Zé Trovão contra Motta: deputado diz que disputa a presidência da Câmara se o PL não lançar candidato
Os partidos que já declararam apoio à reeleição de Hugo Motta passam de 330 deputados; o PL, maior bancada, com 121, decide na quarta-feira (4) se terá nome próprio.

O deputado federal Zé Trovão (PL-SC) disse no domingo (1º) que vai disputar a presidência da Câmara dos Deputados em fevereiro de 2027 se o PL não apresentar um candidato próprio contra Hugo Motta (Republicanos-PB). O recado de Zé Trovão contra Motta veio num vídeo publicado nas redes sociais e numa nota escrita, em que ele afirma já ter pedido à equipe que prepare a campanha. “Se o PL não apresentar um candidato competitivo à Presidência da Câmara dos Deputados, eu serei candidato”, escreveu.
A candidatura, portanto, é condicional. Ela depende do que o PL decidir na reunião da bancada marcada para quarta-feira (4), quando o partido deve discutir se lança um nome à sucessão na Câmara.
Zé Trovão contra Motta: o que o deputado disse
No vídeo, o deputado atacou diretamente o atual presidente da Casa. “Eu não vou ser governado por um presidente frouxo, mole como o Hugo Motta”, afirmou. Na nota, repetiu que não apoia Motta nem Davi Alcolumbre (União-AP), que tenta a reeleição no Senado: “Minha posição está definida: não contem com meu apoio a Hugo Motta ou Davi Alcolumbre”. No vídeo, ele ainda usou um xingamento ao se referir ao presidente do Senado.
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Corpo e Alma MotelSeu momento, com toda a discrição.Zé Trovão também rebateu quem defende que o PL espere um acordo com os outros partidos por ter eleito as maiores bancadas: “E não tem esse papinho: ‘O PL fez maioria na Câmara, fez maioria no Senado, tá na hora da gente botar as cartas na mesa’. Tem muita coisa em jogo! Tem a liberdade do presidente Bolsonaro, tem a liberdade dos presos do 8 de janeiro”. Depois, completou que o grupo não pode “aceitar arrego para homens que apoiaram Luiz Inácio Lula da Silva”.
Na nota, ele disse que vai continuar trabalhando pela liberdade de Jair Bolsonaro e dos condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023 “dentro dos limites legais e constitucionais”. Até a publicação desta reportagem, Motta não havia respondido publicamente à declaração.

A conta de votos de Motta
Motta chega à disputa como favorito. Ele foi eleito presidente da Câmara em fevereiro de 2025, com 444 votos, e agora busca um segundo mandato. Em 14 de outubro, o bloco de centro formado por União Brasil, PP, PSD, Republicanos, MDB, PSDB, Cidadania e Podemos anunciou apoio à reeleição dele. PSB e PDT aderiram na semana seguinte, e a federação de PT, PCdoB e PV declarou apoio em 27 de outubro.
Somadas, as bancadas que já se comprometeram com Motta passam de 330 deputados na próxima legislatura, segundo as contas divulgadas pelos partidos. Para vencer, um candidato precisa de pelo menos 257 dos 513 votos. A votação é secreta, o que torna qualquer soma de bancadas uma estimativa: há sempre deputados que votam diferente da orientação do próprio partido.
Alpha for MenO PL terá a maior bancada da Câmara a partir de 2027, com 121 deputados, menos da metade do que precisa para eleger um presidente sozinho. Mesmo com todos os votos do partido, um candidato da legenda precisaria de mais 136 deputados de outras siglas para chegar aos 257. Esse cálculo já apareceu na reportagem sobre o impeachment de Lula em 2027, que mostrou o tamanho real da oposição no novo Congresso.
O dilema do PL na Câmara e no Senado
A decisão do PL na Câmara está ligada à do Senado. No Senado, o partido de Flávio Bolsonaro indicou Rogério Marinho (PL-RN) para enfrentar Alcolumbre, e a conta de votos dessa disputa foi detalhada na matéria sobre a presidência do Senado. Segundo relatos de dirigentes do partido, uma das hipóteses em discussão é não lançar candidato na Câmara em troca do apoio de partidos de centro a um nome do PL no Senado.
Zé Trovão rejeita esse tipo de acerto. Para ele, o PL deveria usar o tamanho da bancada para cobrar resultados, e não para negociar cargos com quem apoiou o governo Lula. A relação entre Motta e o partido já vinha tensa: na disputa pelo bloco de apoio à reeleição, o PT ameaçou sair se PL e Novo entrassem, como mostrou a reportagem sobre o bloco de Motta. Motta também quer votar ainda em 2026 a mudança para o voto distrital misto, sem o PL na mesa de negociação.
Como funciona a eleição na Câmara
A eleição da Mesa Diretora acontece em 1º de fevereiro de 2027, logo depois da posse dos deputados eleitos em outubro. Pelas regras da Câmara dos Deputados, a votação é secreta e feita no painel eletrônico. Se nenhum candidato alcançar a maioria absoluta no primeiro turno, os dois mais votados vão para um segundo turno, decidido por maioria simples.
Motta pode concorrer de novo porque a Constituição só proíbe a recondução ao mesmo cargo dentro da mesma legislatura, e a de 2027 é nova. Foi o mesmo caminho usado por Arthur Lira (PP-AL), eleito em 2021 e reeleito em 2023.
O presidente da Câmara decide quais projetos vão a voto e é quem recebe e despacha os pedidos de impeachment contra o presidente da República. Um presidente da Câmara alinhado ou não ao Planalto muda o ritmo desses pedidos e da pauta do governo em 2027. Se o PL fechar questão por um candidato na quarta-feira, Zé Trovão diz que sai da disputa. Se não fechar, ele promete levar o nome dele ao plenário, mesmo com a maioria das bancadas já comprometida com Motta.
Este texto foi redigido com apoio de inteligência artificial, a partir da pauta, das fontes e das regras do editor-chefe. Saiba mais em Como usamos inteligência artificial.






