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Nacional

Prefeita de Conceição do Jacuípe é acusada de demitir servidora por apoiar Lula; prefeitura nega

Ex-servidora diz que perdeu o cargo ao declarar apoio a Lula. A prefeitura fala em caso isolado de desrespeito à autoridade e afirma que a prefeita é eleitora do presidente.

Tânia Yoshida em foto de arquivo, imagem sobre a prefeita de Conceição do Jacuípe
Tânia Yoshida em foto de arquivo, imagem sobre a prefeita de Conceição do Jacuípe

A prefeita de Conceição do Jacuípe, na Bahia, Tânia Yoshida (PSD), é acusada por uma ex-servidora de tê-la demitido por declarar apoio ao presidente Lula (PT) no segundo turno. A prefeitura nega a perseguição política: diz que a exoneração foi um caso isolado, provocado por desrespeito à autoridade da prefeita, e que ela própria é eleitora de Lula. A denúncia veio a público na quinta-feira (29), quatro dias depois do segundo turno, em 25 de outubro, e a resposta da prefeitura saiu na sexta (30).

Até este sábado (31), a Folha não encontrou nenhuma decisão do Ministério Público ou da Justiça Eleitoral sobre o caso. Também não achou nota de Tânia Yoshida em nome próprio, só o texto divulgado pela prefeitura. O que existe, por enquanto, é a palavra de uma ex-funcionária que não quis se identificar contra a versão oficial da administração.

Tânia Yoshida, prefeita de Conceição do Jacuípe, em foto de arquivo ao lado de uma urna eletrônica
Tânia Yoshida (PSD), prefeita de Conceição do Jacuípe (BA), em foto de arquivo. Foto: Reprodução

O que diz a ex-servidora sobre a demissão

Segundo o relato, a prefeita teria chamado funcionários comissionados para conversas particulares e sugerido que votassem em Flávio Bolsonaro (PL), o que seria “o melhor” para o município e para o grupo político dela. A ex-funcionária afirma que, ao dizer à prefeita que apoiava Lula, ouviu que estava demitida.

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A exoneração foi publicada no Diário Oficial do Município na segunda-feira (26), um dia depois da votação. A ex-servidora conta ainda que passou a ser cobrada e exposta por radialistas da região, que a trataram como traidora. A reportagem que levou o caso a público diz ter recebido documentos que apontam a saída de pelo menos um servidor por “desavenças ideológico-partidárias”. A Folha não teve acesso a esses papéis, e o cargo ocupado pela ex-servidora não foi informado.

A prefeita apoiou publicamente o ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil) para o governo da Bahia, em agosto.

A nota da prefeitura sobre a prefeita de Conceição do Jacuípe

Em nota, a administração diz que a acusação “não procede” e nega que servidores tenham sido exonerados por motivação ou perseguição político-partidária. O texto reconhece uma exoneração, descrita como “um episódio pontual”, que teria relação com desrespeito à autoridade da prefeita e não com a preferência eleitoral da ex-servidora.

Segundo a prefeitura, o episódio aconteceu durante a sessão solene de 20 de outubro, que celebrou os 65 anos de emancipação política do município. A nota afirma que Tânia Yoshida é eleitora de Lula e do ex-governador Rui Costa (PT) e que ela “não persegue pessoas por suas convicções políticas”. Também diz que declarações de radialistas locais são opiniões pessoais e que ninguém foi autorizado a falar em nome da prefeita.

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A nota não informa o que a servidora teria feito na sessão, nem se o ato foi registrado, nem quantas exonerações a gestão publicou desde o dia 26. Não há, portanto, como confirmar de forma independente nenhuma das duas versões.

Exonerar um comissionado não é crime em si

Cargo em comissão é de livre nomeação e exoneração, como prevê o artigo 37 da Constituição. Se a ex-servidora ocupava um cargo assim, o que não foi informado, a prefeita poderia demiti-la sem apresentar motivo. O que pode virar problema na Justiça é a razão alegada: se ficar provado que a demissão ocorreu para punir um voto ou obrigar alguém a votar em determinado candidato, o caso passa a ser de assédio eleitoral, tratado pelo Código Eleitoral quando há violência ou grave ameaça para coagir o eleitor.

Uma demissão depois de eleição não prova perseguição, e um desentendimento pessoal com a chefe também não afasta, sozinho, a hipótese de ameaça. Quem decide é o Ministério Público, se abrir investigação, e depois a Justiça, com depoimentos, o contexto da exoneração e eventuais mensagens ou áudios.

Casos parecidos pelo país depois do segundo turno

A denúncia entra num cenário de queixas em todo o país. A Folha mostrou que o Ministério Público do Trabalho recebeu 1.459 denúncias de assédio eleitoral entre 26 e 29 de outubro, e que uma liminar mandou a Meta tirar do ar publicações que incentivavam demitir por voto. O caso está em Demissão por voto: o amor está no ar, mas por pouco tempo, e a Justiça.

Em Patrocínio, circulou nesta semana um áudio atribuído a um empresário que fala em demitir por voto, e a polícia e a OAB deram orientações sobre as listas de boicote, como a Folha detalhou em Lista de boicote em Patrocínio. Nos dois casos, a apuração depende de quem registra a denúncia e de provas.

O que falta saber

Falta saber se alguém vai formalizar a denúncia no Ministério Público, se a prefeitura vai mostrar o que motivou a exoneração, e se outros servidores da cidade vão contar casos semelhantes. A Folha não identifica a ex-servidora, que não se apresentou, e atualiza esta reportagem se a prefeita, o Ministério Público ou a Justiça Eleitoral se manifestarem.

Este texto foi redigido com apoio de inteligência artificial, a partir da pauta, das fontes e das regras do editor-chefe. Saiba mais em Como usamos inteligência artificial.

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