“Estamos a caminho”: perfil do post viral é marca brasileira de roupa tática, sem vínculo institucional
O card fala em grupo tático dos EUA, mas o KOMMANDER S.I.D se diz sem vínculo institucional e o site vende roupa tática com frete grátis para todo o Brasil.

Um card que circula no Facebook diz que um “grupo tático nos EUA” mandou um recado ao Brasil depois da vitória de Lula: “Estamos a caminho”. A Folha foi conferir o perfil apontado e encontrou outra coisa. O KOMMANDER S.I.D, no Instagram, se apresenta com a frase “Sem Vínculo Institucional” na biografia, e o site que ele divulga é de uma marca brasileira de roupa tática.
O “estamos a caminho” não tem, até agora, nenhuma comprovação de que alguém esteja indo a algum lugar. A Folha não encontrou, no feed do perfil, a publicação com essa frase, nem declaração de órgão do governo americano sobre qualquer operação no Brasil.
O que o card afirma sobre o “estamos a caminho”
O card, publicado por um perfil de notícias nesta segunda-feira (26), conta que o KOMMANDER S.I.D publicou fotos de homens armados e a legenda “Olá, Brasil, estamos a caminho”, acompanhada de bandeiras dos Estados Unidos e de uma bandeira preta. Em uma das imagens, seis pessoas aparecem diante de uma parede com a inscrição “#BlackOpsMatter”. O texto diz que o perfil tem mais de 15 mil seguidores e que o post passou de 40 mil curtidas.
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Corpo e Alma MotelSeu momento, com toda a discrição.A foto que ilustra o card mostra três homens de colete e fuzil, diante de uma barreira de areia, com os rostos cobertos por tarjas pretas. A Folha não conseguiu confirmar onde nem quando a imagem foi feita, nem se ela veio do perfil citado. As tarjas e a origem da foto não foram explicadas.
O que a Folha conferiu no perfil
Na tarde desta segunda-feira, o perfil @kommandersid tinha 225 publicações e 18,9 mil seguidores. A biografia diz “SID [Search, Infiltrate, Destroy]” e “Sem Vínculo Institucional”, seguida do endereço de um site com final .com.br. Os posts mais recentes são de memes e conteúdo sobre empresas militares privadas e legionários estrangeiros, escritos em português, e anúncios de venda: um deles diz “Drop #2 já disponível, chama dm”.
Um post da manhã desta segunda (26) tem conteúdo político. A legenda diz “Se você é militar e vota na esquerda, tira essa farda!” e vem com as hashtags #eleicoes, #bolsonaro, #lula, #esquerda e #militar. É uma opinião do perfil sobre a eleição, não um aviso de deslocamento de ninguém. Nenhuma das publicações recentes traz a frase “Olá, Brasil, estamos a caminho”. Ela pode ter sido apagada, publicada em stories que já saíram do ar ou estar em outro perfil, e a Folha não tem como saber qual dessas hipóteses é a verdadeira.
O que o site da marca mostra
O endereço da biografia leva ao site da KOMMANDER S.I.D, que se descreve como “Vestuário Tático de Precisão”. A loja vende peças da coleção “Field Collection SS26”, em tecido de ripstop, em tamanhos M, G e GG, com frete grátis para todo o Brasil. A compra é fechada por uma conversa de WhatsApp. O site informa “Brasil” como localização e não traz CNPJ. Ele não oferece serviço militar nem de segurança e não cita operações dos Estados Unidos nem a eleição.
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O que ainda não se sabe
Falta saber se a publicação do card existiu, em que perfil e em que data, e quem fez a foto dos três homens. Também falta saber se o texto “estamos a caminho” é uma provocação, um anúncio de produto ou um boato criado a partir de imagens soltas. Um post com bandeiras e roupa militar, sozinho, não prova nenhuma operação, e nenhum desses elementos aponta para um grupo oficial dos Estados Unidos.
O governo americano também não deu sinal de nada parecido. Até a publicação desta reportagem, a Folha não encontrou declaração de Donald Trump ou do Departamento de Estado sobre qualquer deslocamento ao Brasil, e a Casa Branca ainda não tinha reconhecido publicamente a vitória de Lula, como a Folha mostrou na reportagem sobre o silêncio de Trump. Em outro episódio de hoje, influenciadores brasileiros lotaram uma publicação do presidente americano com pedidos de ajuda, como a Folha contou em Thomaz Costa e Emily Garcia pedem ajuda a Trump.
O resultado da eleição e a contestação formal
O que está registrado é a apuração do Tribunal Superior Eleitoral (TSE): Lula (PT) venceu Flávio Bolsonaro (PL) por 4.430.191 votos, com 100% das seções totalizadas, 51,79% a 48,21% dos votos válidos, como a Folha mostrou na reportagem sobre a reeleição de Lula. Flávio disse que vai pedir a anulação da eleição, e o Código Eleitoral só prevê nova votação quando a nulidade atinge mais da metade dos votos do país, como a Folha explicou no texto sobre o pedido de anulação do 2º turno.
Em Patrocínio (MG), o resultado foi o oposto do nacional: Flávio venceu na cidade com 62,69% dos votos, como mostra a página de apuração em tempo real. Para conferir qualquer número por seção, o painel do TSE é a fonte oficial.
Este texto foi redigido com apoio de inteligência artificial, a partir da pauta, das fontes e das regras do editor-chefe. Saiba mais em Como usamos inteligência artificial.






