Trump e a eleição do Brasil: até o momento, ele não reconheceu a vitória de Lula e diz que o petista pediu neutralidade
A Casa Branca ainda não divulgou nota de reconhecimento. Trump chamou a votação de vergonha, disse que não tomou partido a pedido de Lula e que vai conversar com ele.

Atualização 29/10, 18h: Até o momento, o governo dos Estados Unidos não divulgou nota reconhecendo a reeleição de Lula. Na mesma entrevista desta quinta, Trump disse que Lula pediu neutralidade na eleição e que atendeu ao pedido.
Trump e a eleição do Brasil voltaram ao noticiário nesta quinta-feira (29). Ao falar com jornalistas na base aérea de Andrews, em Maryland, antes de embarcar para um comício na Carolina do Sul, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, chamou a votação de domingo (25) de “vergonha”. Disse que não tomou partido, mas que viu o que estava acontecendo no Brasil. Também afirmou que pretende conversar com o presidente Lula (PT), reeleito no segundo turno.
Perguntado sobre quem considera o vencedor legítimo, Trump não respondeu. “Não quero comentar isso agora”, disse. Ele não apresentou prova de irregularidade na eleição.
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Na entrevista, Trump repetiu que não escolheu lado na disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro (PL). Para justificar a crítica, citou a reação do mercado financeiro depois da reeleição, com a queda da Bolsa de Valores brasileira. Nos três primeiros pregões depois do resultado, o Ibovespa caiu 16,6% e o dólar subiu quase 7%, como a Folha mostrou em Ibovespa desde a reeleição.
Ao mesmo tempo, o presidente americano disse que vai falar com Lula. Questionado se procuraria o petista para cumprimentá-lo, respondeu que sim, sem dar data para a conversa.

O tom subiu em três dias
A fala desta quinta é a terceira de Trump sobre a eleição brasileira desde domingo. Na segunda-feira (26), ele disse, sem apresentar prova, que a votação parecia fraudada, mas que se dá bem com Lula. No mesmo dia, o PL reconheceu em nota a vitória do petista. Na quarta-feira (28), depois que Flávio publicou a carta em que se dizia o “verdadeiro presidente eleito”, Trump afirmou que não ia se envolver no caso, embora tenha classificado a eleição de “muito estranha”. A Folha contou essa segunda fala em Trump e Flávio Bolsonaro.
Flávio está nos Estados Unidos desde quarta. O Departamento de Estado americano confirmou que o senador e a família dele receberam vistos. Lá, ele posou ao lado do irmão Eduardo, cena registrada em Eduardo Bolsonaro e Flávio nos EUA. No Brasil, a carta perdeu apoio até entre os aliados: dos 15 que estavam no palanque com ele no domingo, só um a reproduziu nas redes, como mostrou a reportagem sobre os aliados de Flávio.
Alpha for MenLula pediu neutralidade a Trump?
Segundo Trump, o presidente brasileiro pediu que ele não tomasse partido na eleição, e ele atendeu. Lula já tinha dito em público que pediu aos Estados Unidos que não interferissem na eleição brasileira, do mesmo jeito que ele não interfere nas americanas, e que o Brasil não é antiamericano. Pelo relato que o Planalto fez da ligação de agosto entre os dois, divulgado pela imprensa na época, Trump fez só uma referência rápida ao processo eleitoral. O pedido expresso de neutralidade aparece apenas na versão do americano.
Até a noite desta quinta, nem a Casa Branca nem o Departamento de Estado tinham divulgado nota de reconhecimento do resultado. Não há prazo nem regra para isso. O reconhecimento costuma sair em nota do Departamento de Estado ou em declaração do próprio presidente depois que a autoridade eleitoral publica o resultado oficial, o que o TSE fez no domingo. Vários chefes de governo, inclusive aliados de Trump nas Américas, já cumprimentaram Lula.
O que diz o governo brasileiro
Até a publicação desta reportagem, o Palácio do Planalto e o Itamaraty não tinham respondido à fala desta quinta-feira. Depois da primeira crítica de Trump, na segunda, o governo optou por não dar resposta oficial, segundo relatos de integrantes do Planalto à imprensa. O vice-presidente Geraldo Alckmin chamou aquela declaração de totalmente errada e infundada, em entrevista à televisão.
O que diz o resultado oficial
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) proclamou Lula reeleito com 64.256.232 votos, 51,79% dos válidos, contra 59.826.041 de Flávio, 48,21%. Os números estão no painel de resultados do TSE. Até esta quinta-feira, o tribunal não registrou nenhuma decisão que altere o resultado. O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, disse no mesmo dia que não gostou da carta de Flávio, e o coordenador da campanha, Rogério Marinho, afirmou que não há provas de fraude.
A posse do presidente eleito está marcada para 5 de janeiro de 2027, a primeira nessa data desde a Emenda Constitucional 111, de 2021. O reconhecimento de um governo estrangeiro não é condição para a posse.
O que falta saber
A Casa Branca não informou quando Trump vai ligar para Lula nem se o governo americano pretende reconhecer formalmente o resultado. Também não está claro se a crítica desta quinta muda a decisão do Planalto de não responder. A Folha atualiza esta reportagem se houver contato entre os dois presidentes ou manifestação oficial do governo brasileiro.
Este texto foi redigido com apoio de inteligência artificial, a partir da pauta, das fontes e das regras do editor-chefe. Saiba mais em Como usamos inteligência artificial.






