PublicidadeOnNet Telecom

Muito mais opções para viver cada história do seu jeito.Internet e OnNet TV · OnNet Telecom

Corpo e Alma Motel

Corpo e Alma MotelSeu momento, com toda a discrição.

Cidade

Sinal Vermelho faz cinco anos e ainda é pouco divulgado em Patrocínio

Lei de 2021 assinada pela deputada Greyce Elias permite pedir socorro com um X vermelho na mão em farmácias e órgãos públicos. Em Patrocínio, o programa não aparece na comunicação oficial do município.

Sinal Vermelho: a deputada Greyce Elias, uma das quatro autoras da lei, na Mesa do Congresso Nacional ao lado do senador Rodrigo Pacheco
A deputada Greyce Elias (ao centro) na Mesa do Congresso Nacional, em sessão de maio de 2021, ao lado do então presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, e do deputado Helio Lopes. Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado (CC BY 2.0)

Um X vermelho desenhado na palma da mão, feito com caneta ou batom, é o suficiente para pedir socorro sem dizer uma palavra. Quem atende em uma farmácia, em um posto de saúde ou em qualquer repartição pública tem a obrigação de entender o gesto e ligar para o 190. Esse é o Sinal Vermelho, e ele virou lei federal há cinco anos, com a assinatura de uma deputada nascida em Patrocínio.

A Lei 14.188 foi sancionada em 28 de julho de 2021. Nasceu do Projeto de Lei 741/2021, apresentado na Câmara dos Deputados em 4 de março daquele ano por quatro parlamentares. Na ordem de assinatura registrada no sistema da Casa, são elas Margarete Coelho, Soraya Santos, Greyce Elias e Carla Dickson. Greyce Elias, que disputa a reeleição em 4 de outubro, é a terceira signatária. Ela não é autora exclusiva do texto, como circula em material de divulgação, mas está entre as quatro que o propuseram. A Folha já detalhou as 13 propostas apresentadas pela deputada em 2026 e onde cada uma parou.

Como funciona o Sinal Vermelho

A mecânica está no parágrafo único do artigo 2º. A lei autoriza a integração entre o Poder Executivo, o Judiciário, o Ministério Público, a Defensoria Pública, os órgãos de segurança pública e as entidades privadas, e obriga esses órgãos a manter um canal de comunicação imediata com os estabelecimentos que aderirem. O aviso da vítima é descrito no texto legal como “código sinal em formato de X, preferencialmente feito na mão e na cor vermelha”.

Publicidade
Drogaria CentroDrogaria CentroAqui tem cuidado para todos.
Disk Cerveja do RenatinhoDisk Cerveja do RenatinhoCerveja gelada na sua porta.
Monteiro Casa de CarnesMonteiro Casa de CarnesO corte certo para o seu churrasco e o dia a dia.
OnNet TelecomOnNet TelecomMuito mais opções para viver cada história do seu jeito.
Digital Comunicação VisualDigital Comunicação VisualFachadas, placas, adesivos e impressão.
Zé do LancheZé do LancheBateu a fome? O Zé resolve.
Rivelini DesentupidoraRivelini DesentupidoraDesentupimento em Patrocínio e região
Corpo e Alma MotelCorpo e Alma MotelSeu momento, com toda a discrição.

O artigo 3º amplia o alcance para além da farmácia, que é o lugar mais associado à campanha: a identificação pode ser feita pessoalmente em repartições públicas e entidades privadas de todo o País. O mesmo artigo impõe duas obrigações que costumam ser esquecidas quando se fala do programa, campanha informativa e capacitação permanente dos profissionais. Sem as duas, o X na mão vira um gesto que ninguém do outro lado do balcão sabe ler.

A campanha do Sinal Vermelho é anterior à lei. Foi criada em junho de 2020 pelo Conselho Nacional de Justiça e pela Associação dos Magistrados Brasileiros, no meio do confinamento da pandemia, quando as denúncias por telefone despencaram porque a vítima passou a viver trancada com o agressor. Em Minas Gerais, quem conduz é a Coordenadoria da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar do Tribunal de Justiça. O que a Lei 14.188 fez foi transformar a campanha em política pública nacional permanente.

A lei mexeu no Código Penal, não só criou uma campanha

A parte menos divulgada da lei do Sinal Vermelho é a que tem consequência criminal. O artigo 4º mudou o Código Penal em dois pontos. A lesão corporal praticada contra a mulher por razões da condição do sexo feminino passou de detenção para reclusão, com pena de um a quatro anos. E foi criado o artigo 147-B, que tipifica a violência psicológica contra a mulher.

O texto do 147-B alcança causar dano emocional que prejudique ou perturbe o pleno desenvolvimento da mulher, ou que vise degradar ou controlar suas ações, comportamentos, crenças e decisões, por meio de ameaça, constrangimento, humilhação, manipulação, isolamento, chantagem, ridicularização ou limitação do direito de ir e vir. A pena é de seis meses a dois anos de reclusão, mais multa, quando a conduta não constitui crime mais grave. Antes disso, o controle e a humilhação sistemática não tinham tipo penal próprio no Brasil.

