Chiquini em Israel: deputado israelense diz no Knesset que o Irã e seus aliados querem destruir o país e estiveram perto da bomba
A agência nuclear da ONU aponta 440,9 kg de urânio a 60% no Irã, que nega querer a arma; o texto que circula com o vídeo cita uma bomba palestina que não existe.

O deputado federal eleito Jeffrey Chiquini (Novo-PR) publicou nesta segunda-feira (2) um vídeo gravado no Parlamento de Israel, o Knesset, em que um deputado israelense diz que o Irã e os grupos armados aliados a ele querem destruir Israel e que o regime iraniano esteve perto de ter uma bomba atômica. Na passagem de Chiquini em Israel, o parlamentar brasileiro aparece ao lado do israelense e de uma intérprete e pede aos seguidores que espalhem a gravação, de cerca de três minutos.
No vídeo, o israelense é apresentado apenas como “deputado Moisés”, tradução do nome hebraico Moshe. O texto que acompanha a publicação diz que ele é cotado para assumir o Ministério da Justiça. A Folha não conseguiu confirmar o sobrenome dele nem essa indicação. Israel votou em 27 de outubro, o novo Knesset toma posse em 10 de novembro e o governo que sai dessa eleição ainda não foi formado.
O que o deputado israelense diz a Chiquini em Israel
Na tradução feita durante a gravação, o israelense agradece a visita, chama de “muito importante” a aliança entre Brasil e Israel e cita os grupos que considera braços do Irã: o Hamas, na Faixa de Gaza, o Hezbollah, no Líbano, os houthis, no Iêmen, e forças na Síria. “Vocês têm que entender que o Irã, com todos os seus braços, eles querem destruir o Estado de Israel e o povo de Israel”, diz a intérprete. Em seguida, completa: “Não é uma guerra por território, nós não temos fronteira com o Irã. É uma guerra de religião”.
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Corpo e Alma MotelSeu momento, com toda a discrição.Chiquini então pergunta se esses grupos estão criando uma bomba atômica, e o deputado responde que sim. Na frase seguinte, a tradução diz que eles estiveram “quase” tendo a bomba e que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu lutam contra isso.
Antes de passar a palavra ao israelense, Chiquini resume o encontro com as próprias palavras. “Hoje Israel não sofre só por religião, mas sofre também por ser uma contenção contra o extremismo do mundo”, afirma. Depois, diz que os países que cercam Israel “e que hoje são defendidos pelo presidente do Brasil são terroristas” e “estão criando uma bomba atômica pra devastar Israel”. No fim, pede que o vídeo circule pelo país e diz que Israel “pode contar com o povo de bem que ainda existe no Brasil”.
O que se sabe sobre a bomba do Irã
O programa nuclear iraniano é acompanhado pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), ligada à ONU. Pelos dados da agência, o Irã acumulou 440,9 quilos de urânio enriquecido a 60%, nível próximo dos 90% usados em armas e muito acima do que um programa civil precisa. Depois dos ataques de Israel e dos Estados Unidos a instalações nucleares iranianas em junho de 2025, os inspetores perderam acesso a parte dessas instalações, e a AIEA deixou de ter a visão completa de onde está esse material. O governo do Irã nega que queira uma arma nuclear e afirma que o programa tem fins pacíficos.
O texto publicado com o vídeo vai além do que o israelense disse. Ele afirma que “a Palestina e o Irã” estão desenvolvendo uma bomba atômica. Na gravação, o deputado fala do Irã e dos grupos aliados, e não há registro de programa nuclear palestino. Nem o Hamas, em Gaza, nem a Autoridade Palestina, que administra parte da Cisjordânia, têm instalações de enriquecimento de urânio.
Alpha for MenA posição do governo Lula sobre Israel
A afirmação de Chiquini de que o presidente defende países “terroristas” é uma avaliação política dele. O governo federal não comentou o vídeo. Os dois governos acumulam atritos desde 2023. Em outubro de 2023, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chamou de terroristas os ataques do Hamas a Israel. Em fevereiro de 2024, comparou a ofensiva israelense em Gaza ao Holocausto, e Israel o declarou persona non grata. Em junho de 2025, o Itamaraty condenou os bombardeios israelenses ao Irã como violação da soberania iraniana.
O Brasil não inclui o Hamas na própria lista de organizações terroristas e segue a lista do Conselho de Segurança da ONU, que não traz o grupo. A oposição cobra essa inclusão desde 2023.
A viagem de Chiquini a Israel
Chiquini foi o deputado federal mais votado da história do Paraná, com 425.399 votos em 4 de outubro, e toma posse em 1º de fevereiro de 2027. Advogado, ficou conhecido por defender Filipe Martins, ex-assessor de Jair Bolsonaro, no julgamento da trama golpista no Supremo Tribunal Federal. Na mesma viagem, ele rezou no Muro das Lamentações, em Jerusalém, e comparou o PT ao nazismo durante visita a um museu, como mostrou a reportagem sobre Chiquini comparando o PT ao nazismo.
No Brasil, o deputado eleito já avisou que não apoiará Davi Alcolumbre nem Hugo Motta nas eleições do Congresso, como contou a matéria em que Chiquini rejeita Alcolumbre e Motta. A disputa na Câmara também ganhou um desafiante no PL: o deputado Zé Trovão diz que concorre se o partido não lançar nome, como mostrou a reportagem sobre Zé Trovão contra Motta. No fim de outubro, Chiquini também comentou em vídeo as críticas ao STF publicadas nos editoriais do WSJ e do Washington Post.
Este texto foi redigido com apoio de inteligência artificial, a partir da pauta, das fontes e das regras do editor-chefe. Saiba mais em Como usamos inteligência artificial.






