Renato Cariani diz que pedido de condenação do MP-SP é o mesmo processo de 2023
Gaeco aponta 12 toneladas de insumos químicos desviados entre 2014 e 2020; a defesa diz confiar na absolvição, e o empresário responde ao processo em liberdade.

O influenciador e empresário Renato Cariani publicou um vídeo nesta quarta-feira (28) para dizer que o pedido de condenação feito pelo Ministério Público de São Paulo não é um caso novo. “É o mesmo assunto, é sobre o mesmo processo”, afirmou, sentado em uma academia. O MP-SP entregou as alegações finais da ação penal em que Cariani é réu por tráfico de drogas, associação para o tráfico e lavagem de dinheiro. Somadas, as penas vão de 16 a 51 anos de prisão, se a acusação for aceita por inteiro.
Ele tem razão sobre a origem do caso, e o pedido também é fato novo. O processo é o mesmo que nasceu da Operação Hinsberg, da Polícia Federal, em dezembro de 2023. O que mudou nesta semana foi a fase: com a instrução encerrada, a acusação apresentou suas conclusões e pediu que o juiz condene o empresário. Agora a defesa entrega as alegações dela, e só depois sai a sentença. Cariani responde em liberdade, e o pedido do Ministério Público não leva a prisão automática.
O que Renato Cariani disse no vídeo
Na gravação, de pouco mais de 40 segundos, Cariani lembra aos seguidores que acompanham o caso desde o começo. “Em 2023 a minha empresa foi vítima de uma quadrilha que acabaram desviando produtos químicos”, disse. Segundo ele, ainda não se sabe ao certo para que os produtos foram usados, e ele e a sócia respondem porque a empresa “tem que ser responsabilizada”.
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Em nota, a defesa disse que o pedido não surpreende, que é uma etapa natural do processo e que vai mostrar nas suas alegações finais que as acusações são improcedentes. “Temos convicção de que esse julgamento conduzirá à absolvição de Renato Cariani”, afirmaram os advogados.

O que diz a acusação
Segundo o Gaeco, grupo do MP-SP que combate o crime organizado, a Anidrol Produtos para Laboratórios, empresa de Cariani e da sócia Roseli Dorth, teria vendido insumos químicos que acabaram no refino de cocaína e de crack. Para esconder o destino, ainda segundo a acusação, a empresa emitia notas fiscais que simulavam vendas a multinacionais. Uma delas, a farmacêutica AstraZeneca, negou ter comprado os produtos.
A investigação contou cerca de 60 transações desse tipo entre 2014 e 2020. A lista de produtos inclui fenacetina, acetona, éter etílico, ácido clorídrico, manitol e acetato de etila, num total de 12 toneladas, de acordo com o Ministério Público. Nas operações, pessoas usadas como laranjas faziam depósitos em dinheiro vivo e se apresentavam como funcionárias das empresas compradoras.
Alpha for MenAlém de Cariani, o MP-SP pediu a condenação de Fábio Spíndola Mota, apontado como intermediário no fornecimento das substâncias, e de Rodrigo Gomes Pereira, que, segundo a acusação, movimentava o dinheiro. Para duas rés, Roseli Dorth e Andréia Domingues Ferreira, o pedido foi de absolvição. Todos são tratados como inocentes até a sentença.
Da operação da PF ao pedido de condenação
A Polícia Federal fez buscas na casa e na empresa de Cariani em dezembro de 2023 e o indiciou no mesmo mês. Em fevereiro de 2024, a Justiça de São Paulo aceitou a denúncia do Ministério Público por todos os crimes apontados, e ele virou réu. Na época, o influenciador gravou vídeos em que negava qualquer envolvimento com drogas e dizia que a empresa tem quatro décadas de história.
A defesa tentou derrubar a ação no Supremo Tribunal Federal. Em novembro de 2025, o ministro Cristiano Zanin negou um habeas corpus que pedia a anulação do processo por incompetência da Justiça paulista. Para o ministro, a investigação respeitou os limites legais, e eventual mudança na classificação dos crimes pode ser discutida pelo próprio juiz da causa.
Os crimes estão previstos na Lei de Drogas (Lei 11.343/2006), que pune também quem fornece matéria-prima destinada à fabricação de entorpecentes, e na Lei 9.613/1998, de lavagem de dinheiro.
Por que o caso de Renato Cariani voltou agora
Cariani é um dos nomes mais conhecidos do mundo fitness no país, com milhões de seguidores. Em 2026, ganhou espaço também na política: em julho lançou, com o influenciador Julio Balestrin, uma série de entrevistas com presidenciáveis em academia, e o senador Flávio Bolsonaro aceitou o convite. No ano anterior, o PP chegou a sondá-lo para disputar uma vaga de deputado por São Paulo, e ele respondeu que não tinha pretensão de carreira política. Ele não foi candidato.
O pedido do MP-SP chegou três dias depois do segundo turno, e foi a isso que ele se referiu ao falar em “pós-eleição”. O prazo das alegações finais, porém, depende do andamento da ação, e não do calendário eleitoral.
Na região, o tráfico também ocupou o noticiário. Nesta semana, a Polícia Militar Rodoviária apreendeu 26 barras de maconha em Patrocínio, na MGC-462. Em 18 de outubro, a PM recolheu 600 kg da droga em Cedro do Abaeté. No plano nacional, o combate ao crime organizado foi tema da campanha, como mostrou a Folha ao checar o que Flávio prometeu sobre o narcotráfico, e o IBGE estuda incluir as drogas no cálculo do PIB.
O que acontece a partir de agora
Com as alegações do Ministério Público no processo, a defesa de cada réu tem prazo para apresentar as suas. Depois disso, o juiz decide se condena ou absolve. Cabe recurso ao Tribunal de Justiça de São Paulo em qualquer dos casos. A Folha acompanha o andamento e atualiza esta matéria quando sair a sentença.
Este texto foi redigido com apoio de inteligência artificial, a partir da pauta, das fontes e das regras do editor-chefe. Saiba mais em Como usamos inteligência artificial.






