Embaixada dos EUA não reconheceu em público a vitória de Lula; 107 países já reconheceram
Relatório enviado a Washington em 26/10 chamou o resultado de "surpreendente, mas definitivo". Trump, porém, trata a eleição como "vergonha" e não diz quem venceu.

Cinco dias depois do segundo turno, a Embaixada dos EUA em Brasília ainda não publicou nenhuma nota reconhecendo a reeleição do presidente Lula (PT). Na tarde desta sexta-feira (30), a página inicial do site oficial da embaixada não trazia comunicado sobre a votação de domingo (25), nem cumprimentos ao petista. O texto mais recente em português tratava de vagas para formação de professores de inglês.
Do lado de fora, o quadro é outro. Até quinta-feira (29), o painel de reações internacionais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) listava 107 países e 11 organismos multilaterais que já tinham reconhecido o resultado, entre eles China, Alemanha, França, Reino Unido, Canadá e Portugal. Aliados de Donald Trump na política internacional, como a primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, e os presidentes José Antonio Kast, do Chile, e Daniel Noboa, do Equador, também cumprimentaram Lula. Washington, até agora, não.
Embaixada dos EUA calada em público, mas relatório interno diz outra coisa
O silêncio público da representação americana tem uma ressalva importante. Segundo documento diplomático que veio a público nesta semana, a própria embaixada enviou ao Departamento de Estado, na segunda-feira (26), um relatório com o título “Lula é eleito em resultado surpreendente, mas definitivo”.
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Corpo e Alma MotelSeu momento, com toda a discrição.De acordo com os trechos divulgados, o texto afirma que Lula venceu por cerca de 4,4 milhões de votos, que o segundo turno foi em geral pacífico e que os observadores da Organização dos Estados Americanos (OEA) não tiveram “nenhuma dúvida sobre os resultados”. O relatório também registra críticas das missões estrangeiras à extensão do horário de votação, classificada como “mal administrada”, e anota que Flávio Bolsonaro (PL) considera o resultado “impossível de aceitar”.
Ou seja: a avaliação técnica enviada a Washington trata a vitória como fato consumado, mas isso não virou declaração oficial. Reconhecer um governo eleito é decisão política da Casa Branca, e não da embaixada. Até a tarde desta sexta, nem a representação em Brasília nem o Departamento de Estado tinham comentado em público o conteúdo do documento.
Sobre o horário estendido, o TSE informou que cerca de 34 mil votos foram registrados depois das 17h, algo perto de 0,03% do total. O presidente do tribunal, Nunes Marques, disse que a prorrogação não teve influência significativa e não mudou o resultado.

O que Trump disse sobre a eleição
Desde domingo, o presidente americano falou da eleição brasileira pelo menos três vezes, sempre sem dizer quem considera o vencedor. Na segunda-feira (26), afirmou, sem apresentar prova, que a votação parecia fraudada, mas que gosta de Lula. A Folha relatou essa fala em Trump insinua fraude na eleição do Brasil.
Alpha for MenNa quinta-feira (29), ao falar com jornalistas antes de embarcar no Air Force One, Trump chamou a eleição de “vergonha” e disse que pretende conversar com Lula. Perguntado sobre quem é o presidente legítimo, respondeu que não queria comentar naquele momento. “Eleições precisam ser indiscutíveis”, afirmou. O relato completo está em Trump e a eleição do Brasil.
Ainda não há data para a conversa entre os dois presidentes, e nenhum pedido formal de telefonema foi anunciado por Brasília ou por Washington.
Por que o reconhecimento pesa na relação com Brasília
Não existe prazo nem protocolo obrigatório para um país cumprimentar o vencedor de uma eleição estrangeira. Na prática, porém, a demora americana se soma a uma lista de atritos que o governo Lula leva para o quarto mandato: a tarifa extra sobre produtos brasileiros e o impasse em torno de Daniel Perez, indicado por Trump para chefiar a embaixada em Brasília, que ainda não recebeu o aval do Itamaraty. Em agosto, os EUA revogaram o visto da embaixadora brasileira em Washington. A Folha detalhou esse quadro em o impasse que Lula leva ao quarto mandato.
A analista Julia Thomson, da consultoria de risco político Eurasia Group, avaliou na segunda que o reconhecimento deve sair: “Pode levar dias, mas eventualmente eles vão aceitar os resultados.” Ela não arriscou uma data, e a Casa Branca também não deu nenhuma.
Flávio nos Estados Unidos
Enquanto a Casa Branca não se manifesta sobre Lula, o adversário derrotado está em território americano. Flávio Bolsonaro desembarcou em Miami na quarta-feira (28), depois de deixar o Brasil, e o Departamento de Estado confirmou que ele e a família receberam vistos. Registros apontam uma permissão humanitária de um ano, como a Folha mostrou em Flávio em Miami.
O PL reconheceu a vitória de Lula em nota no dia seguinte à eleição. Flávio, não: em carta divulgada nos EUA, chegou a se apresentar como o “verdadeiro presidente eleito”.
O que falta saber
Ninguém em Washington disse quando, nem se, sai a mensagem de reconhecimento. Também não se sabe se o telefonema prometido por Trump vai acontecer. E o governo americano ainda não explicou como conciliar o relatório da própria embaixada, que chamou a vitória de “definitiva”, com a fala do presidente, que trata a mesma eleição como “vergonha”.
Os resultados oficiais da eleição podem ser consultados no site do TSE. A Folha atualiza esta reportagem se a embaixada, o Departamento de Estado ou o Palácio do Planalto se manifestarem.
Este texto foi redigido com apoio de inteligência artificial, a partir da pauta, das fontes e das regras do editor-chefe. Saiba mais em Como usamos inteligência artificial.






