Chiquini compara PT ao nazismo em visita a museu em Israel e diz ver semelhança entre Hitler e Lula
Deputado eleito pelo Novo do Paraná gravou o vídeo com um guia brasileiro, que concordou em parte, mas alertou para o risco de radicais de direita e de esquerda desumanizarem o adversário.

“É assustador a semelhança do partido nazista com o PT.” A frase é do deputado federal eleito Jeffrey Chiquini (Novo-PR), dita no fim de uma visita guiada a um museu em Israel, e resume o vídeo que ele publicou neste domingo (1º). Em pouco mais de oito minutos, Chiquini compara PT ao nazismo, ouve a avaliação de um guia brasileiro que vive no país e termina dizendo ver semelhança “da cabeça do Hitler com o Lula”.
O guia, identificado no vídeo apenas como Marcel, conduz o grupo por salas sobre a propaganda nazista e os experimentos médicos feitos com judeus nos campos de concentração. A conversa entre os dois é gravada nos corredores do museu.
Chiquini compara PT ao nazismo: o que ele diz no vídeo
Logo na abertura, o deputado eleito descreve o que chamou de roteiro parecido entre os dois partidos. “Começa com um partido popular, defendendo a classe trabalhadora, ascende ao poder democraticamente, conquista um populismo e depois começam as perseguições e principalmente o aparelhamento das instituições”, diz. Em seguida, pergunta ao guia se ele enxerga essa semelhança no Brasil de hoje.
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Corpo e Alma MotelSeu momento, com toda a discrição.Mais adiante, Chiquini conta que uma imagem da exposição chamou a atenção dele: uma peça de propaganda nazista com um globo e um verme sobre ele, que representava os judeus. Ele diz que a imagem o fez lembrar da esquerda chamando a direita de fascista. “Hoje tem crescido muito esse movimento da esquerda começar a nos tratar como germes, nos tratar como uma raça inferior a eles”, afirma. Também cita a prisão de Filipe Martins e a de Jair Bolsonaro, que chama de injustas.
No fim da visita, ele resume: “É assustador a semelhança da cabeça do Hitler com o Lula. Ficou muito claro isso para mim”.

O que o guia respondeu
Marcel concorda que há pontos em comum entre o funcionamento do movimento nazista e o de partidos que “hoje se dizem de esquerda”, e cita o controle da mídia e do Judiciário e o cancelamento de quem pensa diferente. Em seguida, estende a crítica à direita. “O modelo de trabalho dos nazistas de controlar e tornar a vida como tiranos da sociedade serve de exemplo para muitos grupos partidários, de direita e de esquerda”, diz.
O guia insiste num ponto: o risco está em desumanizar o adversário, venha de onde vier. “Independente de direita ou esquerda, os radicais são perigosos na hora que você desumaniza as pessoas”, afirma. Ele também critica o uso banal de palavras como genocida, fascista e nazista, que segundo ele são repetidas “como papagaios” por quem não conhece a história. No recado final aos brasileiros, pede que as pessoas deixem a emoção de lado, estudem e conversem com quem pensa diferente.
Alpha for MenA entrevista de Lula à Playboy e a crise com Israel
Chiquini lembra no vídeo uma entrevista que Lula deu à revista Playboy em 1979, quando presidia o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e articulava a criação do PT. Ao listar personagens que o inspiravam, Lula citou Tiradentes, Gandhi e Che Guevara e disse que Hitler, “mesmo errado”, tinha “o fogo de se propor a fazer alguma coisa e tentar fazer”. Na mesma resposta, elogiou a determinação do aiatolá Khomeini. A fala voltou a circular várias vezes desde então.
O deputado eleito também diz que Lula é persona non grata em Israel. O fato é verdadeiro: em 19 de fevereiro de 2024, o então chanceler israelense, Israel Katz, declarou o presidente persona non grata depois de Lula comparar a ofensiva militar de Israel na Faixa de Gaza ao que Hitler fez com os judeus. Katz disse que a medida valeria até uma retratação. O governo brasileiro chamou de volta o embaixador em Tel Aviv, e Lula não se retratou.
O Holocausto matou cerca de 6 milhões de judeus na Europa, segundo o Museu Memorial do Holocausto dos Estados Unidos. Comparações entre adversários políticos e o nazismo são frequentes nos dois lados do debate brasileiro, como lembra o próprio guia no vídeo. A Folha não localizou manifestação pública do PT sobre o vídeo até a publicação desta reportagem.
Por que o vídeo foi cortado
A versão publicada pela Folha termina aos 8min33s. No trecho final, que ficou de fora, Chiquini repete a alegação de que a eleição de outubro foi fraudada, sem apresentar prova, e diz que só o Brasil e a Venezuela usam urna eletrônica, o que não é verdade. O Tribunal Superior Eleitoral proclamou o resultado do segundo turno e não há registro de fraude comprovada no pleito.
Quem é Jeffrey Chiquini
Advogado criminalista, Chiquini ganhou projeção na defesa de Filipe Martins, ex-assessor de Bolsonaro, e foi eleito deputado federal pelo Novo do Paraná em outubro. Desde a eleição, tem usado as redes para prometer oposição dura ao governo, como mostrou a reportagem sobre o discurso de Chiquini, e já se posicionou sobre a disputa pelo comando do Congresso, no caso de Alcolumbre e Motta. No dia do segundo turno, ele também publicou um desabafo depois de votar, registrado na reportagem Chiquini vota no 2º turno. Ele toma posse na Câmara em 1º de fevereiro de 2027.
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