Como se vota em Israel: Chiquini mostra a urna de papel e diz preferir a eletrônica
Em vídeo de 20 segundos, o deputado federal eleito diz que prefere a urna eletrônica. Veja como funciona o voto em papel de Israel, da ficha de partido ao Knesset.

Como se vota em Israel virou assunto no Brasil depois de um vídeo de 20 segundos publicado nesta segunda-feira (2) pelo deputado federal eleito Jeffrey Chiquini (Novo-PR). Diante de uma cabine azul com a bandeira israelense, ele diz que o país está “atrasado” e comenta o voto “no papelzinho”. A legenda é “Prefiro a urna eletrônica”. Israel não tem urna eletrônica: o eleitor vota em papel, o partido ganha cadeiras pela proporção de votos e a contagem é feita à mão. O governo que sai da eleição de 27 de outubro ainda não está formado.
O que Chiquini mostra no vídeo
A gravação tem pouco menos de 21 segundos e foi feita pelo próprio deputado, em modo selfie. Ele aparece ao lado de uma cabine azul, com a estrela de Davi, e de um homem de terno que acompanha a cena. Pelo que se ouve, Chiquini diz que Israel “não tem tecnologia”, pede que o espectador veja “como Israel vota” e conclui que “isso aqui está atrasado”, em referência ao voto “no papelzinho”. Perto do fim, ele mostra a abertura da urna de papel.
O vídeo não mostra eleitor votando nem a contagem, e a Folha não conseguiu saber onde ele foi gravado. O deputado está em viagem a Israel, onde esteve no Parlamento, o Knesset, segundo o que a Folha já publicou sobre a passagem de Chiquini em Israel. Na mesma viagem, ele comparou o PT ao nazismo em visita a um museu.
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Como se vota em Israel, passo a passo
O eleitor apresenta um documento com foto na seção em que está registrado e recebe um envelope. Na cabine, escolhe uma ficha de papel com as letras do partido, coloca no envelope, fecha e deposita na urna. O voto é em lista, e não em candidato: a ficha leva a sigla do partido, e não o nome de uma pessoa. Se o envelope tiver duas fichas de partidos diferentes, o voto é anulado.
Quem não vota na sua seção, como pacientes de hospital, presos e policiais em serviço, usa um envelope duplo, e esses votos só são abertos e contados depois dos demais, numa apuração à parte. A contagem é manual e depois digitada num sistema que não é conectado à internet. Quem divulga o resultado é o Comitê Central de Eleições. O dia da votação é feriado nacional, e o voto não é obrigatório.
O governo israelense explica a escolha pelo papel como uma forma de reduzir o risco de ataque cibernético, segundo o guia oficial do Comitê Central de Eleições. Israel tem um setor de tecnologia forte, então manter o papel é uma decisão política, e não falta de recurso.
Como as 120 cadeiras do Knesset são distribuídas
O Parlamento de Israel tem 120 cadeiras e uma única circunscrição nacional. Não existem distritos nem votação por estado, como no Brasil. Todos os votos do país entram na mesma conta, e cada lista recebe cadeiras na proporção da votação. Para entrar, o partido precisa de pelo menos 3,25% dos votos válidos, a chamada cláusula de barreira. Quem fica abaixo não recebe cadeira, qualquer que seja o número de votos.
Alpha for MenNa eleição de 27 de outubro, três listas ficaram de fora: os Reservistas (2,7%), o Povo de Israel (1,7%) e o Público Haredi (0,2%), segundo os números divulgados pelo Comitê Central de Eleições. A participação foi de 77,9%, com 5.716.665 votos. O Likud, de Benjamin Netanyahu, ficou com a maior bancada, 27 cadeiras. O bloco que apoia Netanyahu somou 53 cadeiras, a oposição somou 48 e os partidos árabes, 19. Nenhum lado chegou às 61 cadeiras que formam a maioria. Os resultados oficiais seguem ao presidente Isaac Herzog em 4 de novembro, e o novo Knesset toma posse em 10 de novembro.
Quem forma o governo depois da votação
O primeiro-ministro não sai direto da urna. Depois da apuração, o presidente consulta os partidos e indica o parlamentar com mais chances de montar uma maioria. Esse nome tem até 42 dias para negociar uma coalizão e precisa de 61 votos no Knesset para o governo tomar posse. Se não conseguir, o presidente pode passar a tarefa a outro parlamentar, e, se o prazo se esgotar sem governo, o país pode ter nova eleição. Nenhum partido israelense governou sozinho até hoje, e por isso o governo sempre sai de uma coalizão.
O que muda em relação ao Brasil
No Brasil, o voto é obrigatório e eletrônico, e o eleitor escolhe candidatos de seu estado. A urna eletrônica foi adotada em 1996 e hoje é usada em todo o país. Brasileiros no exterior também votam em urna eletrônica, nos consulados. A parcial do exterior no segundo turno mostra como esse voto aparece na apuração. A comparação do vídeo coloca lado a lado dois modelos: no brasileiro, o voto é registrado numa máquina, e no israelense, num papel contado por pessoas.
O vídeo não diz onde a cabine fica nem em que ocasião foi gravado. A Folha não localizou resposta de Chiquini sobre o trecho em que ele fala em tecnologia, e o espaço segue aberto para ele.
Este texto foi redigido com apoio de inteligência artificial, a partir da pauta, das fontes e das regras do editor-chefe. Saiba mais em Como usamos inteligência artificial.






