Laudo do celular de Vorcaro: defesa diz que 657 arquivos mudaram sob custódia da PF, e peritos federais contestam
Perito pago pela defesa pede os dados brutos do iPhone apreendido em 2025 e admite que os registros não provam adulteração; associação dos peritos da PF rebate.

O laudo do celular de Vorcaro chegou ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quinta-feira (29). Encomendado pela defesa de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, o parecer aponta 657 arquivos com conteúdo ou metadados alterados e 436 arquivos criados no iPhone 17 Pro do banqueiro depois que o aparelho passou à guarda da Polícia Federal (PF). O próprio perito diz que esses registros, sozinhos, não provam que alguém mexeu nas provas. Nesta sexta (30), a associação dos peritos da PF contestou a leitura da defesa.
O laudo também mexe com outra frente do caso. Do mesmo aparelho saíram as 52 mensagens que, segundo a PF, o banqueiro enviou ao ministro Alexandre de Moraes, e que abriram uma crise entre Moraes e o ministro André Mendonça dentro do STF.
O que diz o laudo do celular de Vorcaro
O parecer tem 76 páginas e foi assinado em 26 de outubro por Marcos Monteiro, assistente técnico da MM Forense contratado pela defesa. Os advogados Sérgio Leonardo e Engels Muniz o entregaram ao STF três dias depois.
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Corpo e Alma MotelSeu momento, com toda a discrição.Segundo o documento, o celular foi apreendido por volta das 22h de 17 de novembro de 2025, no Aeroporto de Guarulhos (SP), na véspera da Operação Compliance Zero. Os 657 arquivos alterados e os 436 novos têm data do dia seguinte. Numa busca mais ampla, o perito lista 999 arquivos com registro de modificação posterior à apreensão.
O laudo cita ainda registros de desbloqueio, modo avião e conexões USB na noite da apreensão, e aponta falhas no termo de apreensão, que não traz número de série nem IMEI do aparelho e tem lacres anotados à mão.
A defesa diz que recebeu da PF um relatório em formato UFDR, gerado pelo programa Cellebrite, e não os arquivos brutos da extração, feita em 19 de novembro de 2025 com o equipamento GrayKey. Sem esses dados, o perito afirma que não pode dizer que houve adulteração, mas também não descarta a hipótese. Para ele, as mudanças não podem ser classificadas como “automáticas, rotineiras ou inofensivas”.
O que a defesa pede ao STF
Os advogados pedem ao presidente do STF, Edson Fachin, que a PF entregue os dados originais do iPhone e os arquivos de aquisição do GrayKey. Citam a Súmula Vinculante 14, que garante à defesa acesso às provas já documentadas no inquérito. Também pedem que a prisão preventiva de Vorcaro seja trocada por medidas cautelares e, se a alteração for confirmada, que as provas extraídas do celular sejam anuladas.
Alpha for MenVorcaro está preso desde 4 de março, por ordem de Mendonça a pedido da PF. Em 13 de março, a Segunda Turma do STF formou maioria para manter a prisão. Na quarta-feira (28), a PF indiciou Vorcaro e mais 14 investigados por gestão fraudulenta, organização criminosa e lavagem de dinheiro. A defesa nega os crimes.
Peritos federais contestam a defesa
Em nota divulgada nesta sexta-feira (30), a Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais (APCF) afirmou que alteração em registro digital “não significa necessariamente adulteração do conteúdo probatório”. Segundo a entidade, o questionamento da defesa “não constitui, por si só, comprovação de falha na produção da prova pericial”, e a perícia federal segue os procedimentos de cadeia de custódia.
Essas regras estão no Código de Processo Penal, nos artigos 158-A a 158-F, incluídos pelo pacote anticrime de 2019. Elas tratam do registro, do lacre e do transporte de cada vestígio, da coleta ao descarte. A PF não havia se manifestado sobre o laudo até a publicação desta reportagem.
Em setembro, Mendonça e o ministro Luiz Fux já tinham enviado ofícios à PF pedindo suporte técnico para abrir os dados do celular de Vorcaro remetidos ao Supremo.

As mensagens a Moraes e a briga no STF
Em 1º de setembro, Mendonça, então relator do caso, retirou o sigilo da Petição 16.662, aberta depois que a PF apresentou novos dados sobre a rede de influência atribuída a Vorcaro. Em 10 de setembro, a pedido de Fachin, tirou o sigilo de outros 15 procedimentos da operação. Nesse período veio a público o relatório parcial da Compliance Zero com as 52 mensagens que, segundo os investigadores, o banqueiro mandou a Moraes. As respostas do ministro não foram recuperadas.
Moraes nega qualquer contato com o ex-banqueiro. Em março, uma nota do STF feita a pedido do gabinete dele afirmou que os prints de visualização única enviados por Vorcaro em 17 de novembro de 2025 estão em pastas de outros contatos do banqueiro. Em 11 de setembro, em ofício a Fachin, Moraes acusou Mendonça de “escolha seletiva” ao manter 180 documentos em sigilo e pediu o “imediato levantamento de todo e qualquer sigilo, sem exceção”. Os dois ministros pediram investigação um contra o outro, e a sessão sobre o tema terminou sem decisão.
No dia 12, Fachin levou a relatoria para a Presidência do STF. Nesta quinta (29), ele devolveu a Mendonça o inquérito do INSS e manteve o caso Master consigo por até 90 dias, contados de 12 de setembro, ou até o plenário decidir sobre o pedido de investigação envolvendo ministros da Corte.
O que falta saber
Ainda não há decisão sobre o pedido de acesso aos dados brutos nem sobre a soltura de Vorcaro. Também não se sabe se a PF vai responder ao laudo em juízo, nem se Fachin vai mandar fazer uma perícia independente no aparelho. Com os dados originais em mãos, a defesa quer comparar as duas extrações arquivo por arquivo para tentar mostrar se as 657 alterações vieram do próprio sistema do iPhone ou de outra origem, ponto que os peritos federais contestam.
Foto de destaque: fachada do Banco Master na Rua Elvira Ferraz, em São Paulo, em 19/11/2025. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil.
Este texto foi redigido com apoio de inteligência artificial, a partir da pauta, das fontes e das regras do editor-chefe. Saiba mais em Como usamos inteligência artificial.






