Os ministros do STF André Mendonça e Luiz Fux informaram à Polícia Federal, neste sábado (19), que não conseguiram abrir os dados extraídos do celular de Vorcaro, o ex-controlador do Banco Master. Cada um enviou um ofício ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, avisando que até a tarde deste sábado seus gabinetes não tiveram acesso efetivo ao conteúdo da mídia.

Ministro André Mendonça durante sessão do STF sobre o celular de Vorcaro
O ministro André Mendonça, do STF, durante sessão de julgamento. Foto: Rosinei Coutinho/STF

O que Mendonça e Fux disseram à PF

Nos ofícios, enviados separadamente, os dois ministros afirmam que a mídia em questão se refere ao telefone apreendido em 18 de novembro de 2025, na primeira fase da Operação Compliance Zero. Ambos levantam as mesmas hipóteses para a falha de acesso: dificuldade técnica e operacional dos próprios gabinetes ou algum defeito na mídia recebida da Polícia Federal.

Diante disso, Mendonça e Fux pedem que a PF dê o suporte técnico necessário e confira a integridade do material entregue, para que o acesso ao conteúdo do celular de Vorcaro seja destravado o quanto antes.

Por que o celular de Vorcaro importa

O episódio acontece em meio a uma crise dentro do STF provocada pelas mensagens encontradas no celular de Vorcaro. O conteúdo já revelou conversas do banqueiro com o advogado Rodrigo Fux, filho do ministro Luiz Fux, além de menções ao ministro Kassio Nunes Marques. São justamente essas referências a integrantes da própria Corte que tornam o acesso ao material um ponto sensível entre os ministros.

Na terça-feira (15), durante uma sessão do STF, Mendonça disse que só naquele momento soube que havia referências a outros integrantes do tribunal no material apreendido. Segundo ele, apesar de já ter recebido antes uma cópia de segurança da extração, ela permaneceu lacrada no gabinete e nunca chegou a ser acessada.

Ministro Luiz Fux, que também não conseguiu abrir o celular de Vorcaro
O ministro Luiz Fux, do STF, durante sessão de julgamento. Foto: Rosinei Coutinho/STF

Cinco ministros com acesso aos dados

A Polícia Federal havia entregado o material na quinta-feira (17), com uma cópia integral do que foi extraído do aparelho de Vorcaro. Com o envio, subiu para cinco o número de ministros do Supremo com acesso formal aos dados: Cristiano Zanin, Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes já haviam recebido o conteúdo diretamente da PF antes de Mendonça e Fux.

Na prática, porém, apenas três desses cinco ministros confirmaram conseguir abrir e examinar o material até agora. O impasse técnico relatado por Mendonça e Fux significa que dois quintos dos gabinetes com acesso autorizado ao celular de Vorcaro seguem sem conseguir avaliar o que de fato consta nos arquivos extraídos.

A crise no STF em torno do caso Vorcaro

O caso do celular de Vorcaro é o capítulo mais recente de uma sequência de atritos dentro do STF ligados à Operação Compliance Zero, que investiga fraudes no Banco Master. Na semana passada, a Segunda Turma do STF formou maioria pelo afastamento de Andrei Rodrigues da direção-geral da PF, ainda que o julgamento tenha ficado suspenso por um pedido de vista. Mais recentemente, a deputada Greyce Elias cobrou um julgamento imparcial do caso, citando o mesmo pano de fundo de mensagens ligadas ao Banco Master.

Enquanto o impasse técnico em torno da mídia apreendida não é resolvido, o conteúdo do celular de Vorcaro segue como um dos pontos mais sensíveis do noticiário sobre o Supremo, por envolver diretamente familiares e colegas de ministros da própria Corte.

O que é a Operação Compliance Zero

A Operação Compliance Zero é a investigação da Polícia Federal sobre supostas fraudes contábeis e financeiras no Banco Master, instituição que teve intervenção do Banco Central em novembro de 2025. A primeira fase da operação, deflagrada em 18 de novembro daquele ano, resultou na apreensão do celular de Vorcaro, então controlador do banco, além de outros aparelhos e documentos ligados ao caso.

Desde então, o material extraído do telefone tem sido tratado como uma das provas mais sensíveis do processo, justamente por conter conversas que extrapolam o círculo direto de Vorcaro e chegam a nomes ligados ao próprio Judiciário. É esse alcance que explica por que o acesso aos dados passou a envolver diretamente ministros do STF, e não apenas as equipes técnicas da Polícia Federal.


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Gustavo Brasileiro, prefeito de Patrocínio. Foto: Prefeitura de Patrocínio/Divulgação

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