Frete em Minas pode subir até 40% em janeiro, diz sindicato das transportadoras
Só o ICMS do diesel, que sobe de R$ 1,17 para R$ 1,30 por litro em fevereiro, pesa cerca de 4% no frete. O resto vem da reforma tributária e da folha de pagamentos.

O frete em Minas pode subir de 30% a 40% a partir de janeiro. A estimativa é do presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas e Logística de Minas Gerais (Setcemg), Antônio Luís da Silva Júnior, que diz que o setor estuda o reajuste e ainda não fechou um número. A pressão vem do ICMS mais caro sobre o diesel, da reforma tributária, da volta da contribuição sobre a folha de pagamentos e do fim da escala 6×1.
O dado mais concreto da conta é o do imposto. Os estados aprovaram no Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), nesta semana, novos valores de ICMS sobre combustíveis, que passam a valer em 1º de fevereiro de 2027. No diesel, o imposto por litro sobe de R$ 1,17 para R$ 1,30, alta de 11,1%. A Folha detalhou a mudança na matéria sobre o ICMS sobre combustíveis em 2027.

Quanto o diesel pesa no frete em Minas
O próprio presidente do Setcemg separa o efeito do imposto do resto da conta. Pela estimativa dele, se o diesel subir 11%, o frete sobe cerca de 4%, sem contar os outros custos. Por essa conta, a alta de 11,1% no ICMS explica só uma parte pequena da estimativa de 30% a 40%.
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Corpo e Alma MotelSeu momento, com toda a discrição.O restante, segundo o sindicato, vem de custos que ainda não têm valor definido. A reforma tributária começa a entrar em vigor e muda a forma de cobrança dos impostos sobre consumo. A reoneração da folha de pagamentos aumenta a contribuição das empresas sobre os salários. E o fim da escala 6×1 pode elevar as despesas com pessoal e exigir novos ajustes nos valores do frete, segundo Silva Júnior.
O sindicato diz que as transportadoras já operam com margens praticamente zeradas e que a maioria deve encerrar 2026 sem resultado positivo. A alta de 30% a 40% é a faixa que o setor estuda para recompor esses custos, e cada empresa negocia o frete com os próprios clientes.
O que muda nos outros combustíveis
O diesel teve o maior reajuste, mas não foi o único. No mesmo pacote, o ICMS da gasolina passa de R$ 1,57 para R$ 1,64 por litro, alta de 4,5%, e o do gás de cozinha (GLP), de R$ 1,47 para R$ 1,54 por quilo, alta de 4,8%. Os valores são fixos por unidade e iguais em todos os estados, no modelo de cobrança única que vale para os combustíveis desde 2023.
Os secretários estaduais de Fazenda, reunidos no Comitê Nacional de Secretários de Fazenda (Comsefaz), disseram que estudam formas de reduzir o impacto no diesel antes de fevereiro. Até esta quinta-feira (29), o valor de R$ 1,30 por litro continuava previsto.
Alpha for MenPor que o frete em Minas chega ao consumidor
O frete entra no preço de boa parte do que circula de caminhão, da comida do supermercado aos insumos do campo. Em Minas, a produção agrícola depende da estrada para chegar aos armazéns e aos portos. O peso do frete no custo do produtor já apareceu na conta que a Folha fez sobre o dólar e a saca de café em Patrocínio.
Um reajuste de frete não chega inteiro à prateleira: o transporte é uma parte do custo final, e o repasse depende de cada setor. Ainda não há estimativa oficial de quanto uma alta de 30% a 40% no frete poderia mexer nos preços ao consumidor.
O cenário para as transportadoras
O presidente do Setcemg disse que o setor começa o diálogo com o governo Lula, reeleito no domingo (25), com expectativa negativa. A reforma tributária e a reoneração da folha estão previstas em lei, com transição gradual. Do lado das contas públicas, a Folha mostrou que o governo estuda um ajuste fiscal com mudanças em pisos e benefícios.
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