Documentos de Lula no TSE: Deltan diz que as 224 páginas anexadas são sobre Flávio e que não há extrato do petista
O senador eleito afirma que o PT anexou petição curta e material sobre Flávio. A Folha não achou confirmação nos autos; a campanha de Lula já havia protocolado a autorização.

Os documentos de Lula no TSE viraram o assunto mais disputado da quinta-feira (22), a três dias do segundo turno. O senador eleito Deltan Dallagnol (Novo-PR), escalado pela campanha de Flávio Bolsonaro (PL) para conferir o que o PT levou ao tribunal, afirma em vídeo que as 224 páginas anexadas ao processo falam de Flávio e não trazem nenhum extrato fiscal ou bancário do presidente. A Folha não encontrou confirmação disso em documento do tribunal, e a campanha petista já havia dito que protocolou a autorização para abrir os dados.
No vídeo, de cerca de quatro minutos, Deltan diz que acompanhou a entrega no TSE, em Brasília, e que o time de Lula “não apresentou nada”. Segundo ele, o que chegou ao processo foram duas petições curtas, uma delas de quatro páginas, seguidas de um volume grande de papel que, na leitura dele, reúne acusações e notícias de imprensa contra Flávio. “São 224 páginas, eu passei todas aqui e não tem um documento fiscal e bancário do Lula”, afirma.
O que Deltan diz sobre os documentos de Lula no TSE
A queixa principal parte de uma foto. Deltan mostra na tela do computador a imagem de Camilo Santana (PT-CE) e Guilherme Boulos segurando um maço de papel encadernado e diz que aquilo passava a ideia de que os dados do presidente tinham sido entregues. Depois de ver o processo, conclui que o volume não era isso. Ele chama o episódio de “estelionato eleitoral”, expressão que é dele e que a Folha reproduz como acusação, não como fato.
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O senador eleito também lista o que, no entendimento dele, o presidente deveria ter apresentado: contas e telefones ligados ao Instituto Lula, a empresas e aos filhos, dados sobre Paulo Okamotto, João Vaccari Neto e o sindicato Sindnapi, registros de visitas ao Palácio da Alvorada e gastos com cartão corporativo. A lista repete boa parte das exigências que Flávio apresentou na quarta-feira (21), quando aceitou abrir os próprios sigilos com 19 condições.
O que a campanha de Lula já havia protocolado
O que se sabe até aqui vem do que as campanhas disseram e protocolaram. A campanha de Lula entregou ao TSE a autorização para abrir os sigilos bancário, fiscal e telefônico dele nos últimos oito anos, valendo também para a primeira-dama, para os cinco filhos e para a empresa L.I.L.S. Palestras, Eventos e Publicações. Camilo Santana disse que o presidente “não se opõe a absolutamente nada” do que Flávio pediu. A Folha detalhou o pedido na matéria Sigilos no TSE: Lula e Flávio têm até 23h59 de hoje.
Entregar a autorização não é o mesmo que publicar os extratos. A abertura dos dados depende de decisão da Justiça Eleitoral sobre como e para quem eles serão mostrados, e o relator do caso, ministro André Mendonça, ainda não havia decidido isso até a publicação desta matéria. Deltan trata como promessa descumprida o fato de os papéis não terem chegado às mãos dele. Desde terça-feira (20), porém, a campanha de Lula fala em autorizar a abertura dos sigilos, e não em divulgar os extratos.
Alcazar, prazo de 23h59 e o que falta acontecer
Deltan também menciona a Alcazar Holdings, empresa registrada na Ilha da Madeira, em Portugal, e diz que a defesa de Flávio já manifestou nos autos que abre mão do sigilo fiscal e bancário dela. A campanha petista cobra reciprocidade nesse ponto, e a defesa do senador afirma que ele não é sócio, administrador nem beneficiário da empresa. A decisão sobre pedir ou não esses dados é de Mendonça.
Alpha for MenA campanha de Flávio tinha até as 23h59 desta quinta para protocolar a própria autorização. O papel de Deltan nessa conferência está na matéria Deltan e o sigilo de Lula, em que ele diz que “da última vez” que analisou os sigilos do presidente, Lula foi parar na cadeia. Ele coordenou a força-tarefa da Lava Jato em Curitiba e hoje faz a conferência a pedido da campanha de um dos candidatos, o que o coloca como parte interessada na disputa.
Onde acompanhar a reta final
O segundo turno acontece no domingo (25), entre Flávio Bolsonaro (PL), número 22, e Lula (PT), número 13. As pesquisas registradas estão reunidas em Pesquisas do segundo turno, e no domingo o resultado chega em tempo real na apuração em tempo real da Folha. Regras de votação e locais estão no site do Tribunal Superior Eleitoral.
O que ainda não está confirmado
A contagem de 224 páginas, o conteúdo delas e a ausência de extratos são afirmações de Deltan. A Folha não teve acesso ao processo para conferir o volume e não localizou resposta da campanha de Lula a esse vídeo específico até a publicação. Se o PT ou o TSE se manifestarem, a matéria será atualizada.
Este texto foi redigido com apoio de inteligência artificial, a partir da pauta, das fontes e das regras do editor-chefe. Saiba mais em Como usamos inteligência artificial.






