Prefeito de Barreiros acusa médicos de “namorar” no plantão, e sindicato diz que os dois estavam no descanso
Simepe afirma que a dupla descansava depois de 12 horas de atendimento, com um terceiro médico de plantão. A Prefeitura rompeu o contrato com a organização que geria o hospital.

O prefeito de Barreiros, Carlinhos da Pedreira (PP), entrou sem aviso no hospital municipal da cidade, na Mata Sul de Pernambuco, na noite de quarta-feira (4), e acusou dois médicos de estarem dormindo e “namorando” durante o plantão. O vídeo da abordagem se espalhou pelas redes. No dia seguinte, o Sindicato dos Médicos de Pernambuco (Simepe) contestou a versão: segundo a entidade, os dois estavam no horário de descanso, depois de 12 horas de atendimento, enquanto um terceiro médico seguia atendendo os pacientes.
O caso terminou com o rompimento do contrato da Prefeitura com a organização social que administrava o hospital. Até a noite deste sábado (7), os dois médicos e a entidade gestora não tinham se manifestado em público.
O que o prefeito de Barreiros diz ter encontrado
A visita aconteceu no Hospital Municipal Jailton Messias de Souza Albuquerque. Segundo a administração municipal, a fiscalização foi motivada por reclamações de moradores sobre a demora no atendimento. O prefeito afirma que três médicos estavam escalados para aquela noite e que só um deles estava atendendo.
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Corpo e Alma MotelSeu momento, com toda a discrição.Nas imagens, Carlinhos percorre os corredores acompanhado de assessores, chega à porta da sala identificada como “Estar Médico”, área de repouso da equipe, e cobra explicações dos dois profissionais que estavam ali. Ele fala alto, usa palavrões e anuncia que os médicos seriam retirados da unidade. Depois, na recepção, repete a sua versão aos pacientes que esperavam consulta e fala em negligência e abandono de plantão.

A resposta do sindicato dos médicos
O Simepe divulgou nota na noite de quinta-feira (5) e classificou a abordagem como “um ato de constrangimento público e exposição vexatória”. A entidade reconhece que fiscalizar o serviço público é dever da gestão, mas diz que humilhar trabalhadores e antecipar julgamentos não combina com a responsabilidade do cargo.
Sobre a acusação mais grave, o sindicato foi direto: “A presença de uma médica e de um médico em ambiente de repouso não autoriza insinuações de natureza íntima. As imagens divulgadas não demonstram o comportamento insinuado”. A nota também critica o que chama de desqualificação apoiada em estereótipos de gênero e no julgamento da vida privada das mulheres.
De acordo com o Simepe, os relatos recebidos indicam que os dois estavam em período de descanso, depois de intensa atividade nas primeiras 12 horas do plantão. Para a entidade, o repouso precisa ser organizado de modo que o atendimento continue, e usá-lo não caracteriza, por si só, abandono do serviço.
Alpha for MenO sindicato informou que vai pedir ao Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe) uma fiscalização no hospital, cobrou da Prefeitura esclarecimentos formais e uma retratação pública e disse que estuda medidas institucionais e jurídicas para proteger os profissionais.
Contrato com a organização social foi rompido
Também na quinta-feira (5), a Prefeitura de Barreiros publicou nota anunciando a rescisão do contrato de gestão nº 026/2024, firmado com a Associação João Paulo II, que cuidava da administração do hospital. O município passa a gerir a unidade diretamente, pela Secretaria Municipal de Saúde e pelo Fundo Municipal de Saúde, até o fim de um novo processo de licitação, que, segundo a Prefeitura, já está em andamento.
Na nota, a administração agradeceu à associação pelos serviços prestados e disse que a prioridade na transição é manter o hospital funcionando. O texto não liga oficialmente a rescisão à abordagem do prefeito, embora as duas coisas tenham acontecido com menos de 24 horas de diferença.
O que ainda não se sabe
Não há, até agora, apuração oficial sobre o que aconteceu na sala de repouso. A Prefeitura não informou se abriu procedimento administrativo contra os dois médicos nem se eles foram de fato desligados, e também não divulgou a escala do plantão daquela noite. O Cremepe não tinha divulgado o resultado de nenhuma fiscalização até a publicação desta reportagem.
O vídeo que circula registra a cobrança feita pelo prefeito durante a visita. Ele não mostra o que acontecia na sala de repouso antes de a comitiva chegar, e é justamente esse ponto que separa a versão da Prefeitura da versão do sindicato.
Leia também: a briga no carro-pipa que terminou com funcionária da Prefeitura envolvida em Luzilândia, no Piauí; o recado de Lula a ministros que não cumprirem prazos; e o ranking em que Patrocínio aparece em 10º no país em qualidade da saúde.
Os comunicados da administração municipal ficam no site da Prefeitura de Barreiros.
Este texto foi redigido com apoio de inteligência artificial, a partir da pauta, das fontes e das regras do editor-chefe. Saiba mais em Como usamos inteligência artificial.




