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Sigilos de Lulinha: defesa entrega dados a Mendonça sete meses depois de Dino anular a quebra da CPMI

Advogado diz que o filho de Lula entregou dados fiscais, bancários e telemáticos ao STF e à PF; Mendonça ainda não decidiu se dá mais prazo aos dois inquéritos que relata.

Lulinha e o ministro Flávio Dino lado a lado, em montagem sobre a entrega dos sigilos de Lulinha ao STF
Lulinha e o ministro Flávio Dino lado a lado, em montagem sobre a entrega dos sigilos de Lulinha ao STF

Em março, uma decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), derrubou a quebra dos sigilos de Lulinha aprovada pela CPMI do INSS. Sete meses depois, a defesa de Fábio Luís Lula da Silva diz que ele mesmo entregou os dados fiscais, bancários e telemáticos ao ministro André Mendonça, relator de dois dos três inquéritos da Polícia Federal que citam o filho do presidente. O anúncio veio nesta segunda-feira (19), a seis dias do 2º turno. Os números da disputa estão no quadro das pesquisas do 2º turno.

Quem contou foi o advogado Marco Aurélio de Carvalho, que defende Lulinha e coordena a campanha de Lula (PT). Segundo ele, a entrega foi voluntária, o material também foi levado à PF e o pedido partiu do próprio presidente, que telefonou ao filho depois que as investigações foram abertas. Mendonça recebeu o advogado em audiência registrada na agenda pública do ministro.

O que Dino decidiu sobre os sigilos de Lulinha em março

Em 26 de fevereiro, a CPMI do INSS aprovou de uma vez dezenas de requerimentos, entre eles a quebra dos sigilos de Lulinha. Alvos da comissão recorreram ao Supremo. Em 4 de março, Dino anulou a quebra de sigilo da empresária Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha. No dia seguinte, 5 de março, estendeu a decisão ao filho do presidente e a outros alvos.

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O argumento do ministro foi o modo de votação. Para Dino, a votação “em globo”, com vários pedidos aprovados num só ato, não vale para quebra de sigilo, que exige análise individual de cada caso. A decisão deixou aberta a possibilidade de a comissão refazer as votações, uma a uma.

Dino também deixou claro que a anulação não tocava nas quebras feitas na investigação da Polícia Federal, que corre sob supervisão do STF em procedimentos próprios. Na prática, a decisão de março tirou os dados das mãos da CPMI, e a investigação da PF seguiu com as quebras que já tinha.

Os três inquéritos que citam Lulinha

O STF autorizou as investigações a partir do fim de julho. A PF apura suspeita de tráfico de influência e corrupção em favor de empresas com negócios no governo federal. Mendonça é relator de dois inquéritos, e Dino, do terceiro.

Os dois casos com Mendonça tratam da intermediação de um contrato de cannabis medicinal no Ministério da Saúde e de negócios do empresário Cléber Ribas, cuja empresa tem R$ 53 milhões em contratos com o Ministério do Desenvolvimento Social. Os representantes de Ribas negam irregularidades e afirmam que os contratos seguiram a lei.

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O nome de Lulinha chegou à PF pela proximidade com Roberta Luchsinger, alvo da Operação Sem Desconto, que apura fraudes em descontos de aposentadorias do INSS e foi deflagrada em dezembro do ano passado. A Folha já mostrou o que a empresária diz sobre a viagem de Lulinha à Espanha e como o caso entrou no debate da Band.

Entre as diligências da PF estão as viagens de Lulinha e de Roberta desde janeiro de 2023, com a checagem de quem pagou as passagens, os vínculos societários e financeiros dos citados, as reuniões em órgãos do governo e as despesas de uma viagem de Lulinha a Portugal em junho de 2024. A lista inclui também a análise de movimentações bancárias obtidas com quebras de sigilo que o Supremo já tinha autorizado.

André Mendonça discursa ao microfone, ministro que recebeu os sigilos de Lulinha no STF
André Mendonça, relator de dois dos três inquéritos, em foto de arquivo. Foto: Luis Macedo/Câmara dos Deputados

PF pediu mais prazo, e Mendonça ainda não decidiu

Em 2 de outubro, quando venceu o prazo inicial de 60 dias para as diligências, a PF pediu ao STF mais tempo nos dois inquéritos relatados por Mendonça. A justificativa é que ainda faltam resultados de análises técnicas. Até esta terça-feira (20), o ministro não tinha decidido o pedido.

A defesa de Roberta Luchsinger pede o arquivamento de um dos inquéritos e diz que a investigação precisa se limitar ao objeto original.

O que diz a defesa de Lulinha

Lulinha mora na Espanha com a família, e a defesa diz que a entrega dos sigilos de Lulinha mostra disposição de colaborar. O advogado afirma que ele volta ao Brasil se for chamado a depor: “Se o Fábio for chamado, ele virá a todo e qualquer momento prestar esclarecimento”. Carvalho diz que não há prova contra o cliente e critica a PF por manter o caso aberto: “Na minha avaliação, faltou coragem para a PF arquivar esse inquérito”.

Segundo o advogado, a PF teria dito não ter elementos nem para ouvir Fábio. Ele afirma ainda que o inquérito só não foi arquivado por envolver o filho do presidente e uma amiga dele.

Por que a entrega dos sigilos de Lulinha virou assunto de campanha

A ordem dos fatos é o que pesa na discussão. Em março, a quebra aprovada pelos parlamentares caiu no Supremo a pedido dos próprios alvos. Em outubro, com três inquéritos da PF abertos e a eleição a uma semana, a defesa decidiu entregar os dados por conta própria. O advogado apresenta a entrega dos sigilos de Lulinha como prova de que ele não tem o que esconder; adversários de Lula perguntam por que a abertura só veio agora.

O caso se cruza com outro pedido. Nesta terça (20), a campanha de Lula pediu ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a abertura dos sigilos do presidente, da primeira-dama e dos cinco filhos, Lulinha incluído, desde que Flávio Bolsonaro (PL) faça o mesmo com a própria família. O detalhamento do pedido está na reportagem sobre o sigilo de Lula. O relator desse pedido no TSE também é André Mendonça.

Os inquéritos seguem sob sigilo no Supremo Tribunal Federal. Nenhum deles tem denúncia apresentada, e Lulinha não foi indiciado. A votação do 2º turno é no domingo (25), e a Folha acompanha os números na apuração em tempo real.

Este texto foi redigido com apoio de inteligência artificial, a partir da pauta, das fontes e das regras do editor-chefe. Saiba mais em Como usamos inteligência artificial.

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