Ives Gandra diz que o exterior já compara o Brasil à Venezuela, mas a Folha só achou um advogado da Trump Media
O jurista falou da Bolsa, do dólar e do STF em vídeo de 30/10. A comparação com Maduro que a Folha achou vem de um advogado da Trump Media, e a Bolsa caiu 18% na semana.

O jurista Ives Gandra Martins afirmou, em vídeo divulgado na sexta-feira (30), que o exterior já compara o Brasil de Lula à Venezuela de Nicolás Maduro. A Folha procurou quem faz essa comparação e achou, até aqui, um advogado da Trump Media, Martin De Luca, cuja publicação foi repassada por Donald Trump Jr. É um nome só, e não o que se costuma chamar de “o exterior”. Abaixo, o que Gandra disse, os números que ele usa e o que a Folha conseguiu conferir.
O que Ives Gandra disse sobre a Bolsa, o STF e a Venezuela
A Folha não achou o vídeo na íntegra, e as falas abaixo vêm dos resumos e das citações divulgadas. Segundo eles, Gandra diz que a queda da Bolsa mostra que a economia não confia no presidente Lula, e lembra a alta do dólar. Para ele, decisões recentes do Supremo favoreceram Lula e prejudicaram os conservadores, e uma medida do ministro Alexandre de Moraes encerrou a pacificação que o presidente tinha proposto. O trecho mais citado é este: “Mas o que é pior, a meu ver, é a imagem que isso vai dar para o exterior”.
Gandra também fala da saída de Flávio Bolsonaro do país e de uma tentativa do ministro Flávio Dino de barrar um debate do primeiro turno, e diz que o conjunto passa ao exterior a imagem de perseguição política. Ao comparar com o caso venezuelano, afirma: “Lá fugiu mesmo, aqui não”. Tudo isso é avaliação do jurista, e não decisão de tribunal nem dado oficial.
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Na sexta (23), antes do segundo turno, o dólar fechou a R$ 4,993 e o Ibovespa a 205.082,56 pontos. Uma semana depois, na sexta (30), o dólar fechou a R$ 5,44 e o Ibovespa a 167.921,80 pontos, uma queda de cerca de 18% na semana e a quinta baixa seguida. Na abertura de segunda (26), a B3 parou as negociações por causa do circuit breaker, pela primeira vez desde março de 2020, como a Folha mostrou na reportagem sobre o circuit breaker na B3. As regras desse freio estão no site da B3.
Que a Bolsa caiu e o dólar subiu é fato. Dizer que isso prova a falta de confiança no governo é interpretação, e outros fatores também pesam, como a dúvida sobre o ajuste fiscal do próximo mandato. Gandra escolhe uma explicação, e é direito dele. A Folha só separa o número da leitura.

Quem compara o Brasil à Venezuela, até aqui
A comparação que a Folha encontrou veio de Martin De Luca, advogado da Trump Media, que criticou a decisão do ministro Cristiano Zanin de estender a votação do segundo turno, chamou a medida de “manipulação flagrante” e comparou Lula a Maduro. Ele não apresentou prova de fraude. Donald Trump Jr. compartilhou o texto, como a Folha mostrou na reportagem sobre o advogado da Trump Media. Donald Trump chamou a votação de “vergonha”, mas não respondeu quem considera o vencedor legítimo e disse que não tomou partido. Um artigo de opinião do jornal alemão Welt também questionou o Estado de Direito no Brasil, mas é a tese de um autor.
A Folha conferiu a tese de que Trump prepara uma ação militar contra o Brasil e não achou anúncio, documento nem declaração oficial que a sustente, como mostra a checagem sobre a suposta invasão do Brasil. O mesmo vale para a suposta operação da CIA citada em cards que circulam nas redes. Ou seja, o exterior que compara o Brasil à Venezuela, nos casos documentados, é um advogado e um filho de presidente que repassou o texto dele, e não um governo.
Alpha for MenO que aconteceu de fato com a Venezuela de Maduro
A comparação de Gandra junta o Brasil a um país cujo presidente foi capturado em 3 de janeiro de 2026 por forças dos Estados Unidos, que o levaram, com a mulher, Cilia Flores, para os Estados Unidos. Maduro responde na Justiça de Nova York, acusado de narcoterrorismo e de conspiração para importar cocaína. Nada parecido está em curso no Brasil, segundo o que a Folha apurou.
O que a Folha conferiu sobre Flávio Bolsonaro
Gandra contrasta a saída de Flávio com a do opositor venezuelano. Flávio deixou o Brasil apesar de uma ordem judicial que o proibia de sair, e a Polícia Federal cancelou os passaportes depois do prazo para a entrega. Nos Estados Unidos, a família entrou com uma permissão temporária de permanência por motivo humanitário, válida por um ano, como mostra a reportagem sobre Flávio em Miami. Sobre Flávio Dino, a Folha não encontrou registro de decisão que barrasse um debate do primeiro turno. O que se noticiou foi que Flávio desistiu do debate da Globo, em 1º de outubro, falando em censura do TSE.
O que falta saber
A Folha não achou resposta do Planalto, de Alexandre de Moraes nem de Flávio Dino às falas de Gandra, e não conseguiu ver o vídeo inteiro. Se o jurista citar fontes ou exemplos de governos estrangeiros que fazem a comparação, a Folha atualiza esta reportagem.
Este texto foi redigido com apoio de inteligência artificial, a partir da pauta, das fontes e das regras do editor-chefe. Saiba mais em Como usamos inteligência artificial.






