Lula e Dilma: reeleitos com 51,64% e 51,79%, mas só uma caiu em 22 meses
A Folha pôs os números das duas reeleições lado a lado. Dilma foi afastada em 2016, e hoje não há pedido de impeachment contra Lula em andamento.

Dilma Rousseff foi reeleita em 26 de outubro de 2014 com 51,64% dos votos válidos e foi afastada do cargo em 31 de agosto de 2016, cerca de 22 meses depois. Luiz Inácio Lula da Silva foi reeleito em 25 de outubro de 2026 com 51,79%. A comparação entre Lula e Dilma circula nas redes desde a vitória, com a tese de que Lula “segue o mesmo caminho”. A Folha pôs os números lado a lado, e o resultado é claro em um ponto: hoje não existe pedido de impeachment contra Lula em andamento. Abaixo, o que os dois casos têm em comum e o que os separa.
Os números das duas reeleições
Em 2014, Dilma venceu Aécio Neves por 3,28 pontos percentuais, uma diferença de 3.459.963 votos. Em 2026, Lula venceu Flávio Bolsonaro por uma diferença de 4.430.191 votos, segundo os números da apuração, como a Folha mostrou na reportagem sobre a reeleição de Lula. As duas vitórias foram apertadas, e as duas deixaram o país dividido. Esse é o ponto de contato mais forte entre os casos, e ele para aí: uma eleição disputada não é, por si só, um processo de afastamento.

Como foi o impeachment de Dilma, passo a passo
O processo de 2016 não começou logo depois da eleição. O então presidente da Câmara, Eduardo Cunha, aceitou o pedido em 2 de dezembro de 2015, mais de um ano depois da reeleição, com o governo já em recessão e sem maioria no Congresso. A acusação foi de crime de responsabilidade, ligada às chamadas pedaladas fiscais, o atraso no repasse de dinheiro a bancos públicos, e a decretos de gastos sem autorização do Congresso.
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Corpo e Alma MotelSeu momento, com toda a discrição.Em 17 de abril de 2016, a Câmara autorizou a abertura do processo por 367 votos a 137. Em 12 de maio, o Senado aceitou a denúncia por 55 a 22, e Dilma foi afastada temporariamente. Em 31 de agosto, o Senado a condenou por 61 votos a 20 e ela perdeu o mandato. Pela Constituição, a condenação exige dois terços do Senado, ou seja, 54 dos 81 senadores.
O que a Constituição exige para afastar um presidente
O caminho é o mesmo hoje. Qualquer cidadão pode apresentar um pedido, mas só o presidente da Câmara decide se o aceita. Depois, a abertura do processo precisa de dois terços dos 513 deputados, o que dá 342 votos, e a condenação, de dois terços do Senado. Sem crime de responsabilidade apontado e sem esses votos, nada anda. O Senado que toma posse em 2027 terá 28 senadores do PL, de 81, número que a Folha levantou ao fazer a conta da próxima legislatura. É uma bancada grande, mas longe dos 54 votos que uma condenação pede.
O que existe hoje contra Lula
A Folha procurou um pedido de impeachment contra Lula depois da reeleição e não achou nenhum em tramitação. O que existiu foi um pedido apresentado em 2025 por causa do caso do pé-de-meia, e o presidente da Câmara, Hugo Motta, afirmou que o tema não estava no horizonte. Não há acusação formal de crime de responsabilidade nem votação marcada. A tese de que Lula pode ter o destino de Dilma, por enquanto, é uma previsão de quem a defende, e não um fato.
Os embates recentes do governo ficaram na esfera eleitoral e judicial, como na guerra dos canais, que foi parar no TSE, e na ação sobre as mensagens do GovBR. Nenhum deles virou pedido de afastamento.
Alpha for MenO que a comparação mostra e o que ela não mostra
A comparação mostra um país dividido logo depois de uma reeleição apertada, com oposição forte no Senado e uma disputa que continua nas redes e nos tribunais. Também mostra que um governo sem maioria no Congresso fica mais exposto, como ficou o de Dilma. Isso vale para qualquer presidente.
O que ela não mostra é um motivo jurídico. O impeachment de 2016 teve uma acusação específica, a decisão de um presidente da Câmara contrário ao governo e uma base governista que se desfez. Nenhuma dessas três peças está posta contra Lula, segundo o que a Folha apurou. Opinião de comentarista sobre o futuro não é fato, e a Folha trata a tese como o que ela é, uma aposta política. O contexto pesa: a oposição ainda disputa o resultado nas redes, como se viu na comparação do Brasil com a Venezuela, e isso vai aparecer a cada semana.
O que acompanhar
Os sinais concretos serão três: a apresentação de um pedido de impeachment com acusação formal, a posição do presidente da Câmara sobre ele e a formação da maioria no Congresso a partir de fevereiro de 2027. A Folha atualiza esta reportagem se qualquer um deles aparecer.
Este texto foi redigido com apoio de inteligência artificial, a partir da pauta, das fontes e das regras do editor-chefe. Saiba mais em Como usamos inteligência artificial.






