Deepfakes nas eleições de 2026: levantamento acha 554 vídeos e imagens falsos, com Lula em 379 e Flávio em 190
O projeto VigIA, da Agência Lupa, contou ao menos 554 deepfakes no 1º turno. Lula aparece em 379 publicações falsas, e 34% delas buscavam atacá-lo; Flávio aparece em 190, e 40% buscavam favorecê-lo.

Os deepfakes nas eleições de 2026 somaram pelo menos 554 vídeos e imagens falsos nas redes sociais durante a campanha do primeiro turno, segundo o projeto VigIA, da Agência Lupa, divulgado em 2 de outubro. O presidente Lula aparece em 379 publicações falsas, e o senador Flávio Bolsonaro, em 190. A soma das duas contagens (569) passa do total de 554, e a divulgação do levantamento não explica a diferença. Pela conta da Folha, Lula está em 66,6% das 569 menções, ou seja, em dois de cada três deepfakes com candidato, e Flávio em 33,4%.
O que os conteúdos fizeram com cada candidato
Entre as publicações sobre Lula, 39% tinham tom humorístico ou satirizavam o presidente, e 34% buscavam atacá-lo diretamente. O restante, calculado pela Folha como diferença para 100%, é de 27%. Entre as publicações sobre Flávio, 40% buscavam favorecê-lo, e 28% tinham conteúdo humorístico ou satírico.
| Candidato | Publicações falsas | Humor ou sátira | Ataque direto | Favorecer |
|---|---|---|---|---|
| Lula | 379 | 39% | 34% | não informado |
| Flávio Bolsonaro | 190 | 28% | não informado | 40% |

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Segundo o levantamento, 47% dos conteúdos foram publicados por usuários comuns, 24,5% por contas oficiais de candidaturas e 27% por perfis não identificados nos casos verificados. Foram encontrados 920 conteúdos feitos com inteligência artificial no total, e 371 deles, cerca de 40%, estavam rotulados como tais. O texto cita ainda 75 publicações irregulares feitas por candidatos ou partidos, em 29 perfis. A fonte também usa 549 e 554 para o total de irregulares, sem explicar a diferença.
O que diz o TSE
As regras do Tribunal Superior Eleitoral permitem o uso de inteligência artificial na propaganda desde que o conteúdo criado ou manipulado seja sinalizado. O deepfake, que altera imagem ou voz de uma pessoa para parecer real, é proibido quando tem aparência verdadeira capaz de enganar o eleitor e se configura como propaganda política, e pode levar à cassação da candidatura ou do mandato.
A regra para os últimos dias de campanha
A norma do TSE sobre propaganda, a Resolução 23.610, de 2019, foi atualizada para 2026 pela Resolução 23.755. Pelas regras deste ano, todo conteúdo de propaganda criado ou alterado de forma relevante por inteligência artificial precisa informar, de forma explícita e em destaque, que foi produzido ou manipulado e qual tecnologia foi usada. Sem esse aviso, a publicação pode ser removida.
Há também uma janela de bloqueio. De 72 horas antes até 24 horas depois do fim da votação, fica proibido publicar, republicar ou impulsionar novos conteúdos sintéticos com imagem, voz ou manifestação de candidatos, mesmo que tenham o rótulo de IA. No segundo turno, esse período vai das 17h desta quinta-feira (22) às 17h de segunda-feira (26).
Em 1º de setembro, o TSE fixou, por 5 votos a 2, o que conta como deepfake proibido: o conteúdo precisa ter realismo suficiente para simular imagem, voz ou fala de uma pessoa e se caracterizar como propaganda eleitoral. Caricaturas, montagens satíricas e avatares estilizados, que não tentam passar por registro verdadeiro, ficam fora da proibição.
Alpha for MenFora das regras de propaganda, o Código Eleitoral trata como crime divulgar, na propaganda ou durante a campanha, fatos que a pessoa sabe serem falsos sobre partidos ou candidatos e capazes de influenciar o eleitorado. A pena é de dois meses a um ano de detenção ou multa.

A Justiça Eleitoral já decidiu sobre conteúdos da campanha. Um dos casos foi o da retirada de posts de Gleisi Hoffmann, Guilherme Boulos e Lindbergh Farias, confirmada por unanimidade pelo TSE, como a Folha mostrou em Flávio e Comando Vermelho. Outro foi a ação de Flávio no TSE contra mensagens do GovBR no WhatsApp, tratada em Mensagens do GovBR no WhatsApp viram alvo de ação de Flávio no TSE.
Como o eleitor pode se proteger
Alguns cuidados ajudam a evitar a circulação de conteúdo falso. Vale checar se a publicação tem rótulo de inteligência artificial, procurar o mesmo vídeo em canais oficiais do candidato ou em veículos de imprensa, desconfiar de áudios sem origem e consultar agências de checagem antes de compartilhar. A Folha explica como usa inteligência artificial na redação em Como usamos inteligência artificial, e não reproduz conteúdo falso de candidatos.
A circulação de conteúdo falso costuma crescer nos dias finais da campanha. O segundo turno é no domingo (25), e os resultados de Patrocínio no primeiro turno estão em Voto de Flávio em Patrocínio. A página de apuração em tempo real traz os números oficiais do TSE.
Crédito da imagem de destaque: Montagem com fotos de Jefferson Rudy/Agência Senado (Flávio) e Ricardo Stuckert/Lula Oficial (CC BY-SA 4.0) (Lula).
Este texto foi redigido com apoio de inteligência artificial, a partir da pauta, das fontes e das regras do editor-chefe. Saiba mais em Como usamos inteligência artificial.






