Lula leva 72% dos votos nos presídios, e o “vote em mim, Bolsonaro” do debate vira placar
O levantamento soma menos de 11 mil votos em seções de presídios, e Lula ficou com perto de três quartos. É menos de 0,01% dos votos válidos do país.

Lula (PT) teve cerca de 72% dos votos nas seções eleitorais de presídios no segundo turno, segundo um levantamento feito a partir de dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Flávio Bolsonaro (PL) ficou com cerca de 28%. Os votos nos presídios viraram assunto de debate depois que o presidente reeleito respondeu ao rival em tom de provocação: “Vote em mim, Bolsonaro”.
O número rende manchete, mas pesa pouco na urna: são menos de 11 mil votos, em um país com cerca de 124 milhões de votos válidos.
Os votos nos presídios no segundo turno
O levantamento aponta 72,3% para Lula, com 7.015 votos, e 27,6% para Flávio, com 2.298 votos. Há uma incoerência que vale registrar: com esses números absolutos, a proporção seria de cerca de 75% a 25%, e não de 72% a 28%. Outro levantamento, também atribuído a dados do TSE, fala em aproximadamente 8,1 mil votos para Lula e 2,6 mil para Flávio, o que dá uma proporção parecida com a dos números absolutos. Até a publicação desta matéria, a Folha não localizou um consolidado oficial do TSE para as seções dos presídios. A conclusão segura é que Lula levou entre 72% e 76% desses votos, e que a conta exata ainda depende dos dados oficiais.
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Corpo e Alma MotelSeu momento, com toda a discrição.O quadro se repete em escala menor em Patrocínio (MG). Nos boletins de urna do segundo turno, na seção da Penitenciária Deputado Expedito de Faria Tavares, na zona rural, Lula teve 30 votos (76,9%) e Flávio, 9 (23,1%). Na cidade inteira, a conta é outra: como a Folha mostrou, Flávio ganhou em Patrocínio com 62,7%. No primeiro turno, a votação de Lula na penitenciária de Patrocínio chegou a 67,4%, com 31 dos 46 votos válidos. São seções pequenas, e cada voto pesa muitos pontos percentuais.

Quem vota nos presídios
No Brasil, só vota quem está preso provisoriamente, isto é, quem ainda não tem condenação definitiva, além de adolescentes em medida socioeducativa. O TSE habilitou cerca de 12,8 mil eleitores nessa condição para o segundo turno. A seção só é instalada na unidade quando há pelo menos 20 eleitores aptos. Estar preso provisoriamente não é condenação: vale a presunção de inocência até o trânsito em julgado.
A lei antifacção, sancionada neste ano, prevê que quem está sob custódia não pode votar. O TSE decidiu, por unanimidade, que essa regra não vale para as eleições de 2026, com base no princípio da anualidade eleitoral, que está no artigo 16 da Constituição. Quem já tem condenação definitiva, como é o caso do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), pai de Flávio, não pode votar. A Folha explicou o que a lei muda em outras frentes, como o auxílio-reclusão na lei antifacção.
Alpha for MenComo o assunto virou provocação
Segundo a cobertura do debate, Flávio levantou o desempenho de Lula entre os presos, e o petista respondeu com deboche. Disse que gostaria de ter 100% dos votos dos presos, inclusive o de Jair Bolsonaro, e arrematou com o “Vote em mim, Bolsonaro”. A discussão teve data e emissora relatadas de formas diferentes pela imprensa, e por isso a Folha não fixa nenhuma das duas. O que se sabe é que a frase correu as redes junto com o número.

O peso real dos votos nos presídios
No resultado nacional, Lula foi reeleito com 51,79% dos votos válidos, cerca de 64,2 milhões, contra 48,21% de Flávio, cerca de 59,8 milhões. A diferença entre os dois é de 4,4 milhões de votos. Os votos das seções de presídios somam menos de 11 mil, o que representa menos de 0,01% dos votos válidos do país. A vantagem de Lula nessas seções, de cerca de 5 mil votos, equivale a pouco mais de 0,1% da diferença nacional.
O recorte rende manchete, meme e provocação, mas não muda o resultado. Quem acompanhou a apuração em tempo real viu a eleição se decidir nos grandes colégios eleitorais. A Folha atualiza esta matéria sobre os votos nos presídios se o TSE divulgar o consolidado oficial dessas seções.
Este texto foi redigido com apoio de inteligência artificial, a partir da pauta, das fontes e das regras do editor-chefe. Saiba mais em Como usamos inteligência artificial.