Publicidade
Alpha for MenAlpha for Men
Sinal Vermelho: o que a Lei 14.188/2021 mudou no Código Penal, com a criação do crime de violência psicológica
As três mudanças trazidas pela lei do Sinal Vermelho. Fonte: Lei 14.188/2021. Arte: Folha de Patrocínio

O que Patrocínio tem, e o que não aparece

A cidade tem rede de proteção montada. O Seminário de Prevenção à Violência Doméstica realizado em agosto reuniu Prefeitura, pela Secretaria de Assistência Social, ONG Kalungar, Instituto Movimento do Bem, Câmara da Mulher Empreendedora da ACIP/CDL, Polícia Militar, Corpo de Bombeiros, Grupo CorreTerapia, Tribunal de Justiça, Ministério Público, a 65ª Subseção da OAB, Defensoria Pública e a Procuradoria da Mulher da Câmara Municipal.

O que a Folha não encontrou foi o Sinal Vermelho dentro dessa comunicação. Uma busca no portal oficial da Prefeitura por “sinal vermelho” não devolve nenhuma publicação sobre o programa, e o termo também não aparece nas matérias do Agosto Lilás, do seminário de agosto nem no texto dos 20 anos da Lei Maria da Penha publicado pelo município em 7 de agosto. Não há lista pública de farmácias ou estabelecimentos cadastrados em Patrocínio. Isso não significa que nenhum estabelecimento da cidade participe, e sim que a informação não está publicada em lugar onde a vítima consiga achar sozinha.

A demanda existe e é recente. Só nos últimos quatro dias, a Folha registrou três ocorrências de violência doméstica na cidade: uma mulher grávida de seis meses que teria sido agredida pelo companheiro, uma vítima de 28 anos que procurou o 46º Batalhão acompanhada do pai para pedir medida protetiva, e outra mulher de 28 anos que relatou ter sido ameaçada de morte e ter o cabelo cortado à força.

O diagnóstico do TCE-MG bate com o interior

Em 12 de agosto deste ano, o Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais publicou um diagnóstico do enfrentamento à violência contra a mulher no estado, construído a partir de 99 documentos técnicos, 46 auditorias, 15 levantamentos e 26 decisões colegiadas, com trabalho de campo em nove municípios. Dois deles são vizinhos de Patrocínio, Patos de Minas e Araxá.

O relatório aponta oito gargalos. Dois explicam bem o que se vê aqui. O quinto é a desigualdade geográfica, com as delegacias especializadas concentradas nas capitais e acesso reduzido no interior. O oitavo é a ausência de mecanismos para avaliar o impacto das ações e medir a eficácia do gasto, que é exatamente o motivo pelo qual não existe um número de quantas mulheres foram socorridas pelo Sinal Vermelho em Patrocínio, ou em qualquer cidade do Alto Paranaíba.

O pano de fundo estadual é pesado. Minas Gerais registrou 306 mortes de mulheres em 2025, das quais 177 foram classificadas como feminicídio.

Onde buscar ajuda em Patrocínio

O 190 atende emergência e funciona 24 horas. O 180, Central de Atendimento à Mulher, é gratuito, nacional e também funciona 24 horas, inclusive para denúncia anônima. A Polícia Militar atende no 46º Batalhão, que é para onde foram duas das três ocorrências dos últimos dias. A Secretaria Municipal de Assistência Social e a Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania fazem acolhimento, orientação e encaminhamento para a rede.

E o Sinal Vermelho segue valendo mesmo sem cartaz na porta. A lei não condiciona o socorro a cadastro prévio do estabelecimento: o artigo 3º fala em repartições públicas e entidades privadas de todo o País. Uma mulher que entre em qualquer farmácia de Patrocínio com um X vermelho na mão está amparada por lei federal, e quem a atende tem um telefone para discar.


Enquete: avalie a gestão do prefeito de Patrocínio

Retrato oficial do prefeito de Patrocínio, Gustavo Brasileiro
Gustavo Brasileiro, prefeito de Patrocínio. Foto: Prefeitura de Patrocínio/Divulgação

A Folha de Patrocínio quer ouvir você: como está sendo, na sua avaliação, este 1 ano e 6 meses de gestão do prefeito Gustavo Brasileiro à frente da Prefeitura de Patrocínio? Vote na enquete abaixo.


Leia também

Tudo em Cidade →
Nossa linha editorial

Somos um jornal de direita. E não escondemos isso.

Na reportagem, a regra vale para todos: fato checado, fonte citada e espaço para o outro lado. Na opinião, a Folha defende o que acredita.

Conheça nossos princípios →
  • Liberdade de expressãoOpinião não é crime.
  • FamíliaA base de uma cidade forte.
  • Livre iniciativaQuem empreende gera emprego.
  • Segurança públicaLei cumprida e polícia respeitada.
  • Menos EstadoImposto baixo e dinheiro público bem gasto.

Quem anuncia na Folha

Anuncie na Folha →
OnNet TelecomCorpo e Alma MotelDrogaria CentroMonteiro Casa de CarnesRestaurante GuritaZé do LancheDisk Cerveja do RenatinhoDigital Comunicação VisualACIP e CDL PatrocínioRivelini DesentupidoraAlpha for Men