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Opinião

O mundo em 2027 em 12 fatias: o que cada mês pode trazer

Cortei uma ilustração sobre o mundo em 2027 em 12 fatias, uma por mês, e li símbolo por símbolo: guerra, clima, vigilância, dinheiro e liberdade.

O mundo em 2027: ilustração circular com punho, foguete, navio, urna, cúpula e um bolo de aniversário com velas
O mundo em 2027: ilustração circular com punho, foguete, navio, urna, cúpula e um bolo de aniversário com velas

Por Eric Fernando, redator-chefe da Folha de Patrocínio. Artigo de opinião: o texto expressa a leitura do autor, não uma previsão nem a posição de terceiros.

Uma ilustração sobre o mundo em 2027 passou por mim nas redes, e eu fiquei olhando para ela mais tempo do que gostaria de admitir. É um círculo cheio de símbolos desenhados à mão: punho, foguete, navio, vírus, urna, cúpula, passaporte, fogo, robô. No meio, um bolo de aniversário com velas acesas. Pensei a mesma coisa que muita gente deve ter pensado: o mundo está em chamas e alguém resolveu fazer festa.

Em vez de só comentar o desenho inteiro, fiz o que uma pizza pede: cortei em 12 fatias, uma para cada mês, como um relógio que começa em janeiro às 12h e anda no sentido horário. Cada fatia pega os símbolos que caem dentro dela. O corte é meu, e a leitura também. Pode discordar, que é para isso que existe a seção de opinião.

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O mundo em 2027 dividido em 12 fatias, uma para cada mês, de janeiro a dezembro, sobre a ilustração circular
As 12 fatias, como um relógio que começa em janeiro às 12h: cada mês pega os símbolos que caem dentro dele. Divisão feita pela Folha sobre a ilustração. Imagem: Reprodução

Janeiro: o mundo acende o pavio

Na fatia de janeiro ficam o globo rachado, o raio e o foguete. Para mim, é o ano começando com a mesma pergunta de sempre: onde vai estourar a próxima tensão entre potências. O que mais me incomoda é a surpresa de mentirinha. Todo ano o noticiário trata um conflito como novidade, quando o pavio já vinha aceso desde o outono.

Fevereiro: o navio e a balança

Aqui estão o satélite, o navio de contêineres e a balança da justiça. Leio como comércio e regra: quem carrega, quem cobra e quem decide o que pode atravessar a fronteira. Patrocínio sabe bem o que é isso, porque o café daqui embarca para o mundo, como a Folha mostrou em Café para os EUA sobe 86% em setembro e americanos voltam à liderança. Basta um navio atrasar ou uma tarifa mudar para a conta chegar no produtor.

Março: fogo, torneira e cruz vermelha

A onda gigante termina em março, e junto vêm o incêndio, a torneira pingando e a cruz da saúde. O mesmo planeta que pega fogo fica sem água no cano, e o hospital recebe a conta dos dois. Não preciso de gráfico para achar isso plausível. Basta olhar a cor do pasto no fim da seca.

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Abril: o dedo, o cadeado e o chip

Impressão digital, cadeado e a placa “AI” dividem a fatia de abril. É a vigilância vendida como conforto. A gente entrega o dedo, o rosto e a localização por um desconto na farmácia e depois reclama de ser observado. A lei existe, e vale ler a Lei Geral de Proteção de Dados antes de clicar em “aceitar”. A inteligência artificial também fabrica mentira com cara de verdade, como mostrou o levantamento sobre deepfakes nas eleições de 2026.

Maio: a urna, a seca e o remédio

A urna aparece na divisa entre abril e maio, rodeada de terra rachada e comprimidos espalhados. A provocação é minha: todo candidato promete resolver tudo na campanha, mas a seca e o preço do remédio não leem plano de governo. Voto importa, e muito. Só que ele não substitui o trabalho diário de quem administra, e é bom lembrar disso a cada eleição.

Junho: a mala e a seringa

A mala vermelha e a seringa dividem a fatia de junho. Leio como a volta das viagens e a volta das doenças que viajam junto. Tenho opinião firme aqui: a confiança em vacina caiu por modismo e desinformação, e a conta dessa escolha chega mais cedo ou mais tarde. Carteira de vacinação em dia é o item mais barato da bagagem.

Julho: a cúpula da classe média

No meio do ano estão a cúpula com a família embaixo, as moedas (euro, dólar e iene) e os prédios ao fundo. É a fatia que mais me parece com o brasileiro comum: paga plano de saúde, escola, seguro e aluguel para se manter debaixo de uma cúpula que não é grossa. A inflação mostra isso no mercado, como no caso do tomate em Inflação de setembro: tomate sobe 37,76% e energia pesa mais. Custo de vida come mais salário do que qualquer discurso.

Agosto: o passaporte e o avião

Passaporte e avião ocupam agosto. É a fatia das fronteiras, da migração e de quem foge ou viaja por escolha. Minha crítica é curta: o mundo abre as portas para o dinheiro e as fecha para gente, e chama isso de ordem. Quem acha o contrário precisa explicar por que o capital circula sem visto.

Setembro: a multidão e o gráfico em queda

A multidão com cartazes e o gráfico descendo moram em setembro. Protesto virou rotina e, por isso mesmo, corre o risco de virar paisagem. O difícil não é encher a rua, é achar alguém do outro lado disposto a ler o cartaz com a cabeça aberta. E a economia, ao fundo, não pergunta para que lado você marchou.

Outubro: calor, robô e vento

Termômetro no vermelho, turbinas eólicas, um robô com tablet e o vírus ao lado. Outubro junta calor, tecnologia e doença. A parte que mais me interessa é o robô: a inteligência artificial vai chegar na cadeira de muita gente antes de chegar no discurso dessa gente sobre ela. Quem jura que o seu emprego é intocável deveria testar a ferramenta uma semana, só para ver o que ela já faz.

Novembro: painéis solares e uma seta vermelha

Os painéis solares e a seta vermelha subindo ficam em novembro, com o drone por cima. A seta tem dois sentidos: pode ser lucro ou preço, e depende de qual lado do balcão você está. A energia é o assunto de fundo, e a conta de luz muda de regra a partir de 2027, como a Folha explicou em reportagem. Entender a fatura virou tarefa de cidadão.

Dezembro: o punho e o bolo

Dezembro fecha o relógio com o punho quebrando a corrente e o bolo com as velas de 2027. Eu gosto de ler as duas coisas juntas: liberdade e festa. Só que corrente não se quebra sozinha, e festa sem conta paga vira ressaca em janeiro.

Bolo ou cúpula?

Voltando ao começo, a ilustração mostra duas respostas possíveis para um ano cheio de risco. Uma é o bolo, a celebração por cima do problema. A outra é a cúpula, o abrigo de quem se protege com os seus. Para mim, a primeira é a mais honesta, porque admite que o mundo continua em festa mesmo quando não deveria. A segunda é a mais humana, porque foi a única cena desenhada em escala de gente. Se for para escolher uma, fico com a cúpula, mas só se alguém se lembrar de fazê-la mais grossa.

Este texto foi redigido com apoio de inteligência artificial, a partir da pauta, das fontes e das regras do editor-chefe. Saiba mais em Como usamos inteligência artificial.

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