Jovem de Perdizes é morta a tiro em Rifaina, e polícia investiga feminicídio
Priscila Lacerda Custódio Pribya, de 24 anos, foi baleada após discutir com um pecuarista de 62 anos com quem se relacionava; ele fugiu e não foi localizado.

A jovem Priscila Lacerda Custódio Pribya, de 24 anos, natural de Perdizes (MG), foi morta a tiro na noite de terça-feira (27) às margens da Rodovia Cândido Portinari (SP-334), no km 463, em Rifaina (SP). O suspeito é um pecuarista de 62 anos com quem ela mantinha um relacionamento. A Polícia Civil de São Paulo investiga o caso como feminicídio, e até a noite desta quarta-feira (28) o homem não havia sido localizado.
Priscila foi sepultada nesta quarta, às 18h, no Cemitério Municipal de Perdizes, depois de velada desde as 14h no Velório Municipal da cidade, segundo a Funerária São Lázaro.
O que diz o boletim de ocorrência
De acordo com o registro policial, a jovem viajou a Rifaina para devolver uma caminhonete Toyota Hilux que pertencia ao suspeito. Ele teria exigido a devolução do veículo e pedido que ela fosse até a cidade. Com medo, segundo o boletim, Priscila pediu ao irmão e a uma amiga que a acompanhassem. O irmão levou a Hilux desde Perdizes, e as duas seguiram em outro carro.
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Corpo e Alma MotelSeu momento, com toda a discrição.Por volta das 21h, na entrada de uma propriedade rural, o grupo encontrou o pecuarista, que estava em um Toyota Corolla branco acompanhado de outros homens em veículos diferentes. Começou uma discussão. Segundo o relato registrado pela polícia, ele acusou a jovem de ficar com dinheiro dele, exigiu que ela entregasse o celular e questionou uma viagem recente dela a Sacramento (MG), insinuando que ela tinha ido encontrar outro homem. Priscila respondeu que tinha acompanhado a mãe e disse que queria ir embora e encerrar o relacionamento.
Ainda conforme o boletim, durante a discussão sobre o celular o homem sacou uma arma e atirou contra a jovem. Em seguida, teria apontado a arma para o irmão dela, que correu para se proteger, e fugido na própria Hilux.
Socorro, buscas e investigação
O irmão colocou Priscila em um Volkswagen Gol e a levou ao hospital de Rifaina, mas ela não resistiu ao ferimento. A Polícia Militar foi ao hospital e depois à propriedade do suspeito, onde encontrou apenas um neto dele. A mancha de sangue às margens da rodovia foi preservada para a perícia, e o celular da vítima foi apreendido para análise.
Uma amiga contou à Polícia Civil que, quatro dias antes do crime, na sexta-feira (23), Priscila tinha marcas de agressão e relatou ameaças de morte feitas pelo mesmo homem. Esse depoimento consta do inquérito, que apura também a fuga do suspeito. A defesa dele não foi localizada. Como o suspeito não foi preso nem indiciado formalmente até a publicação, a Folha não divulga o nome dele.
Alpha for MenJovem de Perdizes: o que diz a lei sobre feminicídio
O feminicídio é o assassinato de uma mulher por razões da condição de sexo feminino, o que inclui a violência doméstica e familiar. Desde a Lei 14.994/2024, conhecida como pacote antifeminicídio, o crime é tipificado de forma autônoma no Código Penal, com pena de 20 a 40 anos de reclusão, a maior prevista na legislação brasileira.
No caso da jovem de Perdizes, o boletim registra uma agressão quatro dias antes e a decisão dela de terminar o relacionamento minutos antes do tiro. Na região, a Folha registrou neste mês uma tentativa de feminicídio em Patos de Minas, que terminou com tiros contra a Polícia Militar. Em agosto, um feminicídio em Contagem matou uma manicure dentro do próprio salão. Perdizes também esteve no noticiário policial em agosto, quando um corpo foi encontrado no município.
Onde pedir ajuda
Mulheres em situação de violência podem ligar para a Central de Atendimento à Mulher, no 180, que funciona 24 horas, de graça e com sigilo. Em emergência, o número é o 190, da Polícia Militar. A medida protetiva pode ser pedida na delegacia, sem advogado, e o juiz tem 48 horas para decidir.
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