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Safra de café bate recorde e Cerrado Mineiro colhe 86% a mais

Produtividade no Triângulo, Alto Paranaíba e Noroeste sobe de 24,4 para 40,5 sacas por hectare, mas a oferta maior mantém a cotação do arábica pressionada.

Pé de café arábica carregado de frutos amarelos sob o sol em lavoura do Cerrado Mineiro, safra de café 2026. Foto: Divulgação/Expocacer
Pé de café arábica carregado de frutos amarelos sob o sol em lavoura do Cerrado Mineiro, safra de café 2026. Foto: Divulgação/Expocacer

A safra de café de 2026 é a maior da série histórica da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), e o maior salto do país aparece no Cerrado Mineiro. A região do Triângulo, Alto Paranaíba e Noroeste de Minas, onde fica Patrocínio, deve colher 8,9 milhões de sacas de arábica neste ano, contra 4,77 milhões em 2025. A alta é de 86,5%, quase o dobro.

Os números estão no 3º levantamento da safra de café, divulgado pela Conab na quinta-feira (24). No Brasil inteiro, a estimativa chegou a 67,6 milhões de sacas de café beneficiado, 19,6% acima de 2025, com 99% da área já colhida. A Folha antecipou na terça-feira (22) que o boletim sairia nesta semana, num momento em que a saca do arábica caía a R$ 1.534 no mercado físico.

Safra de café do Cerrado Mineiro cresce mais que a média

O Cerrado Mineiro ganhou em área e, principalmente, em rendimento. A área em produção passou de 195,9 mil para 219,5 mil hectares, alta de 12%. A produtividade média foi de 24,4 para 40,5 sacas por hectare, um avanço de 66,5%. Nenhuma outra região de Minas chegou perto disso: o Sul e Centro-Oeste mineiro, maior polo do estado em volume, cresceu 32,1% e deve somar 15,93 milhões de sacas. A Zona da Mata, Rio Doce e Central subiu 21,3%, para 9,06 milhões.

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Somado, Minas Gerais deve colher 34,96 milhões de sacas de arábica, 38,9% a mais que em 2025. O estado responde sozinho por mais da metade do café do país. No arábica, espécie que representa cerca de 70% da produção nacional, a estimativa é de 48,2 milhões de sacas, alta de 34,8%.

O conilon foi para o lado oposto. A produção estimada caiu 6,6%, para 19,4 milhões de sacas, puxada pelo Espírito Santo, onde a florada irregular causada pelo frio derrubou o conilon capixaba em 14,3%.

Grãos de café maduros, vermelhos, em ramo de cafeeiro em lavoura associada à Expocacer, safra de café do Cerrado
Café maduro em lavoura do Cerrado Mineiro. Foto: Divulgação/Expocacer

Por que a lavoura rendeu tanto em 2026

A explicação começa na bienalidade. O cafeeiro arábica alterna um ano de carga alta com outro de carga menor, e 2026 é o ano de carga alta. Em 2025 a planta produziu pouco e recuperou reservas, que viraram fruto neste ciclo. A Conab também cita chuvas mais bem distribuídas antes da floração, clima favorável até março, o que ajudou a granação, e o uso crescente de tecnologia no manejo.

No Cerrado Mineiro, o caminho não foi tranquilo. Segundo o boletim, as primeiras floradas vieram com as chuvas de setembro de 2025, mas três semanas de seca em outubro fizeram parte das flores abortar. O Triângulo sofreu mais: é onde se concentram as áreas irrigadas, e muitos produtores não conseguiram irrigar em outubro e novembro por falta de água. O Alto Paranaíba, região de Patrocínio, passou por adversidades menores. A partir da segunda quinzena de dezembro, a chuva voltou mais volumosa e regular até o fim de março, e salvou a frutificação.

A mesma umidade trouxe problema, segundo o boletim. A cercosporiose apareceu forte na região, porque a adubação atrasou junto com as chuvas e as plantas ficaram desequilibradas. Muitos frutos caíram, embora já granados. A Conab avisa que a proporção de café de chão pode ficar acima do normal, o que pesa na qualidade. A ferrugem ganhou força a partir de março, com calor e umidade, e o solo encharcado adiou pulverizações preventivas. O uso de maturadores aumentou, em parte para adiantar a colheita e vender com cotação melhor.

O que a safra de café recorde muda para o produtor de Patrocínio

Patrocínio é o maior produtor de café do Brasil, segundo a Produção Agrícola Municipal do IBGE, e sede da Expocacer, a cooperativa que acompanha semana a semana a colheita na região. Para o cafeicultor daqui, o número da Conab confirma o que se viu no terreiro: muito café. A colheita chegou a 99% no Cerrado ainda em setembro.

O volume maior tem custo no preço. A própria Conab escreve que as cotações internacionais estão sob pressão de baixa com a entrada da safra brasileira, a colheita próxima no Vietnã e o aumento sazonal da produção da Colômbia. O órgão não espera queda expressiva, porque os estoques mundiais estão baixos e a demanda cresce na Europa, nos Estados Unidos, no Brasil e na China. As previsões de El Niño para 2026/27 também seguram os preços, já que podem prejudicar lavouras em vários países.

Na prática, o produtor do Cerrado tem mais sacas para vender num mercado que paga menos por cada uma. Por isso muitos vêm segurando a venda à espera de preço melhor. A exportação ajuda: em agosto, o Brasil embarcou 3,8 milhões de sacas, recorde para o mês e 43,2% acima de agosto de 2025, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. No acumulado do ano, ainda há queda de 6,6%.

Oferta e consumo no mundo

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) projeta produção mundial recorde de 189,7 milhões de sacas no ciclo 2026/27, alta de 6,1%. O consumo previsto é de 179,7 milhões de sacas, 3,6% acima do ciclo anterior. Com oferta acima do consumo, a cotação sofre pressão, mas o estoque baixo acumulado nos últimos anos limita a queda.

Com a florada de 2027 já em curso e a ameaça de El Niño no horizonte, a próxima safra de café do Cerrado vai depender de novo do regime de chuvas da primavera. O boletim completo, com os números por estado e região, está no site da Conab. O resumo oficial foi publicado pela Agência Gov.


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Retrato oficial do prefeito de Patrocínio, Gustavo Brasileiro
Gustavo Brasileiro, prefeito de Patrocínio. Foto: Prefeitura de Patrocínio/Divulgação

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