Flávio e Comando Vermelho: TSE confirma por unanimidade retirada de posts de Gleisi, Boulos e Lindbergh
Para a relatora Estela Aranha, as publicações ligavam o senador ao crime organizado "sem respaldo fático mínimo"; é a segunda decisão do tipo em uma semana.

O Tribunal Superior Eleitoral confirmou por unanimidade, na noite desta terça-feira (20), a retirada de publicações de Gleisi Hoffmann, Guilherme Boulos, Lindbergh Farias e Rogério Correia que associavam Flávio Bolsonaro (PL) a milícias, ao crime organizado e a uma operação da Polícia Federal. A decisão saiu na véspera de a expressão “Flávio e Comando Vermelho” chegar ao segundo lugar entre os assuntos mais comentados do X no Brasil, nesta quarta-feira (21).
O plenário referendou uma liminar dada em junho pela relatora, ministra Estela Aranha, a pedido do PL. Além dos quatro políticos, a ordem atinge perfis como “PT na Câmara”, “Lula conta comigo” e “Gata Canhota”. As publicações tinham de sair do ar em até 24 horas, e ficou proibida a republicação “do mesmo material ou de conteúdo substancialmente idêntico”.
O que o TSE decidiu nesta terça
O processo é a Representação 0600539-97.2026.6.00.0000. Segundo a nota do TSE, o conteúdo associava Flávio “à Operação Unha e Carne, da Polícia Federal, e a práticas de crime organizado, milícias, lavagem de dinheiro e ‘rachadinha'”.
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Corpo e Alma MotelSeu momento, com toda a discrição.Para a relatora, a publicação “ultrapassou os limites da crítica política ao atribuir ao candidato vínculos com organizações criminosas sem respaldo fático mínimo”. O voto acrescenta que “associar candidatos a organizações criminosas sem base empírica pode violar a honra e comprometer a normalidade e a legitimidade das eleições”. A defesa de Flávio sustentou no processo que ele “não é investigado, citado ou mencionado na operação”.
Flávio e Comando Vermelho: a decisão de junho
A liminar agora confirmada é de 22 de junho, quando Flávio ainda era pré-candidato. Na época, as postagens o vinculavam “ao crime organizado e a facções criminosas, em especial o Comando Vermelho”, de acordo com o registro do tribunal.
O TSE escreveu que as publicações “constroem narrativa que associa o pré-candidato a organizações criminosas, inclusive o Comando Vermelho, sem indicação de qualquer dado concreto, investigação formal ou imputação jurídica que o vincule à operação policial”. A ministra foi direta: “A imputação genérica de vínculos com o crime organizado, quando não amparada em dados concretos, caracteriza conteúdo gravemente desinformativo e ofensivo, apto a configurar propaganda eleitoral antecipada negativa”.

A segunda decisão em menos de uma semana
Não foi o único caso recente envolvendo Flávio e Comando Vermelho no TSE. No dia 15, o plenário também mandou remover, por unanimidade dos sete ministros, um vídeo publicado no Instagram por Fabrício Santos Vargas. O post associava Flávio “a organizações criminosas, com menção expressa ao Comando Vermelho”, e dizia que ele teria desviado R$ 2,7 milhões num esquema de “rachadinha” quando era deputado estadual no Rio. A relatora também foi Estela Aranha, no processo 0600751-21.2026.6.00.0000.
Alpha for MenNa sustentação oral daquele julgamento, o advogado do PL afirmou que o procedimento citado no vídeo foi arquivado em 2022. O tribunal manteve a proibição de republicar o mesmo vídeo ou material substancialmente idêntico, como mostra a decisão de 15 de outubro.
Por que o assunto voltou ao X
A busca por “Flávio Comando Vermelho” teve o pico no Google às 22h do dia 18, durante o debate da Band, quando segurança pública foi um dos temas centrais, como a Folha mostrou na matéria sobre a abertura do debate da Band. Nesta quarta, Flávio e Comando Vermelho voltaram a aparecer juntos entre os assuntos do X, entre 11h e 12h.
No mesmo período, voltou a circular um vídeo antigo de Renan Santos (Missão), quarto colocado no 1º turno, com 2,24% dos votos, em que ele cita aliados de Flávio investigados no Rio. Renan não é parte de nenhum dos processos no TSE. Em nota de junho, a assessoria do senador afirmou que “a família Bolsonaro e Flávio Bolsonaro não compactuam com facções ou grupos armados e criminosos”.
Na campanha, Flávio tem prometido endurecer contra as facções. As propostas dele para a área estão na matéria sobre a guerra ao narcotráfico.
O 2º turno e Patrocínio
Flávio e Lula (PT) se enfrentam no domingo (25). No 1º turno, o senador teve 47,03% dos votos válidos no país, e Lula, 45,16%. Em Patrocínio (MG), a vantagem de Flávio foi bem maior: 61,18% a 30,44%, segundo o TSE. As rodadas mais recentes de cada instituto estão no quadro com as pesquisas do 2º turno, e a contagem de domingo sai na página de apuração em tempo real.
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