Vídeo de Helder Maldonado sobre bandeira de Israel: frentes repudiam fala de “botar fogo” em igrejas
A nota das frentes Brasil-Israel e evangélicas pede apuração do vídeo. Chiquini promete ir ao MP; a Folha não achou resposta de Maldonado nem registro de representação.

O vídeo de Helder Maldonado, autor e youtuber do canal Galãs Feios, virou alvo de uma nota de repúdio de frentes parlamentares porque fala de bandeiras de Israel em igrejas evangélicas. No trecho que circula nas redes, ele diz que quem tem a bandeira na igreja deve tirá-la, “ou a gente bota fogo”. A nota é de sexta-feira (30), e o deputado federal eleito Jeffrey Chiquini (Novo-PR) disse em vídeo, neste domingo (1º), que vai representar contra ele no Ministério Público. A Folha não encontrou, até esta segunda-feira (2), resposta de Maldonado nem registro de que a representação tenha sido protocolada.
O que Helder Maldonado diz no vídeo
O trecho que circula não mostra a data da gravação. Reportagens sobre o caso dizem que ele passou a ser compartilhado depois do fim da eleição. Na fala, o youtuber pergunta se há bandeira de Israel numa igreja, chama quem a exibe de “traidor da pátria” e afirma que, daqui para a frente, “só tem duas formas”: ou a bandeira sai, ou “a gente bota fogo”. Em outra parte, segundo as reportagens, ele inclui os evangélicos numa “ideia de sociedade” que, na avaliação dele, precisa ser combatida.
Dois dias antes da nota, Maldonado também havia escrito no X que a presença de bandeiras de Israel e dos Estados Unidos no Brasil faz parte de uma operação de influência, termo que usou para falar de Mossad e CIA. A Folha não verificou essa afirmação, que é opinião dele. O que se pode confirmar é o conteúdo do vídeo e as reações a ele.
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A nota das frentes parlamentares
Na sexta-feira (30), a Frente Parlamentar Brasil-Israel e as frentes evangélicas da Câmara dos Deputados e do Senado divulgaram uma nota conjunta contra as declarações. O texto afirma que “é inadmissível que líderes religiosos e comunidades de fé sejam alvo de manifestações de intolerância”, lembra a liberdade de crença e a proteção aos locais de culto previstas na Constituição e pede que as autoridades competentes apurem o episódio. A nota é assinada pela deputada Carla Dickson (PL-RN), pelo senador Carlos Viana (PL-MG) e pela deputada Greyce Elias (PL-MG), que ficou em terceiro lugar na votação para deputado federal em Patrocínio no primeiro turno.
O que diz Jeffrey Chiquini
Chiquini, que está em viagem a Israel e já publicou outros vídeos de lá, como o gravado no Knesset e o de uma visita a um museu, gravou uma resposta ao trecho. Ele diz que incitar o antissemitismo é crime no Brasil, afirma ter recebido o vídeo de mais de 15 pessoas e promete representar criminalmente contra Maldonado. Citou a Lei 7.716, de 1989.
No mesmo vídeo, o deputado eleito generaliza: diz que “a esquerda quer agora perseguir os evangélicos” e chama o PT de projeto nazista. São opiniões dele. Nem o trecho de Maldonado nem a nota das frentes mostram que o PT, a campanha de Lula ou o governo tenham defendido ou combinado qualquer ação contra igrejas, e a Folha não localizou posição oficial do partido sobre o caso.
O que a lei diz
A Lei 7.716, de 1989, pune quem pratica, induz ou incita discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional, com pena de um a três anos de reclusão (artigo 20). A Constituição, no artigo 5º, garante a liberdade de crença e a proteção aos locais de culto. Se a fala de Maldonado se enquadra em algum crime é uma avaliação que cabe ao Ministério Público e à Justiça, e não a quem divulga o vídeo. Quem apresenta uma representação não prova o crime: o Ministério Público decide se abre investigação.
Alpha for MenO que ainda não se sabe
Não há resposta de Maldonado ao caso, e a Folha não achou a data da gravação nem o vídeo completo, o que impede avaliar o que veio antes e depois do trecho. Também não há registro de investigação aberta. A matéria é atualizada se Maldonado se manifestar, se a representação for protocolada ou se o Ministério Público abrir apuração.
Este texto foi redigido com apoio de inteligência artificial, a partir da pauta, das fontes e das regras do editor-chefe. Saiba mais em Como usamos inteligência artificial.






