Lula diz que quem sai do país escondido “deve alguma coisa”. E Lulinha na Espanha? Mora em Madri desde 2025 e é citado em inquéritos da PF
Flávio deixou o Brasil apesar de ordem judicial e pousou em Miami. Contra o filho do presidente não há denúncia nem proibição de viajar, e a defesa nega fuga.

“O cidadão que sai escondido do seu país é porque deve alguma coisa ou tem medo de alguma coisa.” A frase do presidente Lula (PT), dita na terça-feira (27) sobre a saída de Flávio Bolsonaro (PL) do Brasil, devolveu ao debate o caso de Lulinha na Espanha. Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente, mora em Madri desde julho de 2025 e é citado em inquéritos da Polícia Federal que apuram as fraudes nos descontos de aposentadorias do INSS.
As duas situações têm uma diferença importante. Flávio deixou o país apesar de uma ordem judicial que o proibia de sair. Contra Lulinha, não há ordem de prisão, denúncia nem proibição de viajar. A defesa dele nega que a mudança tenha sido uma fuga.
O que Lula disse sobre Flávio
Lula falou a apoiadores em frente ao Palácio da Alvorada, em Brasília, na comemoração dos 81 anos dele, dois dias depois do segundo turno. Além da frase sobre quem sai escondido, completou com o ditado “quem não deve não teme” e disse que o gesto do adversário foi vergonhoso. “Ele deveria ter entregue o passaporte”, afirmou. O presidente lembrou que, em 2018, entregou o próprio passaporte e se apresentou à Polícia Federal, e que ficou 580 dias preso até as condenações da Lava Jato serem anuladas pelo Supremo Tribunal Federal. Os trechos estão na reportagem sobre a resposta de Lula a Flávio.
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Corpo e Alma MotelSeu momento, com toda a discrição.Flávio saiu do Brasil por terra, rumo à Argentina, e de lá voou para os Estados Unidos com escala no Equador. Pousou em Miami na quarta-feira (28), com a mulher e as filhas. A Folha mostrou como foi a chegada na reportagem sobre Flávio em Miami.
Lulinha na Espanha: o que se sabe
Lulinha se mudou para Madri com a mulher e os dois filhos em julho de 2025, segundo reportagens publicadas desde então e a própria defesa, que diz que os filhos já tinham matrícula encaminhada em 2024. A mudança coincidiu com o avanço das investigações sobre os descontos indevidos em aposentadorias do INSS. Em setembro, mensagens divulgadas mostraram que o então embaixador do Brasil em Madri foi acionado pela empresária Roberta Luchsinger na época da mudança. Roberta é alvo da Operação Sem Desconto, da PF.
O filho do presidente é citado em três inquéritos da Polícia Federal, dois deles sob relatoria do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal. Entre as diligências estão as viagens de Lulinha e de Roberta desde 2023 e quem pagou as passagens. Em março, o ministro Flávio Dino derrubou a quebra dos sigilos dele aprovada pela CPMI do INSS, e a defesa diz que o próprio Lulinha entregou depois os dados fiscais, bancários e telemáticos a Mendonça, como mostrou a reportagem sobre os sigilos de Lulinha.
Os extratos obtidos pela CPMI somam R$ 19,5 milhões em entradas e saídas entre 2022 e 2026, em 1.531 operações. Os números circularam na reta final da campanha, como contou a reportagem sobre os extratos de Lulinha. Movimentação bancária, por si só, não é prova de irregularidade, e Lulinha não foi denunciado nem condenado. Lulinha já declarou que volta ao Brasil quando for chamado por Mendonça.
Alpha for MenPor que a comparação não é simples
A frase de Lula foi dirigida a Flávio, e o presidente não falou do filho no discurso. Os dois casos se aproximam no ponto que mais repercute nas redes: o político que critica a saída do adversário tem o filho morando fora enquanto é investigado. Mas eles se separam no que pesa juridicamente. Flávio tinha uma ordem do ministro Alexandre de Moraes que o proibia de deixar o Brasil, e a viagem é tratada como descumprimento. Lulinha se mudou antes de qualquer medida desse tipo, e não há decisão judicial que o obrigue a ficar no país.
Até a publicação, a Folha não encontrou manifestação do Palácio do Planalto sobre a comparação. A defesa de Lulinha nega irregularidades e diz que ele colabora com as investigações. A Folha vai atualizar esta reportagem se houver manifestação do presidente sobre o filho ou decisão nova nos inquéritos.
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