Thomaz Costa e Emily Garcia pedem ajuda a Trump nos comentários após a vitória de Lula
Os dois comentaram numa publicação de Trump sobre overdoses, que passa de 710 mil comentários. Nenhum apresentou prova, e o TSE totalizou 100% das seções.

Uma publicação do presidente americano sobre overdoses virou, depois da eleição, o canal de socorro de brasileiros insatisfeitos com o resultado. Os atores e influenciadores Thomaz Costa e Emily Garcia deixaram pedidos de ajuda a Donald Trump nos comentários de uma publicação dele no Instagram, depois da vitória de Lula (PT) no segundo turno, no domingo (25).
Até a publicação desta reportagem, a Folha não encontrou resposta de Trump aos dois. A publicação, que não tem relação com o Brasil, somava por volta das 16h desta segunda-feira (26) 547,2 mil curtidas e 710,1 mil comentários, segundo o contador da própria plataforma. A imagem, do perfil oficial de Trump, fala de uma queda de 40% nas overdoses de drogas nos Estados Unidos, dado que a Folha não verificou e que não tem relação com o Brasil. Entre os comentários em português, há pedidos de socorro, acusações sem prova e muito deboche com quem pede ajuda a um governo estrangeiro.
O que Thomaz Costa e Emily Garcia escreveram
Thomaz Costa, ator conhecido pela novela “Carrossel”, escreveu em maiúsculas “PRECISO FALAR COM VOCÊ”. O comentário aparece publicado há cerca de 17 horas e tinha 5.060 curtidas quando a Folha o conferiu. Relatos publicados na segunda-feira atribuem a ele outras frases, como “olha o direct” e “pelo amor de Deus, olha para nós”, mas elas não apareceram entre os comentários que a Folha conseguiu carregar na plataforma.
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A influenciadora Emily Garcia escreveu que Lula “fez a mesma coisa que Maduro”, em referência ao ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro. Na versão que está hoje na publicação, marcada como “Editado”, o texto está em inglês: “HELP BRAZIL! Lula did the same thing as Maduro. HELP”, seguido da bandeira do Brasil, com 19.566 curtidas. Relatos da segunda-feira citam uma versão em português, “Ajude o Brasil”, e a frase “eles roubaram as urnas”. A Folha não encontrou essa segunda frase entre os comentários carregados.

Sem provas, o que os números oficiais mostram
Nem Thomaz nem Emily apresentaram prova do que insinuam. A acusação de que Lula “fez a mesma coisa que Maduro” não tem base nos números oficiais: o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) totalizou 100% das seções e deu a Lula 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio Bolsonaro (PL), uma diferença de 4.430.191 votos. A Folha mostrou na reportagem sobre a reeleição de Lula como o resultado foi fechado. A Folha também comparou a votação estendida no Brasil com a da Venezuela, em 2018, na reportagem sobre a votação na Venezuela.
Alpha for MenO que existe de contestação formal é outra coisa. Flávio disse que vai pedir a anulação da eleição, com base na decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), que estendeu a votação até as 19h em seções que ainda estavam abertas. Pedir não garante resultado: o Código Eleitoral só manda refazer a eleição quando a nulidade atinge mais da metade dos votos do país, como a Folha explicou na reportagem sobre o pedido de anulação do 2º turno.
Por que o apelo a Trump chama atenção
Os comentários chegam num momento em que o próprio governo americano está calado. Até a manhã de segunda-feira, a Casa Branca não tinha reconhecido publicamente a reeleição de Lula, como a Folha contou na reportagem sobre o silêncio de Trump sobre a vitória de Lula, enquanto governos de vários países já tinham mandado cumprimentos. A Folha não encontrou declaração de Trump ou do Departamento de Estado sobre os pedidos dos brasileiros.
Quem proclama o vencedor de uma eleição no Brasil é o TSE, e nenhuma lei brasileira exige o aval de governo estrangeiro. Os comentários também não mudam o resultado, que em Patrocínio (MG) foi diferente do nacional: Flávio venceu na cidade com 62,69% dos votos, como mostra o placar por escola.
A publicação original está no perfil de Trump no Instagram, e os números do país seguem atualizados na página de apuração em tempo real.
Este texto foi redigido com apoio de inteligência artificial, a partir da pauta, das fontes e das regras do editor-chefe. Saiba mais em Como usamos inteligência artificial.






