Café para os EUA sobe 86% em setembro e americanos voltam à liderança
Boletim do Cecafé mostra 625 mil sacas embarcadas aos americanos em setembro, mas a receita do país com café caiu 7,1% no mês por causa da qualidade e dos preços.

As vendas de café para os EUA subiram 86,4% em setembro e os americanos voltaram à liderança entre os compradores do café brasileiro. O Brasil embarcou 3,894 milhões de sacas de 60 kg no mês, 3,1% a mais que as 3,778 milhões de setembro de 2025, segundo o boletim mensal do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), divulgado nesta sexta-feira (9).
O café para os EUA somou 625.192 sacas de todos os tipos em setembro, contra 335.339 um ano antes. Para quem planta e vende café em Patrocínio, maior produtora do país segundo o IBGE, o número importa porque os EUA também lideram a compra dos cafés diferenciados, categoria em que o Cerrado Mineiro costuma competir.
Por que o café para os EUA voltou a crescer
O presidente do Cecafé, Márcio Ferreira, atribui a alta ao fim das incertezas com as tarifas. Segundo ele, os EUA retiraram em novembro de 2025 a taxação da maior parte do produto brasileiro, mas o café solúvel seguiu tarifado até julho deste ano. O trabalho das entidades do setor com a associação americana National Coffee Association e com o governo manteve a isenção dos cafés verdes nas novas investigações e incluiu o solúvel nas listas de exceção. Com o cenário mais claro, os negócios foram retomados.
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Corpo e Alma MotelSeu momento, com toda a discrição.O efeito aparece no acumulado do ano. Com a retomada das compras em agosto e setembro, os americanos passaram a Alemanha e voltaram ao primeiro lugar entre os destinos dos cafés brasileiros de janeiro a setembro. Levaram 3,805 milhões de sacas, o equivalente a 13,1% de tudo o que o país exportou, embora o volume ainda seja 12,8% menor que o do mesmo período de 2025.
Dinheiro não acompanhou o volume
Mais sacas no navio não trouxeram mais dinheiro. A receita cambial de setembro foi de US$ 1,282 bilhão, queda de 7,1% sobre um ano antes. No ano, de janeiro a setembro, o Brasil exportou 29,095 milhões de sacas, praticamente estável (-0,2%), mas a receita recuou 8,6%, de US$ 11,065 bilhões para US$ 10,113 bilhões.
Ferreira aponta duas causas. A primeira são as cotações internacionais mais baixas. A segunda é a qualidade dos primeiros lotes de arábica da nova safra, prejudicada pela chuva, principalmente em julho, que atrasou a colheita. Lote de qualidade menor vende por menos. Os canéforas (conilon e robusta), naturalmente mais baratos que o arábica, ganharam espaço nos embarques e puxaram para baixo o valor médio por saca.
O arábica ainda é o tipo mais exportado, com 20,739 milhões de sacas e 71,3% do total, mas o volume caiu 10,7% em relação aos nove primeiros meses de 2025. Os canéforas somaram 5,162 milhões de sacas (17,7%), alta de 68,3%. O café solúvel respondeu por 3,141 milhões de sacas (10,8%).
Alpha for MenCafés diferenciados perdem espaço
Os cafés de qualidade superior, com certificação de práticas sustentáveis ou considerados especiais, são o grupo que mais interessa ao Cerrado Mineiro. Eles representaram 17% das exportações brasileiras entre janeiro e setembro, com 4,950 milhões de sacas, queda de 16,3% na comparação anual. O preço médio ficou em US$ 408,07 por saca e a receita somou US$ 2,020 bilhões, 19,6% menos que em 2025, ou 20% de tudo o que o país faturou com café no período.
No segmento diferenciado o café para os EUA também lidera: compraram 813.829 sacas, 16,4% do total. Alemanha (548.961 sacas), Bélgica (531.215), Itália (460.012) e Países Baixos (285.897) completam a lista dos cinco maiores destinos.

Santos segue como principal porta de saída
O Porto de Santos continua na frente, com 20,573 milhões de sacas embarcadas nos nove meses, ou 70,7% do total. O complexo portuário do Rio de Janeiro vem em seguida, com 7,335 milhões de sacas (25,2%), e Paranaguá (PR) aparece com 312.128 sacas (1,1%).
O que muda para o produtor do Cerrado
Para o cafeicultor da região, o quadro tem dois lados. A retomada do café para os EUA devolve um comprador importante, e o próprio Cecafé projeta que a exportação deve crescer e superar o registrado em 2025 até o fim de 2026, conforme os cafés da nova safra chegam aos portos. Por outro lado, a receita menor mostra que o preço pago pelo lote depende cada vez mais da qualidade e da classificação do café entregue.
A Folha já havia mostrado, com dados da Secex, que o volume exportado em setembro foi o maior em 20 meses, e que a safra de 2026 é recorde no Cerrado Mineiro. O boletim do Cecafé mostra para onde esse café foi e quanto rendeu, e ajuda a entender por que a saca recuou em setembro mesmo com os navios cheios.
A Expocacer, cooperativa dos cafeicultores do Cerrado com sede em Patrocínio, divulga toda semana o boletim da colheita e das vendas na região, que a Folha acompanha.
Fontes: Cecafé (boletim estatístico mensal, divulgado em 09/10/2026, via Notícias Agrícolas) e IBGE (Produção Agrícola Municipal 2024).
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