Preço do café cai quase 7% em setembro com safra nos portos
Saca do arábica perdeu R$ 120 no Sul de Minas, as exportações passaram de 4 milhões de sacas e a florada de 2027 anima o mercado, apesar do El Niño.

O preço do café terminou setembro em queda nas bolsas e no mercado físico brasileiro. Em Nova York, o contrato de dezembro do arábica perdeu 6,7% no mês, de 311,50 para 290,70 centavos de dólar por libra-peso, segundo o balanço da consultoria Safras & Mercado divulgado na sexta-feira (2). Os analistas atribuem a queda à safra brasileira de 2026, que atrasou e só agora chegou em volume aos armazéns e aos portos.
No Sul de Minas, a saca do arábica bebida boa de safra nova caiu de R$ 1.770 para R$ 1.650 ao longo do mês, recuo de 6,8%. O conilon tipo 7 em Vitória (ES) passou de R$ 1.020 para R$ 990, baixa de 2,9%. Em Londres, o robusta para novembro cedeu 2,4%.
Por que o preço do café caiu em setembro
Para Gil Barabach, analista da Safras & Mercado, o mercado mudou de humor porque mudou a leitura sobre a oferta mundial. Em agosto, o atraso da colheita no Brasil alimentava o temor de falta de café e, com a ajuda de muito dinheiro de fundos na bolsa, empurrou as cotações para cima. Em setembro, o grão começou a aparecer de fato nas cooperativas, nos armazéns das tradings e nas praças de comercialização.
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No mundo, a Organização Internacional do Café (OIC) contabilizou 130,81 milhões de sacas exportadas nos 11 primeiros meses da temporada 2025/26 (outubro a agosto), 1% a mais que no mesmo período anterior. E vem mais café por aí: a colheita do Vietnã está começando, a da Colômbia avança e chegam lotes da África e da América Central. “Esse ambiente de maior conforto para os compradores naturalmente joga contra os preços”, resumiu Barabach no balanço da consultoria.
A florada de 2027 também pesa na conta
O outro fator é o clima. Até agora, as floradas que vão formar a safra brasileira de 2027 tiveram boas condições, e o pegamento inicial das flores animou o mercado. A Safras faz uma ressalva: o El Niño ainda preocupa nos últimos meses do ano, porque costuma mexer com o regime de chuvas no Sudeste.
Em Patrocínio, a preocupação com a florada já apareceu em setembro, quando o calor de 34°C e o ar seco ameaçaram as flores do cafezal. As chuvas do fim do mês aliviaram a situação nas lavouras do Cerrado Mineiro.

Como fica o produtor de Patrocínio
A queda mensal do preço do café não apareceu de forma linear na praça de Patrocínio. Na última semana de setembro, as cotações oscilaram com força, e o café de Patrocínio fechou a sexta-feira (2) a R$ 1.750 a saca, tipo 6, depois de subir 3,55% em um único dia, segundo a tabela do mercado físico do Notícias Agrícolas. O número de Patrocínio e o do Sul de Minas usam bases diferentes de tipo e de bebida, por isso não devem ser comparados diretamente. Nas duas referências, porém, o mês terminou abaixo de onde começou.
O comportamento do produtor ajuda a explicar a gangorra. De acordo com a Safras, quem tem café dosou a oferta e evitou vender nos dias de baixa, enquanto os compradores aproveitaram cada queda para fechar negócio. No Cerrado, essa estratégia de segurar o produto já vinha sendo observada desde meados de setembro.
Com a colheita praticamente encerrada e uma safra que deve ser recorde no Cerrado Mineiro, o fluxo de vendas tende a crescer em outubro. Mais café disponível costuma significar menos espaço para o preço do café subir, a não ser que o clima atrapalhe a florada ou que o dólar volte a disparar.
O que acompanhar em outubro
O próximo dado importante para o preço do café é o número oficial do Cecafé para as exportações de setembro, que costuma sair na primeira quinzena do mês. A chuva também conta, porque o Cerrado Mineiro precisa de precipitação regular para segurar as flores abertas. E há o câmbio: um dólar mais alto melhora o valor em reais pago ao cafeicultor mesmo com a bolsa em queda.
Patrocínio é o município que mais fatura com café no Brasil e sede da Expocacer, a Cooperativa dos Cafeicultores do Cerrado, fundada em 1993. Por isso, a oscilação em Nova York mexe rápido com a renda do produtor e com o movimento no comércio da cidade. O balanço completo do mês pode ser lido no site da Safras & Mercado.
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