Votação na Venezuela também foi estendida? Em 2018, centros ficaram abertos mais de 2 horas após o fim
Em Caracas, centros receberam eleitores mais de duas horas depois do fechamento oficial. Aqui, a ordem do STF parou a contagem por duas horas e não reabriu urnas em Patrocínio.

Uma montagem que se espalhou pelas redes na noite deste domingo (25) põe lado a lado o ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro e o ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), com a frase de que Maduro também teria prorrogado a votação na Venezuela “até ser eleito”. A primeira parte tem base nos registros da eleição de 2018. A segunda, não: a Folha não encontrou nenhum documento ou relato oficial de que o horário tenha sido esticado para garantir a vitória de alguém, lá ou aqui.
No Brasil, a ordem de Zanin para receber votos até as 19h travou a contagem por duas horas e, em Minas Gerais, não chegou a reabrir nenhuma urna. Lula (PT) foi reeleito com 51,78% dos votos válidos, contra 48,22% de Flávio Bolsonaro (PL), com 99,99% das seções totalizadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Em Patrocínio (MG), Flávio venceu com 62,69%.
O que houve na votação na Venezuela em 2018
Na eleição presidencial de 20 de maio de 2018, os centros de votação deveriam fechar às 18h. Mais de duas horas depois, a televisão estatal ainda mostrava locais abertos e recebendo eleitores, segundo a cobertura das agências internacionais naquela noite. A então presidente da Assembleia Nacional Constituinte, Delcy Rodríguez, aliada de Maduro, disse que os centros não podiam fechar enquanto houvesse gente na fila. O Conselho Nacional Eleitoral (CNE) não comentou o atraso durante a votação.
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Corpo e Alma MotelSeu momento, com toda a discrição.A regra da votação na Venezuela dá margem para isso. O centro funciona por 12 horas seguidas e só fecha depois que vota o último eleitor que estiver na fila.
O CNE proclamou Maduro reeleito com cerca de 68% dos votos, num pleito boicotado pela principal coalizão de oposição e com comparecimento abaixo da metade do eleitorado. Estados Unidos, União Europeia e o Grupo de Lima, que reunia o Brasil e outros países da região, não reconheceram o resultado.
E em 2024, na última eleição de Maduro
Em 2024, a regra da votação na Venezuela não mudou. Quatro dias antes da eleição de 28 de julho, o CNE publicou um anexo ao manual das mesas que manteve a regra: as seções fecham às 18h, salvo se houver eleitores na fila. A contestação daquele ano veio depois da votação. O CNE declarou Maduro vencedor sem divulgar os resultados por mesa, e a oposição, liderada por Edmundo González, apresentou cópias de atas que apontavam a vitória dela.
O Centro Carter, que observou o pleito a convite do CNE, concluiu que a eleição não pode ser considerada democrática e citou a falta de resultados por seção como violação grave das regras eleitorais. O governo Lula cobrou a divulgação das atas e não reconheceu o resultado anunciado. Maduro deixou o poder depois e hoje está preso nos Estados Unidos, como a Folha mostrou ao publicar as fotos de Maduro na prisão.
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O que Zanin decidiu no Brasil
A decisão de Zanin saiu na Reclamação 101.673, apresentada pela coligação Brasil Pronto Pra Mais, de Lula, contra as prefeituras de Salvador, Feira de Santana e Lauro de Freitas, na Bahia. A coligação acusou as três cidades de reduzir o transporte coletivo neste domingo, o que vai contra o entendimento do STF de que o poder público deve oferecer ônibus gratuitos em dia de eleição.
O despacho estendeu “por até duas horas, até às 19h”, o recebimento de votos em todas as seções do país. A ordem chegou quando boa parte das urnas já tinha sido encerrada às 17h, e urna fechada não volta a funcionar. Zanin publicou um esclarecimento: a prorrogação valeria onde as urnas ainda estavam abertas, e os votos das urnas fechadas seriam computados normalmente. No mesmo texto, registrou que as duas campanhas alegaram problemas de transporte. A de Flávio tinha pedido mais tempo em municípios de cinco estados, Minas entre eles, por causa das chuvas.
A totalização nacional ficou parada das 17h06 às 19h01. A sequência completa está na reportagem sobre as urnas desligadas às 17h, e o placar final, na matéria em que a Folha noticiou que Lula é reeleito presidente.
Onde os dois casos se parecem e onde se separam
Nos dois países, a lei já permite votar depois do horário a quem está na fila. No Brasil, o artigo 153 do Código Eleitoral manda o presidente da mesa entregar senhas, às 17h, a todos os eleitores presentes, que votam mesmo que a fila vá além do horário.
A diferença está em quem decidiu e no que veio depois. Na Venezuela de 2018, os centros ficaram abertos sem decisão formal divulgada, com o governo defendendo a medida em público. No Brasil, a extensão veio de uma decisão judicial escrita, provocada por um pedido de campanha, que pode ser contestada nos tribunais e já é alvo de críticas de políticos da oposição. O resultado brasileiro sai seção por seção no site do TSE, e qualquer eleitor pode conferir o boletim da própria urna. Esse dado por mesa é o que faltou na votação na Venezuela de 2024, quando o CNE não o publicou.
A montagem com Maduro e Zanin foi compartilhada milhares de vezes no Facebook ainda durante a apuração. Até a publicação desta reportagem, nenhum tribunal tinha decidido anular votos por causa da prorrogação.
Em Patrocínio, as urnas fecharam às 17h
O Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG) informou que não recebeu a comunicação oficial da prorrogação a tempo e que, com o encerramento em curso no horário regimental, não havia como reabrir os equipamentos. As 222 seções da 211ª Zona Eleitoral, em Patrocínio, seguiram essa orientação.
Na cidade, Flávio teve 62,69% dos votos válidos e Lula, 37,31%. No primeiro turno, o placar local tinha sido de 61,18% para Flávio e 30,44% para Lula. O resultado por escola está na reportagem que mostra como Flávio ganhou em Patrocínio, e os números de todo o país seguem na página de apuração em tempo real.
Este texto foi redigido com apoio de inteligência artificial, a partir da pauta, das fontes e das regras do editor-chefe. Saiba mais em Como usamos inteligência artificial.






