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Colheita do café trava em 99% no Cerrado e Nova York recua

Patrocínio registrou 34,3 mm em uma semana e o físico da Expocacer fechou a R$ 1.655 a saca, enquanto o contrato de dezembro caía a 278,15 centavos em Nova York.

Lavoura na reta final da colheita do café no Cerrado Mineiro ao pôr do sol
Lavoura na reta final da colheita do café no Cerrado Mineiro ao pôr do sol

A chuva que molhou os cafezais de Patrocínio na semana passada fez duas coisas ao mesmo tempo, e as duas aparecem no bolso do produtor. Parou as máquinas no fim da colheita do café e, do outro lado do mundo, ajudou a empurrar o arábica para baixo na bolsa de Nova York, onde o contrato de dezembro fechou nesta segunda-feira (21) a 278,15 centavos de dólar por libra-peso.

O relatório semanal da Expocacer, a Cooperativa dos Cafeicultores do Cerrado, divulgado nesta segunda, registrou 34,3 milímetros em Patrocínio entre os dias 10 e 16 de setembro. Monte Carmelo teve 44,5 mm, Araxá 40,5 mm e Serra do Salitre 30,2 mm. Com o campo encharcado, a colheita do café ficou nos mesmos 99% do volume projetado em que já estava na semana anterior. Do total colhido, 91% passou pelo beneficiamento.

Chuva parou as máquinas e deixou café no chão

O ponto mais sensível da colheita do café neste ano continua sendo o café de chão. Ele responde por cerca de 30% de todo o volume desta safra no Cerrado Mineiro, e 81% desse café já foi recolhido. É um número que nasceu justamente das chuvas fora de época que atingiram a região em agosto: o fruto maduro caiu antes de a colheitadeira passar, e recolher o que está no solo é trabalho mais lento e mais caro, com risco de perda de qualidade se o grão fica úmido por muito tempo.

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Fazenda de colheita do café no Cerrado Mineiro com lavoura, benfeitorias e mata nativa ao fundo
Lavoura de café no Cerrado Mineiro, região que tem Patrocínio como maior município produtor do país. Foto: Divulgação/Expocacer

O rendimento médio da colheita do café ficou em 455 litros por saca de 60 quilos, um dos melhores desempenhos das últimas safras na região, mesmo com a participação maior do café de chão. A projeção da cooperativa, que reúne mais de 800 produtores associados, segue em 2,8 milhões de sacas de arábica em 2026. A previsão para os próximos dias é de tempo mais seco, com 1,8 mm em Araxá, 1,4 mm em Serra do Salitre e máximas que podem chegar a 34 graus, o que deve liberar a retomada dos últimos trabalhos.

A chuva que atrapalha 2026 é a mesma que adianta a safra 2027

A confusão de datas engana quem olha só o calendário. A colheita do café de 2026 já tirou o grão do pé. O que a chuva de setembro está molhando é a flor, e florada boa em setembro significa safra grande em 2027. O levantamento anterior da Expocacer já havia apontado uma florada equivalente a 33% do potencial total da região, puxada pelas chuvas do fim de agosto e do início de setembro.

A consultoria Hedgepoint fez a mesma leitura em relatório publicado nesta segunda. A precipitação de setembro está acima da média dos últimos dez anos na maior parte das regiões cafeeiras do Brasil, com florada precoce observada tanto em arábica quanto em robusta. A analista de inteligência de mercado Laleska Moda escreveu que os estoques certificados seguem nos níveis mais baixos em décadas, mas que isso já não sustenta o preço diante do volume que está saindo do país.

Por que a colheita do café mexe na bolsa

O Brasil embarcou 4,16 milhões de sacas em agosto, recorde para um mês. O café verde respondeu por 3,8 milhões, alta de 31% em um ano; o arábica somou 2,8 milhões, avanço de 25,7%; e o conilon bateu recorde histórico com 953,5 mil sacas, 53,6% acima de agosto de 2025. Estados Unidos e Bélgica levaram mais de 500 mil sacas cada um. Em setembro o ritmo não caiu: a média diária de embarque de café verde chegou a cerca de 13,5 mil toneladas, 51,5% acima do mesmo período do ano passado.

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Ao mesmo tempo, grandes tradings estão preparando volumes de arábica brasileiro para certificação nos armazéns da ICE, o que tende a recompor os estoques que estavam no menor nível em duas décadas. No Vietnã o quadro é parecido: o país exportou 2,1 milhões de sacas de robusta em agosto, o maior número em sete anos, fechou a temporada 2025/26 com 27,7 milhões e deve chegar a 30,5 milhões em 2026/27. Com oferta assim nos dois maiores produtores do mundo, a bolsa recua mesmo com estoque curto. O contrato de março também caiu, a 269,65 centavos.

Em Patrocínio, o físico subiu no mesmo dia

O mercado físico não seguiu Nova York nesta segunda. No painel de cotações da Notícias Agrícolas, a saca de arábica tipo 6 duro negociada na Expocacer, em Patrocínio, apareceu a R$ 1.655,00, com alta de 2,16% no dia, a maior valorização entre as praças acompanhadas. Araguari ficou em R$ 1.600,00 e Varginha, no Sul de Minas, caiu 2,52%, a R$ 1.550,00.

O valor recupera parte do terreno perdido nas últimas semanas. Em 15 de setembro a Folha registrou a saca de Patrocínio a R$ 1.660, depois de uma queda de R$ 140 em quinze dias. E ajuda a explicar o comportamento que a reportagem apurou na semana passada: com o preço nesse patamar, boa parte do cafeicultor do Cerrado optou por travar a venda e segurar o café no armazém, apostando em recuperação antes de fechar negócio.

O Cerrado Mineiro tem hoje 19,4 mil hectares certificados em cafeicultura regenerativa pela cooperativa, que foi fundada em 1993 e mantém sede na Avenida Faria Pereira, em Patrocínio. O município é o maior produtor de café do Brasil, com 64.225 toneladas colhidas em 2024, segundo o IBGE.

Seminário do Café abre nesta terça na cidade

O 34º Seminário do Café, organizado pela Associação dos Cafeicultores da Região de Patrocínio, acontece de 22 a 24 de setembro, com solenidade de abertura na noite desta terça-feira, entre 19h e 21h. A programação reúne produtores, agrônomos e pesquisadores para discutir mercado, clima, produtividade e tecnologias biológicas, esta última em um simpósio próprio dentro do evento.

Com a colheita do café praticamente encerrada e a próxima safra ainda dependendo de como a florada vai se firmar, a discussão de mercado abre o seminário numa semana em que os dois assuntos estão em aberto. Os técnicos da cooperativa já recomendaram que os produtores antecipem o planejamento nutricional, sobretudo a distribuição de corretivos e o início das adubações, porque a florada veio mais cedo e adiantou o ciclo da lavoura. Mais informações sobre o levantamento semanal estão no site da Expocacer e nas cotações diárias da Notícias Agrícolas.

Outras matérias sobre o mercado do café na região estão na editoria de Cidade da Folha de Patrocínio.


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Retrato oficial do prefeito de Patrocínio, Gustavo Brasileiro
Gustavo Brasileiro, prefeito de Patrocínio. Foto: Prefeitura de Patrocínio/Divulgação

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