Igreja do Padre Eustáquio em Patrocínio tem pedra fundamental abençoada por Dom Cláudio, e obra começa nesta terça
O terreno foi doado pela família Martins Galego, e o projeto da Angular Engenharia reproduz em escala menor o Santuário da Saúde e da Paz, de Belo Horizonte.

Uma caixa com moedas, o jornal do dia, a ata da cerimônia e uma cópia da planta foi lacrada no domingo (1º) na pedra fundamental da igreja do Padre Eustáquio, em Patrocínio (MG). O templo vai se chamar Igreja Beato Padre Eustáquio. Quem abençoou a pedra foi o bispo da Diocese de Patos de Minas, Dom Cláudio Nori Sturm, numa celebração à tarde no terreno da Paróquia São Damião de Molokai em que a obra vai sair.
A obra deve começar nesta terça-feira (3), segundo o padre Vinícius Maciel, vice-postulador da causa de canonização do religioso. Ele chamou a data de “especialíssima”: é o dia em que o Padre Eustáquio faria 136 anos.
O que foi guardado na pedra fundamental da igreja do Padre Eustáquio
Dom Cláudio explicou o gesto na própria cerimônia. “Nessa pedra colocamos coisas que são próprias do tempo em que vivemos. A moeda corrente, o jornal do dia, a ata, a planta da construção da igreja, uma cópia”, disse. A ideia, segundo ele, é que, se um dia alguém escavar o lugar, encontre ali o registro de como a igreja começou.
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“Esperamos que realmente seja uma igreja edificada com muito amor e que a população toda se empenhe para que se construa esta igreja”, afirmou Dom Cláudio.
Enquanto o prédio não fica pronto, as missas e os terços da comunidade continuam nas casas dos fiéis, disse o pároco da São Damião de Molokai, padre Alexandre Campos. A paróquia reúne 14 comunidades, e todas foram convidadas para a celebração. Também estiveram lá padres de outras comunidades e o superior provincial da congregação, padre Edivaldo.
Terreno doado e projeto inspirado no santuário de BH
O terreno foi doado pela família Martins Galego. Quem fez a ponte com a família foi o padre Pio, já falecido. Segundo o padre Vinícius, um grupo de famílias devotas, principalmente do São Lucas, pedia uma igreja dedicada ao beato havia mais de dez anos, desde a beatificação, em 2006. Ele lembrou que o lugar era um cafezal e comparou a doação à história do café em Patrocínio, feita por gente que veio de fora e plantou aqui.
Alpha for MenO projeto é da Angular Engenharia, de Serli Anceli, e foi doado à comunidade. Ele conta que a ideia vem de 2010. A filha dele, a engenheira Marcela, é a responsável técnica e fez a versão em 3D. A proposta é reproduzir, em tamanho menor, o Santuário da Saúde e da Paz, de Belo Horizonte, onde estão os restos mortais do Padre Eustáquio. Serli foi ao santuário, fotografou o prédio e desenhou a planta a partir dele, com fachada, cúpula e o interior todo em arcos.
Com a escala reduzida, algumas medidas mudaram, e ele deu um sentido religioso a cada uma. O santuário de BH tem 12 pilares; a igreja de Patrocínio terá 10, número que ele associa aos Dez Mandamentos. A cúpula segue apoiada em quatro pilares, como os quatro Evangelhos, mas com 7 metros entre eles em vez de 12, e o sete lembra os dias da criação.
Segundo Serli, a obra atrasou por causa da documentação do imóvel, que demorou bastante por causa da burocracia na Prefeitura em gestões passadas. A Diocese aprovou o projeto há pouco mais de um mês, e a topografia do terreno está praticamente pronta.
A fiel batizada pelo próprio beato
Entre os presentes estava Maria de Oliveira, que mora em Uberlândia e se apresenta como patrocinense. Ela foi batizada pelo Padre Eustáquio em 1933, em Romaria (MG), e levou à cerimônia o batistério e a ficha da missão, que ainda guarda. “A minha espiritualidade começou nas mãos do Padre Eustáquio”, disse.
Maria afirmou que quer ajudar na construção e participar da comunidade. Aos jovens, deixou um recado: “Vamos cultivar essa ideia, vamos trabalhar, vamos vivenciar essa fé desse momento e sempre”.

Quem foi o Padre Eustáquio
Humberto van Lieshout nasceu na Holanda em 3 de novembro de 1890 e entrou para a Congregação dos Sagrados Corações, a mesma que hoje atende a Paróquia São Damião de Molokai. Chegou ao Brasil em 1925 e passou dez anos em Água Suja, atual Romaria, onde ficou conhecido como Padre Eustáquio. Depois de passar por São Paulo, morou em Patrocínio entre 1941 e 1942 e seguiu para Belo Horizonte, onde morreu em 1943. Foi beatificado em 2006.
O padre Vinícius, que cuida da causa de canonização, disse que a documentação sobre um possível milagre já foi entregue em Roma, e que os documentos complementares pedidos depois também foram enviados. Segundo ele, um processo de canonização leva em média de 100 a 150 anos, e o Padre Eustáquio morreu há 83. Para que o beato seja declarado santo, a Igreja precisa reconhecer uma cura atribuída à intercessão dele, depois de análise médica e teológica. “O Padre Eustáquio é um homem do povo, um homem que visitava as casas”, disse o sacerdote.
Outras datas da Igreja em Patrocínio
Nesta segunda, Dia de Finados, as paróquias da cidade celebram missas em vários horários, como a Folha mostrou na lista de missas de Finados em Patrocínio. No começo de outubro, a Folha mostrou a festa de São Geraldo. O santuário de Romaria, onde o Padre Eustáquio viveu, também esteve no noticiário com a recuperação do padre Márcio Ruback, reitor do santuário.
A biografia de Dom Cláudio está na página da Diocese de Patos de Minas, à qual pertencem as paróquias de Patrocínio.
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