Flávio nos EUA? Fonte do governo Trump diz que ele está a caminho, mas ninguém confirma
Fonte americana disse à Reuters que o senador está a caminho do país. Casa Branca, PF e Flávio não confirmam, e a Argentina nega que ele tenha entrado.

Flávio nos EUA: uma fonte do governo americano disse à agência Reuters, na terça-feira (27), que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) está a caminho do país. A informação veio de uma pessoa sem nome, e até esta publicação nenhuma autoridade confirmou a viagem em declaração oficial: nem a Casa Branca, nem o Departamento de Estado, nem a Polícia Federal (PF), nem o próprio senador.
O que a fonte americana disse
Segundo a Reuters, o relato partiu de uma fonte ligada ao governo do presidente Donald Trump, que pediu para não ser identificada. Ela afirmou que Flávio está a caminho dos Estados Unidos. A agência também informou que as duas filhas do senador faltaram à aula em Brasília, um sinal de que a família pode ter viajado junto, mas isso é uma inferência e não foi confirmado por ninguém da família. Aliados do senador, ouvidos por outros veículos, falam em chegada a Miami ou Dallas e em pedido de asilo, sempre sem assumir o nome.
Uma fonte anônima não é uma confirmação oficial. A Folha trata a informação como o que ela é: um relato atribuído, de alta relevância, que ainda precisa de uma palavra pública do governo americano, da PF ou do senador para virar fato.
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O que já está confirmado
Há dois fatos sólidos nessa história. O primeiro é que Flávio não entregou os passaportes no prazo de 24 horas dado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e que a PF cancelou o passaporte comum e o diplomático no sistema. A Folha detalhou o caso na reportagem sobre o prazo vencido dos passaportes. O segundo é que a decisão de Moraes proibiu o senador de deixar o país, no inquérito em que ele e o advogado Willer Tomaz são investigados por suspeita de lavagem de dinheiro. Investigação não é condenação.
O Código de Processo Penal prevê, no artigo 320, que a proibição de deixar o país seja comunicada a quem fiscaliza as saídas e que o investigado entregue o passaporte em 24 horas. Descumprir uma medida cautelar pode levar o juiz a trocá-la por outra mais dura. Qualquer decisão nesse sentido, no caso de um senador, caberia ao Supremo.
O que ainda não bate
A PF não identificou passagem de Flávio por ponto regular de controle migratório, mas admite que a fronteira terrestre pode ser cruzada sem fiscalização. O governo argentino informou, em nota, que ele não entrou na Argentina e não pediu asilo no país, segundo reportagens. A história do jatinho em Puerto Iguazú está na reportagem Flávio saiu do Brasil?. Pela manhã, o coordenador da campanha, senador Rogério Marinho (PL-RN), disse que Flávio “não saiu”. Horas depois, aliados passaram a dizer que não conseguiam falar com ele.
O resumo é incômodo para todas as versões: quem diz que ele saiu não mostra prova pública, quem diz que ficou também não mostra, e a única voz que poderia resolver a dúvida em segundos, a do próprio senador, segue calada. A Folha reuniu a versão dos aliados na reportagem Flávio a caminho dos EUA, dizem aliados, e esta nova matéria acrescenta o que a fonte americana disse.
Alpha for MenPor que a palavra de Washington pesa
Um pedido de asilo é feito ao país de destino, e a decisão de aceitar ou recusar é do governo americano. Por isso uma confirmação, ou uma negativa, vinda de Washington teria mais peso do que qualquer relato de aliado. A Folha não encontrou, até agora, manifestação pública da Casa Branca nem do Departamento de Estado. Reportagens também afirmam que o irmão do senador, Eduardo Bolsonaro, que vive nos Estados Unidos, deve encontrá-lo na Flórida na quarta-feira (28), mas essa previsão é de aliados e não foi confirmada.
A conversa sobre uma saída do país tem antecedente. Antes da eleição, Eduardo disse que seria favorável a que o irmão deixasse o Brasil se perdesse, como a Folha mostrou em Flávio vai deixar o Brasil?. O senador também tem proximidade com o entorno de Trump, como mostra a reportagem sobre o conselheiro de Trump que divulgou o discurso de Flávio em inglês.
O que acompanhar nas próximas horas
Quatro respostas decidem o caso: se Flávio confirma onde está, se a PF divulga nota sobre a saída, se Moraes toma nova decisão por causa do descumprimento e se o governo americano se manifesta em nome próprio, sem o anonimato. Um encontro com Eduardo na Flórida seria um sinal público, mas por ora é só previsão. A Folha atualiza esta reportagem quando houver manifestação oficial.
Leia também: Dino manda PF investigar interferência estrangeira na eleição. Mais notícias de política estão na página da editoria.
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