Presidência do Senado: chapa de Marinho e Tereza Cristina tem 32 votos certos, não 48; Alcolumbre é quem diz ter 48
PL e Novo somam 32 dos 41 votos necessários contra a reeleição de Alcolumbre. O número 48 que circula é a conta do próprio presidente do Senado, contestada pela oposição.

Circula nas redes a conta de que uma chapa de Rogério Marinho (PL-RN) e Tereza Cristina (PP-MS) teria pelo menos 48 votos na eleição para a presidência do Senado. Esse número não aparece em nenhum levantamento público. Pela projeção da Agência Senado para a próxima legislatura, a oposição a Davi Alcolumbre (União-AP) tem 32 votos certos: os 29 do PL e os 3 do Novo. Para vencer, são precisos 41 dos 81.
O número 48 existe na disputa, só que do outro lado. É a conta que aliados de Alcolumbre apresentam para a reeleição dele, e a oposição contesta: pelo cálculo de senadores contrários, o atual presidente teria hoje 38 votos. A própria Tereza Cristina, que quer ser candidata, projeta chegar a 42 se o PL fechar com ela e se ela somar apoios avulsos em outros partidos.

A conta de votos na presidência do Senado
A eleição será em 1º de fevereiro de 2027, em votação secreta, logo depois da posse dos senadores eleitos em outubro. A projeção da Agência Senado, feita com o resultado das urnas, dá ao PL 29 cadeiras, a maior bancada da Casa. Depois vêm PT (10), MDB (8), PP (6), União Brasil (5), Republicanos (5), PSD (4), PSB (4), Novo (3), PSDB (2) e Podemos (2). Rede, PDT e um senador sem partido ficam com uma cadeira cada. Esse quadro pode mudar com trocas de partido até a posse e com o julgamento, no Tribunal Superior Eleitoral, da vaga de Deltan Dallagnol (Novo-PR).
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Corpo e Alma MotelSeu momento, com toda a discrição.Os cinco partidos que já sinalizaram apoio a Alcolumbre (PT, MDB, PP, União Brasil e PSD) somam 33 senadores, oito a menos que a maioria. É daí que vem o número 33 que também circula nas redes. Para chegar aos 48 que diz ter, Alcolumbre conta ainda com Republicanos e Podemos, que deram sinais positivos, e com PSB, PDT e Rede, aliados do governo. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) declarou apoio à reeleição dele em 26 de outubro, um dia depois de vencer Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno.
Marinho ou Tereza Cristina
Na oposição, a dúvida é quem enfrenta Alcolumbre. Flávio anunciou, numa transmissão feita dos Estados Unidos, que o candidato do partido é Marinho, líder da oposição no Senado e coordenador da campanha presidencial dele, como a Folha contou na reportagem sobre a live de Flávio Bolsonaro. O PL se reúne na quarta-feira (4) para oficializar a candidatura.
Tereza Cristina, ex-ministra da Agricultura do governo Bolsonaro, diz que quer ser a primeira mulher a presidir o Senado. Ela manteve o plano mesmo depois de PP e União Brasil, a federação do partido dela, anunciarem apoio a Alcolumbre em 27 de outubro. Na resposta à nota, disse que o voto dos senadores é “livre, soberano e secreto”. Lideranças da oposição avaliam que o nome dela passaria com mais facilidade entre senadores de centro, mas ela não tem o respaldo da direção do próprio partido, como mostrou a reportagem sobre o apoio a Alcolumbre.
Os dois conversam desde agosto sobre uma candidatura única, para não dividir os votos da direita. Chapa, no sentido estrito, não existe nessa eleição: cada senador vota em um nome para a presidência, e os outros cargos da Mesa Diretora são escolhidos à parte. O acordo possível é um dos dois abrir mão em favor do outro.
Alpha for MenPor que o voto secreto embaralha a soma
Como a votação é secreta, nenhuma soma de bancadas garante resultado. Em 2023, Marinho disputou a presidência contra Rodrigo Pacheco (PSD-MG) e perdeu por 49 votos a 32. Na nova legislatura o PL terá quase o dobro de cadeiras, mas ainda vai precisar de pelo menos nove votos fora da própria bancada e do Novo, e de bem mais que isso se houver traições.
O Republicanos, de Hamilton Mourão (RS) e Damares Alves (DF), é um dos partidos que podem pesar. Segundo relatos de senadores, a direção da sigla deu sinais positivos a Alcolumbre, enquanto Damares já citou Tereza Cristina entre os nomes discutidos pela oposição. O partido não anunciou posição oficial.
Alcolumbre pode ser reeleito?
Pode. A Constituição proíbe a recondução para o mesmo cargo da Mesa na eleição imediatamente seguinte, e o Supremo Tribunal Federal decidiu em 2020 que a regra vale dentro da mesma legislatura. Como a de 2027 é uma legislatura nova, Alcolumbre pode concorrer, o mesmo caminho de Pacheco, eleito em 2021 e reeleito em 2023. Alcolumbre presidiu o Senado entre 2019 e 2021 e voltou ao cargo em fevereiro de 2025.
O que falta saber
Depois da reunião do PL, a oposição precisa decidir se vai de Marinho, de Tereza ou com os dois na disputa, o que dividiria os votos contra Alcolumbre. Também falta saber se a nota de PP e União vai segurar as bancadas no voto secreto. A Folha acompanha a disputa desde o início, na reportagem sobre Marinho e Alcolumbre, e atualiza esta matéria com a decisão do partido.
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