Múcio e o “abrir o portão”: frase sobre invasão dos EUA é de agosto e volta às redes junto com o corte de R$ 4,3 bi na Defesa
O ministro falou num evento da indústria em 4 de agosto. O bloqueio que suspendeu ações do Exército na fronteira é de maio, e Múcio deixa a Defesa em 2027.

A frase do ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, sobre abrir o portão numa invasão dos Estados Unidos voltou a circular nas redes neste fim de semana, ao lado do bloqueio bilionário no orçamento das Forças Armadas e da suspensão de operações do Exército na fronteira. Os três fatos são verdadeiros, mas nenhum é desta semana. A frase foi dita em 4 de agosto. O bloqueio de R$ 4,3 bilhões na Defesa é de maio, e a suspensão das operações veio a público no começo de junho.
A volta do assunto acontece num momento em que a pasta está em transição. Múcio avisou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) que não fica no cargo a partir de 2027, e o nome mais citado para a vaga é o da secretária-geral do ministério, Cinara Wagner Fredo, como a Folha mostrou na reportagem sobre Cinara Wagner Fredo.
O que Múcio disse sobre abrir o portão
A declaração foi dada numa terça-feira, 4 de agosto, num evento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) sobre transporte marítimo e indústria. Diante de uma pergunta hipotética sobre o que o Brasil faria se fosse invadido pelos Estados Unidos, o ministro respondeu: “Eu prefiro abrir o portão”. Em seguida, explicou o motivo: “Abrir o portão, porque a gente não tem equipamento para enfrentá-los nem tem dinheiro para consertar o portão”. A plateia riu.
Drogaria CentroAqui tem cuidado para todos.
Disk Cerveja do RenatinhoCerveja gelada na sua porta.
Monteiro Casa de CarnesO corte certo para o seu churrasco e o dia a dia.
OnNet TelecomMuito mais opções para viver cada história do seu jeito.
Digital Comunicação VisualFachadas, placas, adesivos e impressão.
Zé do LancheBateu a fome? O Zé resolve.
Rivelini DesentupidoraDesentupimento em Patrocínio e região
Corpo e Alma MotelSeu momento, com toda a discrição.Múcio usou a imagem para pedir mais dinheiro para a Defesa, e não para anunciar rendição. No mesmo discurso, comparou o investimento militar a um plano de saúde: “A gente escolhe o melhor torcendo para não precisar usar”. Também disse que às vezes falta coragem para pedir recursos, “porque o Brasil precisa de outras oportunidades”. O Ministério da Defesa não comentou a repercussão da fala na época.
A declaração saiu num período de atrito entre Brasília e o governo de Donald Trump, que meses depois voltaria a falar do Brasil ao comentar a eleição, como mostrou a reportagem em que Trump diz que a eleição foi uma desgraça.

O bloqueio na Defesa e as operações na fronteira
O corte que aparece junto com a frase nas redes é anterior a ela. Em maio, o governo bloqueou R$ 4,36 bilhões em despesas discricionárias da Defesa, as que não são obrigatórias, como parte do contingenciamento do Orçamento de 2026. Cerca de R$ 1,5 bilhão desse total era do Exército, segundo fontes militares ouvidas pela imprensa em junho.
Com o dinheiro retido, o Exército suspendeu ações de monitoramento e combate ao crime organizado na fronteira. A informação veio a público em 8 de junho, e o Ministério da Defesa não se manifestou quando foi procurado. Em junho, o próprio Múcio chegou a classificar a situação das Forças Armadas como “precaríssima”. Em 24 de julho, o governo sinalizou a liberação de parte dos recursos bloqueados, sem dizer quanto iria para a Defesa.
Alpha for MenAté a publicação desta reportagem, a Folha não encontrou um bloqueio novo na Defesa anunciado depois da eleição, nem nota do Exército sobre a situação atual das operações de fronteira.
Quanto o Brasil gasta com as Forças Armadas
Os números mostram por que o ministro reclama e por que a frase incomodou. Pelos dados do Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo (Sipri), o Brasil gastou US$ 23,9 bilhões com defesa em 2025, alta de 13% acima da inflação em relação ao ano anterior. Em proporção da economia, porém, o gasto caiu de 1,3% do PIB em 2016 para 1,1% em 2025.
A maior parte desse dinheiro vai para salários, aposentadorias e pensões de militares. Pesquisadores da área estimam que só de 6% a 8% do orçamento da Defesa sobra para modernização, compra de equipamento e pesquisa. Uma lei complementar aprovada em novembro de 2025 permitiu que até cerca de R$ 5 bilhões por ano em projetos estratégicos fiquem fora da meta fiscal, mas o valor não é repassado de forma automática.
Depois da repercussão da fala de agosto, Lula disse que a defesa deveria ser tratada como “extremamente urgente e prioritária” e que o tema entraria no programa de governo do quarto mandato.
O que muda em 2027
Lula toma posse em 1º de janeiro e ainda monta a equipe. Além da Defesa, estão em aberto ministérios como a Fazenda, e a agenda do presidente até dezembro inclui viagens à Turquia, às Filipinas, ao Uruguai e aos Estados Unidos, como contou a reportagem sobre as viagens de Lula.
O próximo ministro da Defesa vai herdar o mesmo problema que Múcio expôs com a frase do portão: um orçamento que cresce em valor, mas encolhe em proporção da economia, e que gasta a maior parte com pessoal. A proposta de Orçamento de 2027 ainda tramita no Congresso, e a fatia da Defesa pode mudar até a votação.
Este texto foi redigido com apoio de inteligência artificial, a partir da pauta, das fontes e das regras do editor-chefe. Saiba mais em Como usamos inteligência artificial.






