Voto em Hugo Motta: Chiquini diz que quem votar nele “não é de direita”, e o Novo anuncia candidato próprio à Câmara
Em vídeo, o deputado eleito do Novo critica a reeleição do presidente da Câmara e defende o fim do voto secreto. A Folha não encontrou resposta de Motta ao vídeo nem à nota do partido.

O voto em Hugo Motta (Republicanos-PB) para a presidência da Câmara “não é de direita”, disse o deputado federal eleito Jeffrey Chiquini (Novo-PR) em vídeo publicado nesta terça-feira (3). Chiquini afirma que o Novo, que terá 10 deputados na próxima legislatura, não apoiará Motta e lançará candidatura própria, e defende que o voto para presidente da Câmara deixe de ser secreto. O Novo confirmou no mesmo dia, em nota, que terá candidato próprio e não apoiará a reeleição “em nenhuma hipótese”.
A eleição da Mesa Diretora está marcada para 1º de fevereiro de 2027, e a fala de Chiquini é uma opinião política, não um fato apurado. A Folha reúne abaixo o que ele disse, o que está confirmado sobre a disputa e o que Motta ainda não respondeu.
O que Chiquini disse sobre o voto em Hugo Motta
No vídeo, de cerca de três minutos, o deputado eleito diz que quem votar em Motta “não é de direita e ponto final”. Ele chama o atual presidente da Câmara de “marionete do Lula e da ala lulista do STF”, afirma que Motta “foi chamado de número um do Vorcaro”, que não instaurou a CPI do caso Master e que prometeu pautar a anistia aos condenados pelo 8 de janeiro e não pautou. São acusações e adjetivos de Chiquini, e a Folha não os confirma como fatos.
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Corpo e Alma MotelSeu momento, com toda a discrição.Chiquini também rebate o argumento de que apoiar Motta garantiria comissões à direita. Segundo ele, o presidente da Câmara aprova projetos em regime de urgência, sem passar por comissões, e por isso o poder do cargo precisa ser reduzido. Ele defende mudar o regimento interno para tirar esse “poder exacerbado” do presidente e diz que o novo presidente deveria colocar a anistia em votação no primeiro dia de mandato.

O Novo terá candidato próprio
O partido Novo anunciou, em nota divulgada nesta terça, que lançará candidatura própria à presidência da Câmara e que não apoiará, “em nenhuma hipótese”, a reeleição de Motta. O objetivo declarado é apresentar uma alternativa “comprometida com a independência do Poder Legislativo”. O nome do candidato ainda não foi divulgado. Segundo a legenda de uma foto que acompanha o anúncio, a bancada do partido passou de 3 para 10 deputados eleitos em relação a 2022.
A decisão atende em parte a uma exigência do PT, que só apoia Motta se PL e Novo ficarem fora do bloco da reeleição. Esse bloco, já com o PT, reúne partidos que somam 361 deputados eleitos, entre eles União Brasil, PP, PSD, MDB, Republicanos, PSB e PDT. O PL terá a maior bancada, com 121 deputados, e ainda não confirmou se apoiará a reeleição. A Folha mostrou, em o aviso do PT sobre o bloco de Motta, como a presença do PL e do Novo travou a composição da base.
O voto secreto e as regras da disputa
A votação para presidente da Câmara é secreta, e para vencer é preciso de ao menos 257 dos 513 votos. Chiquini defende acabar com o sigilo: segundo ele, o eleitor precisa saber como cada deputado votou, “para daqui quatro anos não vir dizer que é de direita”. Motta foi eleito em fevereiro de 2025 com 444 votos. A Folha mostrou, em a ameaça de Zé Trovão de disputar a presidência, que o deputado do PL cogita lançar o próprio nome se o partido não tiver candidato competitivo.
Alpha for MenO que já tinha dito e o que Motta responde
Não é a primeira vez que Chiquini trata do tema. A Folha mostrou, em o vídeo em que Chiquini diz que não apoiará Alcolumbre nem Motta, que ele já havia rejeitado os dois nomes em 28 de outubro, ao lembrar a promessa não cumprida de anistia. Sobre a anistia, Motta já afirmou publicamente que não há consenso na Câmara para um texto amplo. Sobre a CPI do Master, ele disse que o pedido teria “tratamento regimental”. A Folha não encontrou, até agora, resposta de Motta ao vídeo desta terça nem ao anúncio do Novo.
Informações oficiais sobre a eleição da Mesa e sobre o regimento ficam no portal da Câmara dos Deputados.
O que a Folha ainda não sabe
Faltam o nome do candidato do Novo, a posição do PL, que decide na quarta-feira (4) se terá nome próprio, e a resposta de Motta às críticas. A Folha atualiza esta reportagem quando houver novidade.
Reprodução. Jeffrey Chiquini (Novo-PR), deputado federal eleito.
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