Jeffrey Chiquini diz que não apoiará Alcolumbre nem Hugo Motta “em hipótese alguma”
Deputado eleito diz que os dois prometeram anistia há dois anos e não entregaram; no mesmo dia, aliados de Alcolumbre falaram em perdão a Bolsonaro.

O deputado federal eleito Jeffrey Chiquini (Novo-PR) avisou que não vai votar em Davi Alcolumbre (União-AP) nem em Hugo Motta (Republicanos-PB) se os dois disputarem a reeleição para as presidências do Senado e da Câmara em fevereiro de 2027. “Em hipótese alguma”, disse ele em vídeo publicado nesta quarta-feira (28) nas redes sociais. Jeffrey Chiquini repetiu a frase três vezes ao longo de quase três minutos de gravação.
O recado vem no mesmo dia em que aliados de Alcolumbre relataram que o senador estuda propor um indulto ou uma anistia a Jair Bolsonaro para conquistar votos da direita na eleição da Mesa do Senado. Os relatos não foram confirmados pelo próprio Alcolumbre.
O que Jeffrey Chiquini disse no vídeo
Chiquini abre a gravação com a manchete sobre o plano atribuído a Alcolumbre e pergunta se alguém ainda vai “cair nessa conversa”. A explicação dele para a recusa é que os dois presidentes já teriam prometido anistia aos condenados pelo 8 de janeiro na eleição anterior, há quase dois anos, e não entregaram. “Esses caras já nos traíram”, afirmou.
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Corpo e Alma MotelSeu momento, com toda a discrição.Alcolumbre e Motta foram eleitos em fevereiro de 2025 com o apoio do PL. A anistia ampla não foi votada nas duas Casas desde então. O que passou foi a Lei da Dosimetria (Lei 15.402/2026), que muda o cálculo das penas do 8 de janeiro e foi promulgada depois de o Congresso derrubar o veto presidencial. Chiquini reclamou que os presidentes não cobram o Supremo pela aplicação da lei. Em maio, o ministro Alexandre de Moraes suspendeu o uso da norma nos pedidos dos condenados até o plenário do STF julgar as duas ações que questionam a lei, as ADIs 7.966 e 7.967. O julgamento ainda não tem data.
O deputado eleito também disse que não está defendendo uma “direita limpinha”. Segundo ele, a recusa é por já ter sido enganado, e quem acreditar de novo “não é de direita”. Ele terminou dizendo que vai apoiar o candidato que tiver compromisso “com o povo e não com políticos”. No vídeo, Chiquini ainda criticou promessas de campanha de Lula, sem apresentar dados.

A proposta de mudar o regimento
Além da anistia, Chiquini disse que só apoiará candidatos à presidência da Câmara e do Senado que se comprometam a reformar os regimentos internos das Casas. O objetivo, segundo ele, é tirar dos presidentes o “poder exacerbado” de decidir sozinhos o que vai ou não a voto. Na fala dele, hoje é o presidente quem manda, e os deputados e senadores não conseguem tirá-lo do cargo depois de eleito.
Pelos regimentos atuais, cabe ao presidente de cada Casa definir a pauta do plenário, depois de ouvir os líderes partidários. É ele quem decide quais projetos vão a voto e quando, e é esse poder que Chiquini quer reduzir.
Alpha for MenComo está a disputa pelas presidências
Na Câmara, a reeleição de Hugo Motta já tem o apoio declarado de 15 partidos, mas o deputado eleito Rony Gabriel (Podemos-RS) também já avisou que não votará nele. A eleição da Mesa acontece no início da nova legislatura, em 1º de fevereiro, com votação secreta. O tamanho de cada partido na nova Câmara está no levantamento das bancadas da Câmara em 2027.
No Senado, o PL já lançou Rogério Marinho (PL-RN) como candidato contra Alcolumbre. É nesse cenário que surgiram os relatos sobre o perdão a Bolsonaro. Um indulto depende só de um decreto do presidente Lula, enquanto a anistia precisa passar pelo Congresso, como a Folha explicou na reportagem sobre o que decide o futuro de Bolsonaro.
Quem é Jeffrey Chiquini
Advogado, Chiquini foi eleito no primeiro turno, em 4 de outubro, com 425.399 votos, 6,81% dos válidos para deputado federal no Paraná, segundo o resultado oficial do TRE-PR. Na noite do segundo turno, ele já tinha prometido “a maior oposição” ao governo, num discurso que a Folha conferiu. Ele toma posse em 1º de fevereiro, no mesmo dia da eleição que vai escolher o presidente da Câmara.
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