Gleidson Azevedo, irmão de Cleitinho, diz que será o primeiro a votar a favor se houver impeachment de Lula
O deputado federal eleito pelo Republicanos criticou o Prospera MEI e a escala 6x1. Nenhum pedido foi apresentado, e o rito exige 342 votos na Câmara.

Gleidson Azevedo, deputado federal eleito por Minas Gerais e irmão do governador eleito Cleitinho Azevedo, disse nesta terça-feira (27) que será o primeiro a votar a favor se houver um pedido de impeachment contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2027. A fala foi publicada em vídeos nas redes sociais do parlamentar, do Republicanos, e nenhum pedido desse tipo foi apresentado até agora.
A imagem de destaque é uma montagem: um quadro do vídeo do deputado com um adesivo “Fora Lula” acrescentado pela Folha. O adesivo é um elemento gráfico e não aparece como foi colocado no vídeo original.
O que o deputado eleito disse sobre o impeachment
Em um dos vídeos, Gleidson afirmou que, se houver um impeachment de Lula no ano que vem, será o primeiro a votar a favor. Em outro, previu que a direita terá maioria na Câmara e no Senado a partir de 2027 e que a oposição conseguirá barrar propostas do governo. Ele também aderiu ao discurso de “fora, Lula”, que ganhou força entre apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro e do candidato derrotado Flávio Bolsonaro (PL).
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Corpo e Alma MotelSeu momento, com toda a discrição.É preciso separar o que é declaração de intenção do que é fato jurídico. Gleidson não protocolou nenhum pedido de impeachment, e a Folha não encontrou notícia de pedido apresentado contra Lula depois da reeleição. O que existe é um parlamentar que ainda nem tomou posse dizendo como votaria numa hipótese. O mandato dele só começa em 1º de fevereiro de 2027.
O que ele criticou no governo Lula
O deputado eleito também atacou duas promessas de campanha do presidente. Sobre o Prospera MEI, programa que prevê apoio de até R$ 5 mil para investimentos de microempreendedores, ele disse que os benefícios aos pequenos empresários serão inferiores a R$ 400. A Folha não conferiu esse número em fonte oficial, e ele deve ser lido como a opinião do parlamentar.
Sobre o fim da escala 6×1, Gleidson afirmou que nem todos os trabalhadores terão a jornada reduzida, porque a proposta prevê exceções para atividades que exigem regulamentação específica. Os dois temas devem voltar ao Congresso no próximo ano, quando o novo governo e a nova legislatura começam a trabalhar juntos, e é ali que a oposição pretende medir força.

Como funciona um pedido de impeachment de presidente
O processo é regido pela Lei 1.079, de 1950, e pela Constituição. Qualquer cidadão pode apresentar uma denúncia por crime de responsabilidade à Câmara dos Deputados. Cabe ao presidente da Câmara decidir se dá andamento ao pedido ou se o arquiva. Se aceitar, o caso passa por uma comissão especial e depois ao plenário.
Alpha for MenPara o processo ser autorizado, são necessários os votos de dois terços dos deputados, ou 342 dos 513. Só então o caso segue ao Senado, que julga o presidente e precisa de 54 dos 81 votos para condená-lo. Isso significa que a frase de um único deputado, por mais enfática que seja, depende de uma maioria muito ampla para sair do campo da retórica. Também significa que a decisão inicial de aceitar ou não um pedido está nas mãos de quem presidir a Câmara a partir de fevereiro, o que ainda será definido na eleição interna da Casa.
Quem é Gleidson Azevedo
Gleidson tem 44 anos, nasceu em Divinópolis e trabalhou no comércio da família antes de entrar na política. Foi eleito prefeito da cidade em 2020, pelo PSC, e reeleito em 2024, já pelo Novo, com 83.298 votos. Renunciou ao cargo em março de 2026 para disputar uma vaga na Câmara pelo Republicanos e foi eleito com 126.248 votos, cerca de 1,10% dos válidos. É a estreia dele no Legislativo federal.
O irmão gêmeo, Cleitinho, foi eleito governador no primeiro turno com 55,41%, como a Folha mostrou na reportagem sobre a eleição de Cleitinho em Minas. Os votos de Gleidson o colocam entre os 53 eleitos do estado, lista que a Folha detalhou em Deputados federais de Minas: os 53 nomes, por votos.
O que a fala diz sobre o momento político
A declaração chega dois dias depois do segundo turno, em que Lula foi reeleito. O presidente já tem na mesa questões que dependem do Congresso e de acordos políticos, como o debate sobre o indulto a Bolsonaro e a conta da dívida de Minas, de R$ 179,3 bilhões. Cleitinho, o irmão de Gleidson, esteve ao lado de Flávio na motociata de Belo Horizonte, na véspera da votação.
O que acompanhar daqui para a frente é objetivo: se algum cidadão ou partido protocolar um pedido de impeachment, quem presidirá a Câmara em 2027 e se a oposição reunirá os 342 votos que o rito exige. Por ora, a fala de Gleidson é um sinal político, e não um passo do processo. A Folha atualiza esta reportagem se houver pedido formal ou resposta do governo.
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