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Sigilos no TSE: Lula e Flávio têm até 23h59 de hoje, e a offshore Alcazar fica nas mãos de Mendonça

Campanha de Lula entregou a autorização e aceitou as condições de Flávio, que ainda não protocolou a dele; o ministro André Mendonça decide se pede os dados da Alcazar.

Sigilos no TSE: o presidente Lula sorri e toca a aba do chapéu panamá, em foto de 2026
Sigilos no TSE: o presidente Lula sorri e toca a aba do chapéu panamá, em foto de 2026

Os sigilos no TSE entraram na fase decisiva nesta quinta-feira (22): a campanha de Lula (PT) entregou a autorização para abrir os dados dele, e a de Flávio Bolsonaro (PL) tem até as 23h59 de hoje para protocolar a sua. A votação do segundo turno é no domingo (25), daqui a três dias, e o tema que nasceu no debate da Band virou a disputa mais cobrada da reta final.

O desafio que Lula lançou no domingo (18) passou por duas respostas em dois dias. Na terça (20), o presidente pediu ao Tribunal Superior Eleitoral que abrisse os próprios sigilos, com a condição de que Flávio fizesse o mesmo. Na quarta (21), o senador aceitou com uma lista de 19 exigências. A resposta de Lula veio agora, e ela diz sim a todas, com um pedido em troca.

O que Lula entregou ao TSE

A campanha petista protocolou a autorização para abrir os sigilos bancário, fiscal e telefônico de Lula dos últimos oito anos. O pedido vale também para a primeira-dama, Janja, para os filhos do presidente e para a L.I.L.S. Palestras, Eventos e Publicações, a única empresa da qual ele é sócio. Quem foi ao tribunal pelo lado do PT foram o presidente do partido, Edinho Silva, o senador Camilo Santana (PT-CE) e o ministro Guilherme Boulos, da Secretaria-Geral da Presidência.

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Lula aceitou as condições que Flávio havia imposto na petição de quarta. O senador pediu que a análise cobrisse um período maior, a partir de 2003, e que incluísse Lulinha, o Instituto Lula, Paulo Okamotto, Guido Mantega, João Vaccari Neto, Frei Chico, o sindicato Sindnapi e os gastos com cartão corporativo desde janeiro de 2023. Segundo Camilo Santana, o presidente “não se opõe a absolutamente nada” do que o adversário propôs. Guilherme Boulos reagiu à demora e disse que quem propôs a abertura foi Lula, e que o senador levou quatro dias para responder e ainda anexou condições.

Alcazar Holdings: o pedido de Lula em troca

A reciprocidade que a campanha de Lula exige tem um nome: Alcazar Holdings, empresa registrada na Ilha da Madeira, em Portugal, ligada ao advogado Willer Tomaz, que é investigado pela Polícia Federal. Segundo a campanha petista, a PF indicou que Flávio seria “usuário master” de uma conta bancária da empresa, ao lado de Tomaz. A defesa do senador afirma que ele não é sócio, administrador nem beneficiário da Alcazar.

Como Flávio não tem vínculo formal com a empresa, a autorização dele sozinha não alcança os dados dela. Pelo que se relatou do encontro entre as duas equipes na sede do TSE, caberá ao ministro André Mendonça, relator do caso, decidir se pede esses dados. Mendonça foi sorteado na terça (20) e recebeu a petição conjunta. O pedido de Lula também alcança os sigilos de Flávio, da mulher dele, dos irmãos Jair Renan, Carlos e Eduardo, da mãe, Rogéria, e de ao menos cinco empresas ligadas ao senador.

Sigilos no TSE: Flávio Bolsonaro dá entrevista a jornalistas no Senado, em 2022
Flávio Bolsonaro em entrevista no Senado, em foto de 2022. Foto: Agência Senado

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A resposta de Flávio e o prazo de 23h59

Na manhã desta quinta, a campanha do senador chegou ao tribunal sem documentos. A advogada Maria Cláudia Bucchianeri disse que a autorização seria apresentada “em breve”, depois da análise do que Lula protocolou, e que “não há nenhuma possibilidade de recuo”. A conferência dos papéis do presidente ficou com o senador eleito Deltan Dallagnol (Novo-PR), que afirmou que o lado de Flávio cumprirá tudo o que foi pedido e criticou Lula por não ter entregue os documentos de imediato.

Horas depois, de acordo com relatos do encontro no TSE, as duas campanhas se comprometeram a abrir os sigilos telefônico e bancário até as 23h59 de hoje. Os dados dos candidatos, dos familiares e das empresas seriam divulgados de forma voluntária e simultânea, num site público, e podem ser incluídos na plataforma DivulgaCand, do TSE. A petição, segundo esses relatos, foi assinada em nome dos dois candidatos.

O que falta acontecer

Até a publicação desta matéria, a Folha não encontrou a confirmação de que o protocolo da autorização de Flávio tenha sido feito. Três pontos seguem abertos: a entrega dos documentos do senador dentro do prazo, a decisão de Mendonça sobre os dados da Alcazar e o formato em que as informações serão colocadas à disposição do eleitor. O que o TSE fizer com as autorizações também depende do ministro, já que a quebra de sigilo por decisão judicial é diferente da abertura voluntária dos dados pelos candidatos.

O assunto já aparecia na entrega de Lula ao tribunal na terça e no impasse sobre o debate da Globo. O último confronto entre os candidatos está na página dos debates do segundo turno, e os números da disputa ficam no quadro das pesquisas do segundo turno. No domingo, a apuração em tempo real da Folha começa assim que as urnas fecharem, às 17h, no horário de Brasília.

Este texto foi redigido com apoio de inteligência artificial, a partir da pauta, das fontes e das regras do editor-chefe. Saiba mais em Como usamos inteligência artificial.

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