Câmara de Patrocínio: quanto ela custa para cada morador por ano
Relatórios ao Tesouro mostram R$ 9,54 milhões gastos pelo Legislativo em 2025 e R$ 23 milhões previstos em 2026; folha de pessoal usa 1,34% da receita do município.

A Câmara de Patrocínio gastou R$ 9,54 milhões em 2025, o equivalente a R$ 101 por morador da cidade no ano, ou cerca de R$ 405 para uma família de quatro pessoas. Para 2026, o orçamento do município reservou R$ 23 milhões ao Legislativo, R$ 244 por habitante, e até agosto a Câmara já tinha gastado R$ 7,68 milhões. Os números estão nos relatórios fiscais que a Prefeitura de Patrocínio (MG) e a Câmara entregam ao Tesouro Nacional.
A conta voltou ao debate depois que o deputado federal eleito Gleidson Azevedo, ex-prefeito de Divinópolis e irmão do governador eleito de Minas, Cleitinho, defendeu no fim de outubro o fim das Câmaras Municipais. No domingo (1º), pediu desculpas aos vereadores, mas manteve as críticas ao custo dos Legislativos.
Quanto a Câmara de Patrocínio gasta, ano a ano
O dado mais seguro é o do gasto que de fato saiu do caixa, chamado no relatório de despesa liquidada. Pelo Relatório Resumido da Execução Orçamentária (RREO) do sexto bimestre de 2025, a função Legislativa de Patrocínio teve R$ 9.543.037 em despesas liquidadas no ano, de uma dotação de R$ 16,8 milhões. Isso dá cerca de R$ 795 mil por mês e 1,65% de tudo o que o município gastou em 2025, que somou R$ 579,6 milhões.
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Corpo e Alma MotelSeu momento, com toda a discrição.Em 2026, a dotação subiu para R$ 23.026.199. Até o fim de agosto, no quarto bimestre, a Câmara tinha empenhado R$ 8,7 milhões e liquidado R$ 7,68 milhões, média de R$ 960 mil por mês. Se esse ritmo se mantiver até dezembro, o gasto de 2026 vai passar de R$ 11 milhões, perto de R$ 120 por morador. A conta por habitante usa a população estimada pelo IBGE para 2025, de 94.357 pessoas.
Dotação é o teto que o orçamento autoriza, e o gasto pode ficar bem abaixo dele, como aconteceu em 2025, quando a Câmara usou 57% do previsto. Parte da sobra volta ao caixa da Prefeitura. Segundo a própria Câmara, no fim de 2025 o Legislativo devolveu R$ 7,811 milhões ao Executivo, valor que a Casa chama de o maior já repassado na história da cidade. De acordo com o prefeito Gustavo Brasileiro, o dinheiro vai para o viaduto sob a MG-230, obra estimada em R$ 20 milhões, cujo edital a Folha detalhou na reportagem sobre o viaduto na MG-230. Os demonstrativos não explicam por que a previsão de 2026 ficou tão acima do que foi gasto em 2025.
A maior parte vai para salários
O Relatório de Gestão Fiscal (RGF) da própria Câmara, do segundo quadrimestre de 2026, mostra R$ 9,72 milhões em despesa com pessoal nos 12 meses até agosto. Desse total, R$ 8,54 milhões são vencimentos e vantagens, incluídos os subsídios dos vereadores e os salários dos servidores, e R$ 1,18 milhão são encargos patronais. Nos meses comuns, a folha fica entre R$ 657 mil e R$ 772 mil, e passou de R$ 1 milhão em três meses do período.
Esse gasto com pessoal equivale a 1,34% da receita corrente líquida do município, de R$ 722,5 milhões. A Lei de Responsabilidade Fiscal permite que o Legislativo municipal chegue a 6%, o que daria R$ 43,3 milhões. A Câmara de Patrocínio, portanto, está bem abaixo do limite legal.
Alpha for MenO que Gleidson Azevedo propôs
Em entrevista no fim de outubro, Gleidson Azevedo disse que pretende defender na Câmara dos Deputados o fim das Câmaras Municipais e, com elas, do cargo de vereador. No lugar, sugeriu órgãos técnicos parecidos com os tribunais de contas para fiscalizar as prefeituras. Ele citou como exemplo a previsão de cerca de R$ 40 milhões para a Câmara de Divinópolis em 2027. A Folha já mostrou outras promessas dele para o mandato na reportagem sobre Gleidson Azevedo e o “tesouraço”.
A Associação das Câmaras Municipais de Minas Gerais (ACAM) divulgou nota de repúdio no sábado (31). O texto, assinado pelo presidente da entidade, lembra que as Câmaras exercem funções previstas na Constituição Federal e diz que problemas de gasto devem ser corrigidos sem eliminar a representação legislativa. No domingo (1º), o deputado eleito publicou um vídeo em que pede perdão aos vereadores, mas mantém as críticas à produtividade dos Legislativos e às emendas impositivas, que obrigam a Prefeitura a executar indicações de vereadores no orçamento.
Dá para acabar com a Câmara?
Não por lei comum. A Constituição prevê o Legislativo municipal no artigo 29 e, no artigo 31, entrega à Câmara a fiscalização da Prefeitura, com o auxílio do Tribunal de Contas do Estado. Extinguir as Câmaras exigiria uma proposta de emenda à Constituição, com três quintos dos votos em dois turnos na Câmara dos Deputados e no Senado. Mudanças no sistema eleitoral também estão em discussão em Brasília, como mostra a reportagem sobre o voto distrital misto.
Para conferir os números de Patrocínio, os relatórios do RREO e do RGF ficam disponíveis no Siconfi, do Tesouro Nacional, e no Portal da Transparência da Câmara. O desempenho dos candidatos a deputado federal na cidade está em deputado federal em Patrocínio, e outras notícias do município estão na seção Patrocínio.
Este texto foi redigido com apoio de inteligência artificial, a partir da pauta, das fontes e das regras do editor-chefe. Saiba mais em Como usamos inteligência artificial.






