em Brasília são os dois itens mais visíveis do impasse que Lula leva ao quarto mandato. O presidente foi reeleito no domingo (25) e toma posse em 5 de janeiro de 2027, com a negociação comercial sem acordo e o canal diplomático sustentado mais por telefonemas do que por rotina.
O que está em vigor: a tarifa de 25%
A sobretaxa vem de uma investigação do USTR, o escritório de comércio da Casa Branca, aberta com base na Seção 301 da lei comercial americana de 1974. Em 1º de junho, o órgão concluiu que práticas brasileiras eram irrazoáveis. Os temas citados foram comércio digital e pagamentos eletrônicos, etanol, propriedade intelectual, combate à corrupção e desmatamento ilegal. A ação final saiu em 15 de julho, e a tarifa adicional de 25% passou a valer em 22 de julho de 2026. A íntegra do aviso e as listas de produtos isentos estão na página do USTR sobre as investigações da Seção 301.
A tarifa não alcança tudo o que o Brasil vende. Os anexos do aviso trazem listas de produtos isentos, e mercadorias que já pagam tarifa por outro dispositivo, a Seção 232, ficam fora da nova cobrança. Reportagens do período também falam em uma segunda sobretaxa, de 12,5%, ligada a outra investigação, sobre importação de produtos feitos com trabalho forçado. Nos itens atingidos pelas duas, a soma chegaria a 37,5%. Segundo a Confederação Nacional da Indústria, as duas medidas atingem 3.985 produtos, o equivalente a cerca de US$ 10,8 bilhões em exportações.
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Corpo e Alma MotelSeu momento, com toda a discrição.O ponto de partida é anterior. Em julho de 2025, os EUA já haviam imposto uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, e a nova cobrança chegou depois de uma investigação que o governo Lula contestou desde o início. O Brasil abriu procedimentos pela Lei da Reciprocidade Econômica, que permite retaliação, e levou o caso à Organização Mundial do Comércio, segundo reportagens do período.

O embaixador que espera o aval de Lula
O Brasil está sem embaixador americano desde janeiro de 2025, e a embaixada em Brasília é tocada por um encarregado de negócios, Gabriel Escobar. Donald Trump indicou o deputado Daniel Perez para o posto, e o Senado dos EUA confirmou o nome por 51 votos a 47. Falta o agrément, a concordância formal do governo brasileiro, que cabe a Lula.
Em agosto, Lula disse que só decidiria depois da eleição. A indicação foi anunciada por Trump antes de o Brasil ter dado o consentimento, o que, segundo reportagens, causou incômodo no Itamaraty, porque esse tipo de pedido costuma tramitar com discrição. Não há prazo para a resposta. Reportagens indicam que o aval deve sair até o fim do ano, mas nenhuma autoridade brasileira confirmou a data.
O diálogo com o Departamento de Estado
O contato direto entre os dois presidentes existe e já rendeu encontros. Lula esteve na Casa Branca em 7 de maio. Em 21 de agosto, os dois conversaram por telefone durante 1h20, numa ligação que o Planalto classificou como cordial. Segundo a Agência Brasil, Lula disse que as alegações americanas que motivaram as tarifas são infundadas, e Trump propôs um reencontro breve das equipes diplomáticas e disse que indicaria autoridades de alto escalão para conduzir as conversas.
Alpha for MenSegundo nota do lado brasileiro, Trump designou o secretário de Estado, Marco Rubio, para negociar com o vice-presidente Geraldo Alckmin, o chanceler Mauro Vieira e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad. A negociação técnica ficou com o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Márcio Elias Rosa, e com o chefe do USTR, Jamieson Greer.
No fim de agosto, o Brasil ofereceu reduzir as alíquotas de cerca de 300 produtos. Segundo reportagens, os americanos consideraram a oferta insuficiente e pediram abertura nas áreas de química, autopeças e eletroeletrônicos. Também sondaram um acordo nos moldes do que firmaram com a Argentina, formato que o governo brasileiro considera inaceitável. Uma das linhas vermelhas de Brasília é o etanol: reduzir a tarifa sobre o produto americano só faz sentido, para o governo, se vier acompanhada de abertura do mercado dos EUA ao açúcar, o que Washington recusa.
O que muda depois da eleição
A reeleição reorganiza o calendário. Antes, o governo apostava pouco em acordo antes de outubro. Agora há duas questões à mesa: o aval ao embaixador, que pode funcionar como gesto de boa vontade, e uma nova rodada entre Elias Rosa e Greer, que ainda não tem data.
O gesto de Washington também pesa. Na manhã desta segunda-feira (26), a Casa Branca ainda não havia reconhecido o resultado, como a Folha mostrou em Silêncio de Trump. A vitória foi de Lula, com 51,79% dos votos válidos contra 48,21% de Flávio Bolsonaro, conforme a apuração do TSE. A posse em 2027 também define o prazo de Lula para ajustar a relação. No mercado, a reação ao resultado apareceu no câmbio e na bolsa, como mostra a matéria sobre o circuit breaker na B3.
Por enquanto, a tarifa segue em vigor, o embaixador espera o aval, a negociação não tem data e Trump não se manifestou sobre a eleição brasileira. A Folha atualiza esta matéria quando houver nova rodada, decisão sobre o agrément ou mudança nas tarifas.
Este texto foi redigido com apoio de inteligência artificial, a partir da pauta, das fontes e das regras do editor-chefe. Saiba mais em Como usamos inteligência artificial.






