Split payment e a diarista: Raul Sena prevê protestos, mas o calendário prevê início em 2027 e só entre empresas
Em corte de podcast, o influenciador diz que a ferramenta é "100 vezes maior que o Pix". A venda ao consumidor final não tem data, e a Receita nega imposto sobre o Pix.

O split payment e a diarista viraram assunto depois que o influenciador de finanças Raul Sena disse, num corte de podcast que se espalhou pelas redes nesta semana, que a nova forma de recolher imposto vai levar gente às ruas. “O sistema é 100 vezes maior que o Pix”, afirmou. Para ele, quando a ferramenta começar a valer, “não vai ficar pedra sobre pedra nesse país”. O calendário divulgado até agora, porém, prevê o início só no segundo semestre de 2027, de forma opcional e apenas nos pagamentos entre empresas.
A fala é previsão e opinião do autor, que não apresenta números nem estudos no trecho. A lei e o cronograma em teste contam outra parte da história.
O que Raul Sena disse
No vídeo, de menos de um minuto, Sena compara o tamanho da mudança com outros temas do noticiário e diz que o split payment vai atingir “mais gente do que eles estão achando”, citando a diarista como exemplo. “Aí você vai ver protesto. Agora o pessoal vai pra rua”, disse.
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Corpo e Alma MotelSeu momento, com toda a discrição.Ele critica o uso de dados oficiais no planejamento da reforma. Segundo ele, esses números não enxergam a economia informal, e por isso o governo estaria subestimando o efeito. Sena também liga o tema a outros aumentos de carga, como a tributação de dividendos, e resume o clima com uma imagem: “Política é panela de pressão”. Para ele, “a galera tá perdendo a paciência”.
O que é o split payment
O split payment é o jeito de recolher os dois tributos novos da reforma tributária, a CBS, federal, e o IBS, de estados e municípios. Ele está na Lei Complementar 214/2025. Quando uma empresa paga outra, o banco ou a instituição de pagamento separa a parte do imposto e manda direto ao governo. Só o valor líquido cai na conta de quem vendeu.
Hoje, a empresa recebe o valor cheio e paga o imposto depois, no vencimento da guia. Com o split payment, esse dinheiro deixa de ficar no caixa por algumas semanas. Os créditos das compras continuam abatendo o imposto devido. A Folha detalhou o calendário do split payment em 2027, com as datas previstas para Pix, TED e boleto.

O split payment e a diarista: o que está previsto
Pelo cronograma que circula entre as instituições que desenvolvem a ferramenta, o uso começa com pilotos em março de 2027 e fica disponível para todas as empresas em agosto (Pix com chave, Pix com QR Code estático, TED e TEF) e em outubro (boleto e Pix com QR Code dinâmico). Nos primeiros anos, o uso deve ser opcional. A Receita Federal e o Comitê Gestor do IBS ainda não publicaram o ato com essas datas.
Alpha for MenEsse calendário vale para operações entre empresas que emitem nota com os tributos novos. A venda ao consumidor final não tem data prevista, e cartão de crédito e de débito ficam fora da estrutura inicial. O pagamento que uma família faz por Pix à diarista, pessoa física, não está entre as operações desse cronograma.
Desde 15 de outubro de 2026, a plataforma está em testes com algumas instituições de pagamento, em ambiente controlado e sem recolher imposto de verdade.
Imposto sobre o Pix não existe
A confusão entre split payment e “imposto sobre o Pix” não é nova. A Receita Federal já publicou orientação contra notícias falsas sobre Pix e tributação: não há tributo sobre transferências, e a Constituição não autoriza imposto sobre movimentação financeira. O Pix é só o meio de pagamento. O que o split payment muda é o momento em que o imposto da venda é recolhido, não o valor que o consumidor paga no caixa.
Em 2026, as notas fiscais já trazem CBS de 0,9% e IBS de 0,1%, em caráter de teste e sem cobrança efetiva. A troca dos tributos atuais pelos novos é gradual e vai até 2033. A alíquota final ainda é alvo de disputa, e a Folha mostrou por que o Brasil pode ter o maior IVA do mundo e o que o TCU calculou para a alíquota da CBS.
A disputa política em torno da ferramenta
O split payment entrou na campanha presidencial. Em 8 de outubro, Flávio Bolsonaro (PL) disse que retiraria o mecanismo da reforma se fosse eleito. Tributaristas lembraram que isso só seria possível com uma nova lei complementar, aprovada pelo Congresso. Lula (PT) venceu o segundo turno, em 25 de outubro, com 51,79% dos votos válidos, e o cronograma segue mantido. A campanha de Flávio também prometeu o Vira Pix, que a Folha comparou com o cashback da CBS que já está na lei.
O efeito no caixa de algumas empresas é concreto. Prestadores de serviço que vendem a outras empresas, recebem à vista e têm poucos créditos para abater, porque salário não gera crédito, vão sentir a perda de caixa. A previsão de que a ferramenta vai alcançar a diarista e provocar protestos no primeiro mês, no entanto, não tem respaldo no calendário divulgado até agora. Esta reportagem será atualizada quando a Receita Federal e o Comitê Gestor publicarem o ato oficial.
Este texto foi redigido com apoio de inteligência artificial, a partir da pauta, das fontes e das regras do editor-chefe. Saiba mais em Como usamos inteligência artificial.




